
Depois da sensualidade deslumbrante de Gabriela na terra dos coronéis, as primeiras telenovelas trouxeram o Casarão com Atílio, alquimicamente, remexendo a sua banheira cheia de estrume de vaca para que se transformasse em ouro, e o bem-amado prefeito de Sucupira, Odorico Paraguaçu a tentar todos os truques e artimanhas para ter um morto com que possa inaugurar o novo cemitério, a sua grande promessa eleitoral.
Tirando a beleza duma Gabriela, temos disso tudo um pouco no governo, a dificuldade sendo a de estabelecer quem faz o quê porque, o que se vê, é que todos parecem fazê-lo, à vez, disputando o papel de quem remexe a trampa e quem dá os golpes.
Os casos sucedem-se, uns atrás dos outros, desde os de pilha-galinhas aos de saca-milhões, sempre obscuros e mal amanhados, sempre capturando bens públicos para os passar a privados, umas comissões a pingar no processo.
As trapalhadas são muitas mas o governo persiste, porque a oposição se consome em guerras internas de alecrim e manjerona e se auto-satisfaz com medíocres floreados para o canal parlamento.
Um governo da merda, uma merda de oposição.

