O EXEMPLO DE MARIA DE LOURDES LEVY por clara castilho
clara castilho
“A Prof. Lourdes Levy foi uma Pediatra de elevado mérito, primeira Professora Catedrática da Faculdade de Medicina de Lisboa, que desde a primeira hora se salientou na defesa dos Direitos da Criança. Prestou inestimável apoio ao Sector da Humanização dos Serviços de Atendimento à Criança do Instituto da Criança, com especial relevo para a área dos Serviços de Saúde. Foi uma percursora, vislumbrando com eloquência as grandes questões da Pediatria, procurando ver a saúde da criança nos seus múltiplos aspectos, desde o físico ao mental e não se descurando também a envolvência social, no sentido do desenvolvimento integral e procurando metodologias inovadoras com vista a garantir a saúde e o bem-estar da criança.
Foi também fundadora da Sociedade Portuguesa de Pediatria Social e fez parte da Direcção da Associação de Escolas João de Deus, mostrando sempre um empenho e um entusiasmo únicos nas suas diversas actividades.
Foi a responsável pela adopção pelo IAC da grande missão de divulgação da Carta da Criança Hospitalizada, já que num Congresso da Associação Europeia das Crianças no Hospital (EACH), que o IAC integra desde então, viu a importância do respeito dos Direitos da Criança Hospitalizada e propôs ao Instituto da Criança a sua adesão ao Projecto, que foi formalizado com o maior sucesso e hoje a Carta da Criança Hospitalizada é aplicada em todos os Hospitais do nosso País.
A Prof. Maria de Lourdes Levy é uma referência da Pediatria em Portugal e o Instituto de Apoio à Criança deve-lhe muito pela disponibilidade permanente, pela partilha, pelo saber, pela amizade e pela dedicação à causa dos Direitos da Criança.
O IAC fez uma publicação de homenagem à Prof. Levy em 2006 e neste momento de pesar, mais uma vez lhe presta uma homenagem muito sentida, lembrando toda a sua vida devotada à Criança.” (do comunicado da Direcção do Instituto de Apoio à Criança).
Da referida publicação podemos retirar um testemunho da própria Professora: “O lema que adoptei para a minha vida foi sempre o seguinte: Não desistir de coisa começada! Assim percorri os vários escalões da minha vida académia e profissional. Perguntar-me-ão: valeu a pena? Penso que sim. Apesar de tudo, valeu a pena.”
Na mesma publicação vem um testemunho de sua amiga, a escritora Matilde Rosa Araújo.
Lembro um almoço, fora de Lisboa, a que levei as duas no meu carro (obrigada querida Manuela Nogueira que nos recebias tão bem em tua casa!). E de pensar, cá para os meus botões: olha a responsabilidade, e se me acontece alguma coisa? Logo estas duas! O que aconteceu foi um belo convívio, recheado de testemunhos de outras época em que a afirmação das mulheres era mais dura, mas não deixava de se fazer quando elas eram de fibra! Privilégio em tê-las conhecido.