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EXPOSIÇÃO DE FÁTIMA MENDONÇA ATÉ DIA 13 DE SETEMBRO, NO CENTRO DE ARTE MANUEL DE BRITO, EM ALGÉS

É até o dia 13 de Setembro que pode ver a excelente exposição de trabalhos de Fátima Mendonça, no Centro de Arte Manuel de Brito, no Palácio Anjos, em Algés.

Fátima Mendonça nasceu em Lisboa, 1964. Vive e trabalha em Lisboa. Estudou Pintura na Escola Superior de Belas-Artes, em Lisboa. Das exposições individuais que realizou desde 1991, distinguem-se: Auto-retratos com dedicação e afecto, da Fátima, Galeria 111, Lisboa, 2007; Assim… Assim… para gostares mais de mim, Culturgest, Lisboa, 2005. Participa em inúmeras exposições colectivas desde 1989, entre as quais destacamos: À Volta do Papel – 100 Artistas, Centro de Arte Manuel de Brito, Algés, 2008; Arte Contemporânea – Novas Aquisições, Culturgest, Lisboa, 2002.

A sua obra encontra-se representada em inúmeras colecções públicas e privadas, tais como a Fundação de Serralves, Porto e a Colecção da Caixa Geral de Depósitos, Lisboa.

Diz-nos Maria Arlete Alves da Silva:

“Esta exposição, comemorativa do quinquagésimo aniversário de Fátima Mendonça, tem obras de 1988 a 2010 que marcam o seu percurso artístico. No seu universo encontramos o medo, a solidão, as mágoas, a violência e a fragilidade humanas, as fantasias trazidas da infância e o confronto com a realidade adulta.

A casa sempre foi o elemento primordial da pintura de Fátima Mendonça. Ao contrário do que está convencionado, em que dentro de casa tudo é calmo e fora dela todos os perigos espreitam, aqui a casa está longe de ser um lugar de refúgio tal como o interior humano. As séries que pintou têm em si nomes muito expressivos – A Casa dos Bolos, A Casa do Desarranjo, A Casa do Desassossego, Gosto muito da minha Casinha, Eu tenho medo: lá, lá, lá, lá, lá… ou Casa-Carrossel. Formas de bolos e animais magoados ou aprisionados em armadilhas são uma constante. O fogo está omnipresente, quer para cozer os bolos ou queimar animais, quer como ameaça exterior. Quando aparece uma menina ela está nua, de braços abertos, indefesa e vulnerável, muitas vezes fugindo de um fogo ameaçador. Em vez do aconchego a menina, presente ou ausente, nunca esteve tão abandonada e desesperada.

A série Assim… assim… assim… para gostares mais de mim é o livro aberto da sedução. Nestes trabalhos enormes tudo é perturbação e excesso. Como uma aranha que faz a sua teia para apanhar a presa, a personagem feminina tece as armadilhas para atrair o seu amado, com bolos a indicar o caminho para ele não se perder ou com uma sala forrada a bolo-mármore. Mas o exercício amoroso é perturbado pelo lado mais violento da paixão. A personagem feminina desafia o homem numa luta de morte. Corpos despedaçados e muitas próteses revelam a agressão e os ardis desse desafio.

A série Autorretratos é uma sequência de narrativas de violência e agressão física, manifestando-se por naturezas mortas bordadas na pele, arranhões feitos com habilidade e massa de bolo que se cola à pele e não sai. A violência psicológica é terrível “coze as tuas vergonhas, as tuas apoquentações, a tua cabeça, os teus medos”. Apesar das rezas e das penitências para esconjurar o medo, a menina tranquiliza-se a si mesmo “descansa, sossega, confia, aqui não há dor” e vai mais longe, querendo fugir e a voar para escapar da prisão onde tudo é ameaçador. Num dos quadros lê-se “o que é que a Fátima tem”, tem tudo e muitos medos como ninguém”.

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