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EDITORIAL – O «jogo democrático» – perversão da Democracia

logo editorialNa Catalunha decorre uma guerra de bandeiras – uma vaga de senyeras esteladas invade as janelas. Mas esta afirmação de patriotismo, catalão que consiste em colocar nas varandas o símbolo da Nação, está a ser contestado pelas autoridades centralistas, pois não respeita as regras do «jogo democrático» exibir este símbolo quando a soberania catalã está em discussão. A exibição da bandeira representa um factor de persuasão que viola o clima de imparcialidade – resta saber se a bandeira do Estado espanhol também é excluída…

O «jogo democrático» é uma invenção britânica – os britânicos são bons a inventar jogos – futebol e parlamentarismo sairam de cabeças inglesas.A modalidade começou a ser jogada em 1707 quando, ratificado o Tratado da União, o Parlamento de Inglaterra e o Parlamento da Escócia foram unificados – em 1800 haveria um Acto da União para adicionar o Parlamento Irlandês. a Inglaterra seja intitulada “The Mother of Parliaments” (A Mãe dos Parlamentos).

No seu O Contrato Social (1762), Jean-Jacques Rousseau, reflecte sobre a natureza da democracia, não ocultando as reservas que tinha para com um regime que iria, sobretudo a partir de 1789, nos dois séculos seguintes constituir a principal esperança dos oprimidos. O filósofo suíço chama a atenção para o facto de, depois de eleitos, os deputados esquecerem de imediato as promessas eleitorais, passando a actuar de acordo com a estratégias estabelecidas pelas instâncias partidárias. Voltando às regras do jogo, elas vão sendo estabelecidas à medida que o jogo decorre. Como se no futebol pudesse ser criada uma regra que abolisse a marcação de uma grande penalidade quando cometida por um dos «nossos»…

Se em 1640 o conde-duque de Olivares dispusesse desse instrumento fascista da política democrática, quando os conjurados e o povo de Lisboa começaram a insurreição, puxaria do apito, interrompia a balbúrdia e perguntava – «Haveis submetido a vossa intenção ao escrutínio popular?- Será que a maioria dos portugueses não prefere manter a condição de súbditos de Filipe IV, perdão, de Filipe III  de Portugal?».

Miguel de Vasconcelos sairia do armário onde se escondera, retomaria a sua autoridade. A  populaça seria metida na ordem, enforcados os mais renitentes, os conjurados enviados para cargos no Parlamento europeu ou nas Nações Unidas; e Miguel poderia concluir o negócio dos submarinos – como é bela a Democracia!

 

 

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