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DOURO ART FAIR – PARA VER ENTRE O MARÃO E O RIO DOURO – por Soares Novais

Imagem3É uma iniciativa singular esta  que,  até  Agosto,  reúne obras de 30 artistas na “Douro Art Fair”, em Baião.  Distinta, também, pois integra  a  Arte no dia a dia dos habitantes daquele que é o mais oriental concelho do distrito do Porto.

Uma “mostra” que, como refere Isabel Costa e Almeida, co-responsável pela curadoria da “Douro Art Fair” – o outro é José Sacramento –  obriga o visitante a “atravessar vilas e aldeias, calcorrear montes e vales, desde o Marão ao Rio Douro”.

Assim é, de facto.  As obras mostram-se em 15 Estações – Paços do Concelho (Xico Lucena); Casa de Chavães (Bety Carvalho, Paulo Neves, Zulmiro de Carvalho); Centro do Biscoito da Teixeira (Jaime Borges,  Mário Vilaça); Albergue de Mafômedes (Cooperativa Cultura de Baião, Fonte do Mel); Casa das Bengalas (Artur Moreira); Serviços Municipalizados da Santa Marinha do Zêzere (Pedro Figueiredo); Quinta do Ervedal (Carlos Lourenço, Manuela Bronze, Isabel e Rodrigo Cabral); Quinta da Covela (Moisés); Fundação Eça de Queiroz (Farinha Ramos);  Hotel Douro Palace (Aníbal Lemos, Manuela Soares, Rui Nunes); Mosteiro de Ancêde (Acácio de Carvalho, José Rodrigues, Sobral Centeno); Hotel Douro Valley (Francisco Laranjo, Henrique Vaz Duarte, Joana Figueiredo, Lúcia Seabra); Auditório Municipal (António Franchini, Helena Homem de Melo, Pedro Andrade); Posto de Turismo (Artur Fino, Marta Peneda); e Museu Municipal (Aureliano Aguiar).

A “Douro Art Fair” requer, pois, um peregrinar por terras de Baião. Um peregrinar que se faz com agrado e prazer, pois o berço de Soeiro Pereira Gomes, ficcionista maior da Literatura portuguesa do século XX,  que nos legou “Esteiros” e deu a conhecer a crueza da vida de um grupo de crianças operárias do Ribatejo, tem cantos e encantos.

 Tantos cantos e tão grandes encantos  que  Eça escreveu, ali, na casa de Tormes, duas obras fundamentais do  universo queirosiano: “A Cidade e as Serras” e “A Ilustre Casa de Ramires”.

Assim,  aconselha-se que a visita seja feita com tempo a esta “Douro Art Fair” – uma mostra em que “a arte integra-se nos afazeres destas gentes que a abraçaram, de bom grado e com carinho”, como refere Isabel Costa e Almeida no texto que abre o excelente catálogo da mostra, Um catálogo com design gráfico de Acácio de Carvalho, fotos de Henrique Vaz Duarte e que pode ser adquirido por 5€.

Uma “Douro Art Fair”          que, como sublinha José Luís Carneiro, presidente da Câmara Municipal de Baião, contribui para dar “vida aos diferentes lugares de identidade do concelho”,  trazer os artistas ao “diálogo com os baionenses”  e ao mesmo tempo atrair visitantes que possam (re)descobrir a história milenar, o  património e a cultura de um território que o seu povo imortalizou nas gravuras com que marcou “Antas”,  “Mamoas” e “Dólmens”.

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