EDITORIAL – ATENÇÃO “ARTISTAS COM EGOS DO TAMANHO DO MUNDO”!
clara castilho
No dia 4 deste mês, Jorge Barreto Xavier, secretário de Estado da Cultura, prestou declarações ao “SOL”, em que afirmou: “Os artistas, curadores e responsáveis pelas instituições, às vezes, têm egos do tamanho do mundo”. E acrescentou: “Mas isto é quase co-natural à atividade cultural, centrada no indivíduo que a cria ou produz para ser consistente. A pessoa ou instituição somatiza muito a sua centralidade como forma de afirmação do seu projeto”.
Egos do tamanho do mundo?
Vamos ver se percebemos. O que é ser “co-natural”?
O que é natural? É o que espontâneo, inato, instintivo, congénito, originário? É o que é saudável? É o que está em conformidade com a regra, que é universal e inalienável ?
Se o prefixo “Co” significar companhia, concomitância, simultaneidade, irá “cooperar” com o “natural”. E ficamos com o quê? Ficamos com a necessidade de alguém vir ajudar os artistas na sua “naturalidade”? Ficamos com a necessidade de alguém decidir se a sua “naturalidade” merece ou não subsídios?
É que o Secretário de Estado estava falando de subsídios: “Ter mais dinheiro para trabalhar nesta área é algo que me parece muito bem. Agora também sou realista, não sou utópico. Portugal nunca teve 1% [de financiamento] para a Cultura”.