António Cabral, um grande amigo e um grande poeta. Hoje, começa a ser feita justiça ao seu grande talento e começa a ser aceite a opinião expendida, entre outros, por António Pires Cabral, de que António Cabral e Miguel Torga são as duas grandes vozes poéticas do Nordeste.
Quando em 1961 fui colocado na Biblioteca Itinerante de Vila Real, depressa estabeleci relações de amizade com António Cabral e com os outros companheiros do movimento Setentrião – Ascenso Gomes, Eduardo Guerra Carneiro, Eurico Figueiredo, António Barreto… Foi uma amizade para sempre – em tudo o que Cabral organizava eu era convidado e nas minhas iniciativas o António tinha lugar cativo. Sacerdote cátólico durante uma parte importante do seu trajecto, nunca sua crença e o meu ateísmo colidiram – quem era Deus para se meter nas conversas e nos projectos de dois amigos? Entre esses projectos contou-se a Nova Realidade que, com Manuel Simões e Júlio Estudante, organizei em Tomar. E entre os livros que publicámos, dois tiveram a intervenção e António Cabral: uma colectânea de poemas seus – Os Homens Cantam a Nordeste, 1967 e Introdução às canções de José Afonso», publicado no livro Cantar de Novo,1970. Mais tarde, numa outra editora artesanal de que fui sócio, a Razão Actual, saiu o seu livro Quando o Silêncio Reverdece, 1971. Na foto à esquerda, podemos ver o grupo do Setentrião, em Julho de 1961. António Cabral é o segundo a contar da esquerda.
Vamos, pois, escutar Francisco Fanhais em duas canções com letras de António Cabral, começamos com Leonor (Descalça vai para a fonte), glosa do famoso vilancete de Camões:
e, por hoje, despedimo-nos com À saída do correio:
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