A CRIAÇÃO DE MOEDA, BANCA E CRISES: UMA OUTRA PERSPECTIVA – UMA NOVA SÉRIE SOBRE QUESTÕES DE ECONOMIA – 5. A MOEDA CENTRAL (2/3) – EXPLICAÇÕES – por OLIVIER BERRUYER – V
Comentários ao texto Moeda Banco Central (2/3) – explicações
1. Patrick Luder
Bom dia, Olivier, compreendo bem o funcionamento e que os fluxos diários no Banco Central são importantes e variáveis. Mas isto não explica a razão para os empréstimos feitos aos bancos pelo BCE (489 mil milhões em Dezembro 23-523 e 530 mil milhões em 29 de Fevereiro, empréstimos estes concedidos a 800 bancos).
2. Gauthier
Talvez uma forma de recapitalização sem passar pelos mercados financeiros .
3. chris06
A razão? Bem, pura e simplesmente um grande número de bancos europeus (incluindo uma grande proporção dos bancos espanhóis e italianos) estavam cheios de activos tóxicos (imobiliários, públicos e privados) e em que os bancos que tinham liquidez excedentária não tinham então nenhuma confiança sobre os outros e assim não forneciam liquidez para se constituírem as reservas suficientes junto do mercado interbancário e se apressavam todos a solicitar o fornecimento de liquidez ao refinanciador de último recurso que é o Banco Central, porque caso contrário, seria a explosão do sistema bancário europeu.
Visto que ninguém parece ter coragem de resolver de uma vez por todas os milhares de milhões de activos tóxicos que estão nas contas desses queridos bancos, o Banco Central vai continuar a tentar ganhar tempo, mantendo estes mesmos bancos sob perfusão o tempo que for necessário … uma vez que uma situação igual se verifica no Japão desde há quinze anos no Japão entre o banco central deste país e o sistema bancário japonês, é-se levado a dizer que o BCE tem ainda muito tempo à sua frente para continuar a praticar esta injecção continuada de liquidez …!
4. Patrick Luder
Obrigado Chris, isso tranquiliza-me… às vezes tenho a impressão de que as nossas queridas autoridades financeiras inventaram mesmo um novo sistema para fazer um novo buraco financeiro nas costas do bom povo e reembolsável mais tarde…
De maneira mais clara: se as necessidades explosivas de liquidez são coisa do passado, é grave mas é (quase não) controlável. Mas se as necessidades explosivas de liquidez existem aqui e agora para remediar problemas futuros ( pouco visíveis e não controlados), começo realmente a ficar preocupado…
5. chris06
Bem, é um pouco de ambas as coisas uma vez que as necessidades explosivas em liquidez irão continuamente aumentar e à medida que as bolhas imobiliárias monumentais continuarão a explodir em todos os lugares na Europa (excepto na Alemanha, uma vez que aqui não andaram a jogar este tipo de jogo ), que as Administrações Públicas europeias continuarão a transferir cada vez mais activos tóxicos sobre os orçamentos públicos, que os custos de energia importada continuarão a aumentar e que os pequenos empregos pagos a três vezes nada irão continuar a substituir os salários do sector privado a tempo integral.
Este é o princípio de deflação lenta à japonesa em que, como o poeta T.S. . Eliott disse no seu tempo, a civilização ocidental não termina de repente numa grande explosão, mas sim num longo gemido imperceptível…
Mas bem, devemos permanecer optimistas!
6. askarine
Quem vos diz que a moeda banco central servirá apenas para o descongelamento do mercado interbancário carregadíssimo com produtos tóxicos? Lembrem-se que com tais somas e uma tal taxa directora (1%), é provável que isso implicará uma criação de moeda escritural muito importante. Como há pouco crescimento e como a dívida é muito alta, bom, isso não é grave, criar-se-á um falso crescimento (ex: subprime,…) e aumentar-se-ão as bolhas. Esta ultra baixa taxa directora é um convite ao crime. Um dia agradável.
7. chris06
@askarine,
Há sempre um risco (ou uma oportunidade, dependendo de qual lado é que se está, logicamente) que isso se produza mas não é fácil explicar porque é que os bancos de repente se poriam a criar moeda escritural desta forma…
Ainda não viu o anúncio emitido recentemente pelos nossos queridos banqueiros centrais e pelos nossos políticos? “Procura-se desesperadamente bolha a encher “
Que ilusão! Será que eles irão encontrar desta vez para as famílias, para as empresas e para as administrações públicas a estarem dispostas e em conjunto a endividarem-se quando todos eles já estão fortemente endividados?
sem isso, “ a bomba da finança” através da qual os bancos criam moeda escritural na sequência de um crédito, está bloqueada e por um longo período de tempo….. por muitíssimo tempo.
8. Matthieu
“Ao contrário do que possa imaginar, não há aqui nada de fundamentalmente ofensivo quanto a esta criação de dinheiro pelo Banco Central.”
Como?
Se o BCE troca moeda banco central por títulos podres então o mercado está desequilibrado, porque o risco é (momentaneamente) transferido dos bancos para o BCE, ou não é assim?
Assim, como acabaram de nos mostrar para a Grécia, são frequentemente as instituições públicas (ou seja, nós), que assumimos o encargo gratuitamente dos riscos que assume o sector privado…
Como é que querem que a regulação do neoliberalismo actue !
Vocês esqueceram-se de nos falar sobre os juros a pagar. Existem por aí e sobre esta matéria, histórias e que histórias e seria bom que nos pudessem explicar porque é que há (ou não há) problemas com os juros a reembolsar.
9. Jean-Baptiste B
É a máquina de fazer notas e demonstro-o: a própria Reserva Federal está isenta de pagar pelas suas perdas! O FED deixa cair a máscara. Então pega na máquina de imprimir notas e então tenta fazer os seus arranjos mais ou menos bem camuflados para dizer que tudo está pago com os fundos libertados. Aliás, este sistema pretende justificar o monopólio da criação de dinheiro pelos bancos. Dado que o crescimento é fraco e em que a taxa de desemprego é elevada e o futuro cada vez mais sombrio, é chegada a hora de devolver à máquina de fazer notas ao Tesouro.
Sim, é necessário imprimir essas notas, sim “é a máquina de imprimir notas ” e fazê-lo somente pelo crédito é reforçar ainda mais a servidão pela dívida, e sim, não há nenhuma legitimidade para isso: como o Nobel de economia Paul Samuelson afirmou:
“Acho que há um elemento de verdade na opinião de que a superstição, garantindo que o orçamento deve estar sempre equilibrado em todo e qualquer momento do tempo, uma vez levantada, remove um dos dispositivos de segurança que cada empresa deve ter contra os gastos fora de controle. Deve haver disciplina na alocação dos recursos, ou ter-se-á um caos anárquico e ineficaz. E uma das funções de uma religião antiga era de assustar as pessoas com o que pode ser visto como sendo mitos a fim de se comportarem da forma que exige uma civilização a longo prazo. […] Agora começo a acreditar que, se o posso parafrasear, aprenda-se a verdade e a verdade ajudará a que cada um de nós fique livre e talvez mesmo eficiente.”
Acabem-se com os planos de austeridade, dê-se lugar a uma gestão sã da moeda.
10. chris06
@Jean Baptiste B,
é necessário, primeiro que tudo, começar por estarmos de acordo com o que chama de “fazer funcionar a máquina de criar notas “!
11.Jean-Baptiste B
Por isso, penso o seguinte: a criação monetária pelo Tesouro e pelo Banco Central, a que que pode simplesmente por crédito de uma conta em banco fazer pagamentos e destruir a moeda quando debita essa mesma conta. O Banco Central tem um passivo equivalente pelo facto de que ele cria, na prática, um conjunto de contas à Ponzi, e sobre o qual se obtêm os meios com que financiar a economia real. A prova é que nem o Banco Central pode fazer funcionar a máquina de fabricar notas é que este banco nunca entra em falência em caso de incumprimento de pagamento sobre os empréstimos por si concedidos. .
O que estou a dizer é que sobretudo não se deve vender tudo sob o pretexto de reembolso da dívida: depois de terem deixado os bancos enganar-nos durante décadas sobre a realidade da criação monetária e sobre as suas possibilidades, nós dar-lhes-íamos ainda as nossas riquezas, como contrapartida de nos terem andado a enganar com puros jogos contabilísticos! Uma vez que um banco ameace entrar em falência (quase todos actualmente), é necessário recuperar a moeda Banco Central, os activos e outros e completar pelo Tesouro para recriar um banco de depósito são, nada criativo, bem básico, com os depósitos de todos os depositantes . Apurar assim, por uma cascata controlada de falências os balanços carregados de produtos supertónicos, preservando a economia real e as suas transacções. Por fim, devemos processar os financeiros começando pelo mais alto nível, bem como um certo número de responsáveis políticos. À islandesa.
Mas sobretudo, não abandonar a máquina de fabricar notas para a economia real, acrescente-se! Mais vale manter a colocar a máquina a trabalhar para todos, até mesmo o Ponzi financeiro, se ainda não se é capaz de parar (NT- e de prender) os banqueiros …
12.Patrick Luder
A máquina de produzir notas é também um garrote apertado ao pescoço dos reformados , agora que tudo é baseado no papel…
13. orgent
Muito obrigado por essas explicações de contabilidade. Eu gostaria mesmo assim de perceber bem o fluxo monetário quando o Sr X, cliente do banco A, obtém um empréstimo de 200.000 € para comprar o seu apartamento de 240 000 euros? Eu penso ter percebido que as regras prudenciais (Basileia II) impõem ao banco de dispor de pelo menos 8% dos fundos próprios, ou pelo menos de 8 000 euros na sua conta junto do BCE no presente caso. O banco A cria então 184. 000 euros inscrevendo € 184.000 euros de dívidas no activo da conta do senhor X como contraparte de 184.000 euros de dívidas no seu passivo, é isso? O que acontece em seguida para o senhor X, o banco A e o Banco Central, em caso da explosão da bolha imobiliária onde o senhor X perde o seu emprego e sua casa passa a não valer mais de 80 000 euros?
14. Bruno L
Caro Olivier, o meu amigo abordou apenas um lado da questão, a criação de moeda pelo Banco Central.
Este não é, para mim, o problema mais agudo. A verdadeira questão é a criação de moeda pelos bancos comerciais.
No seu texto tudo se passa como sejam apenas ‘ os depósitos que geram os créditos “.
Embora, obviamente – pelo menos na minha opinião – sejam essencialmente os créditos que geram os depósitos, o problema está todo ele aí, (pelo menos para os bancos de segundo-nível).
Por outro lado, não tenho seguramente necessidade de o lembrar o que o termo “falso moedeiro ” vem de Maurice Allais, que o meu amigo Olivier aprecia tanto como eu.
Muito cordialmente
15. Jean-Baptiste B
@ chris06
Sim, a retoma funciona: é necessário um défice a jacto contínuo para que funcione uma economia e sim, mais vale regular os bancos em todos os sentidos. Não se deve deitar fora o bebé com a água do banho, a máquina de fabricar notas com o que fizeram os bancos. Pelo contrário, o Estado, ou seja, o tTsouro, re-regulará os bancos com mais determinação e tanto mais quanto eles deixarão de ser a sua fonte de financiamento.
A retoma funciona, mas dado o enorme passivo de créditos tóxicos e de tanta gente financeiramente enganada, para que os défices cheguem a estabilizar a situação isto vai levar tempo, mas quanto mais se impedir que os estabilizadores automáticos alimentem o sector privado através de um défice elevado mais será o tempo necessário para que a situação se estabilize. . É somente depois que o crédito será retomado…
16. P.
Ideia idiota. um défice não é senão uma emissão de promessa, e se fosse suficiente prometer para estimular a actividade, não estaríamos na porcaria actual. Pelo contrário, considerando a quantidade monstruosa de promessas que foram feitas, deveríamos estar a nadar em felicidade…
17. chris06
O que é que quer, alguns economistas “brilhantes” estão convencidos que seriam capazes de resolver um problema de sobreendividamento através da criação de mais dívidas.
18. Jean-Baptiste B
O senhor não leu. O crédito é uma promessa de moeda soberana (moeda banco central/reservas), proibir o Estado de gerar um défice é proibi-lo para permitir que os outros cumpram as suas promessa em crédito. Pelo contrário, um défice aumenta o montante dos activos líquidos do sector privado. Como deve ter lido no link que eu aí tinha colocado e que aqui coloco a citação em tradução, o défice é essencial para a estabilidade e para a prosperidade. Ao contrário dos mitos narrado por todos os lados, o défice cria moeda e o excedente orçamental destrói-a e, em seguida, os bancos escondem-no através destes empréstimos ao Tesouro de que ele não tem nenhuma necessidade (se somente ele o soubesse).
Infelizmente, no caso do euro, nós estamos em grande parte desfalcados da nossa soberania monetária. E o BCE deve pois “garantir o mecanismo de transmissão”, ou seja, que os Tesouros possam sempre activar a máquina de fazer papel-moeda. Mas o BCE impõe as suas condições e por último faz durar a tortura de um défice muito baixo em vez disso, exigindo pois a austeridade. Que os financeiros se tenham metido numa pirâmide de Ponzi não muda nada. A pirâmide de Ponzi não desce até à economia, porque não há aí procura de crédito para tal e ela não substitui a necessidade do défice.
« C’est justement le cœur de la real bill que de réfuter l’idée que l’émission monétaire est inflationniste quand elle est adossée à des actifs de qualité »
“É aqui precisamente que reside o centro da verdadeira questão que é o de refutar a ideia de que a emissão monetária é inflacionista quando está ligada a activos de qualidade”
Portanto, a refutação do facto que a emissão monetária é inflacionista quando se encontra sustentada por activos de qualidade, é mesmo o cerne da real bill Tua tradução
E, como é que, se faz para tomar como garantia “activos de qualidade”, quando todas as cotações variam, e não há mesmo nenhum controle da emissão desses activos de “qualidade”? Leia o pequeno excerto Inflação/Deflação de um artigo de wikipedia a que está ligado. Mais vale ter papel moeda como activos e uma máquina para as criar ao alcance da mão. O período histórico que se aproxima mais desta situação é o período chamado de Os Trinta Gloriosos anos e é também o mais estável e o mais próspero da nossa história. Em relação ao controle da inflação, existem ainda técnicas mais avançadas, como o empregador de última instância.
19. P.
Mas eu li e o que eu li não faz nenhum sentido. Esta tese da necessidade do défice público não se aguenta de pé, nem teoricamente, nem sobretudo no plano da prática (uma vez que estamos cheios de contra-exemplos, mesmo na França: Henri IV ficou na história por duas razões, a de um alegre crescimento económico no país com um excedente orçamental e zero em termos de dívida – Voltaire fala disso em “o homem de 40 ECU”; a mesma coisa durante a Restauração).
Na verdade, os senhores só lêem metade da história. O défice não cria a moeda, cria moeda, nuance; e o reembolso não destrói a moeda, destrói moeda. Mas a moeda não é nada, é apenas um sinal, um reconhecimento de dívida. Jogue o que quiser para cima dela , em seguida, multiplique-a ou divida-a por dois , qual é a diferença? Nenhuma!
Uma máquina de imprimir notas não é um activo, é apenas um instrumento duma tipografia. A economia real trabalha com transformações reais das coisas reais: casas, carros, campos e fábricas, refinarias e centrais de energia, etc.; ela está-se nas tintas para a sua tipografia, sem ofensa para Keynes. Acreditar que se vai reparar a economia mudando de tipografia ou de tipógrafo, é um culto do Cargo. . O verdadeiro ‘activo’, nesta história, não é a tipografia, é Schlague, a punição com que “o empregador em última instância” (como vocês lhe chamam) vai forçar as pessoas a tratar pedaços de papel sem valor como activos reais, vai colocá-los no trabalho forçado. Sinta-se livre para nisto ver uma solução (não é o meu problema…), mas a experiência tem demonstrado que os período de expansão são sobretudo aqueles em que a Schlague recua (depois das guerras, principalmente ) do que aqueles em que é mais cada vez mais utilizado (o que não deixa de ser muito perturbador para França, onde todos os candidatos propõem bater mais e mais fortemente …)
20.
Jean-Baptiste B
@ P
«Henri IV ficou na história por duas razões, a de um alegre crescimento económico no país com um excedente orçamental e zero em termos de dívida »
A única maneira de ter um orçamento público equilibrado e um sector privado em crescimento é ter um excedente na balança corrente. Precisamente, Henry IV fez proteccionismo e regulamentou os bancos (não se pode apreender o gado e as máquinas agrícolas para liquidação das dívidas), e conduziu uma política de desenvolvimento activo. Hoje que a moeda é uma pura moeda, sem ouro, mais vale que o sector privado esteja a trabalhar para a prosperidade do seu Estado do que estar a vender os seus serviços em troca de défice de estados estrangeiros.
” Mas a moeda não é nada, é apenas um sinal, um reconhecimento de dívida. Jogue o que quiser para cima dela , em seguida, multiplique-a ou divida-a por dois , qual é a diferença? Nenhuma! (…) A economia real trabalha com transformações reais de coisas reais: casas, carros, campos e fábricas, refinarias e centrais de produção de energia, etc. ; a economia está se nas tintas para a sua tipografia, sem ofensa para Keynes. “
A economia real funciona com riquezas reais e com sinais monetários. Olhe à sua volta , estamos numa economia de mercado e não de troca directa. A moeda é real, real, tão real como as casas e as outras coisas disponíveis no mercado, e também pode estar viciada, ser muito racionada ou ser muito abundante, etc. A economia que se estaria nas tintas para Keynes nunca foi tão próspera como durante o boom do pós-guerra, justamente o período mais keynesiano. Saber fazer défice, isto é, criar moeda adicional é, portanto, não de tentar proibir absurdamente mas sim de preservar, de afinar, para melhor garantir de quanto, de quando, para quem e porquê e isto de modo a que o conjunto seja coerente.
” O verdadeiro ‘activo’, nesta história, não é a tipografia, é Schlague, a punição com que “o empregador em última instância” (como vocês lhe chamam) vai forçar as pessoas a tratar pedaços de papel sem valor como activos reais, vai colocá-los no trabalho forçado. Sinta-se livre para nisto ver uma solução (não é o meu problema…), mas a experiência tem demonstrado que os período de expansão são sobretudo aqueles em que a Schlague recua “
1 O empregador de último recurso só contrata voluntários: ninguém na situação de trabalho forçado.
2 O Estado que vai bem para além do Comité EDR especialmente hoje, sempre usou e ainda utiliza uma mistura de persuasão e coerção nem que seja para financiar o exército, a justiça e algumas funções também estratégicas. No entanto, a única maneira que temos para suavizar isto é exigir défices (pelo menos de uma forma coerente com a inflação, principalmente através dos estabilizadores automáticos), de modo a que não se seja obrigado a ir procurar obter o último tostão no último investidor para evitar a prisão do fisco, ou, no caso do ouro, para ir procura-lo numa mina em vez de oferecer qualquer serviço (venda de papel, etc.) ao Estado. É ainda mesmo assim muito mais cómodo do que ser via acordos com os mercados.
21. P.
É errado dizer que se tem necessidade de um excedente na balança corrente para se ter ao mesmo tempo uma situação de equilíbrio do orçamento público e o crescimento do sector privado. Mais uma vez os contra- exemplos abundam, como o mostra o recente período de “Clinton” nos EUA (crescimento, orçamento federal com excedente, mas um enorme e crescente défice comercial). O sucesso de Henry IV não se baseia no mercantilismo, mas sim num crescimento da produção (a partir de um nível deprimido pela guerra civil é verdade, mas não só) que enriquece a todos, tanto os particulares como o próprio Rei. Mas o vosso erro não me surpreende, quando se confunde o mapa e o território, o símbolo e a coisa, é bastante natural obter ouro para a economia e tornar-se mercantilista ..
A ligação aos 30 Gloriosos anos <-> keynesianismo é simplesmente uma petição de princípio. O keynesianismo também tem no seu “activo” o desastre ” nos EUA entre 1932 e 1940, o tratamento da crise japonesa desde 1980 e seguramente a crise actual…magnífica. Sem esquecermos para continuarmos franco-franceses, os belos resultados de Chirac em 76 e de Mitterrand em 81. Eu tenho estado a procurar um exemplo onde o keynesianismo tenha funcionado bem, mas não encontro. .
Criar moeda , ou seja, é dizer emitir quando não se tem activos por detrás é a falsificação na criação de moeda. Mas se os “sinais” lhe interessam, mais do que os bens reais, nenhum problema : posso fazer uma oferta especial de belos símbolos impressos por troca dos seus bens reais ..
O EDR paga aos voluntários com falsa moeda: Schlague para a fazer aceitar e para manter tranquilos os descontentes.
22. chris06
Já lá vão quinze anos que o Japão tenta relançar a sua economia, eles ainda assim conseguiram a façanha de passar a sua dívida pública de 100% do PIB em 1997 para 220% do PIB hoje enquanto suportam défices correspondentes por injecções massivas de liquidez: nada acontece, o crescimento é, em média, cerca de 0% durante estes quinze anos, as taxas de inflação e de juros também estão perto de zero, o paciente é um “zombie” …
Um défice enorme não servirá para nada tanto quanto o sistema bancário estiver bloqueado por milhões de milhões de activos tóxicos e enquanto que o sector privado (famílias e empresas) está sobre-endividado e que o preço das habitações, das terras agrícolas, os estabelecimentos estão em níveis estratosféricos e reflectem apenas ilusões de grandeza não relacionadas com o seu valor fundamental, assim nada arrancará.
Como é que quer que os estabilizadores económicos salvem o sector privado? É o sector privado (famílias e empresas) que financiam estes estabilizadores, vai ser difícil que sejam os estabilizadores que fazem arrancar o sector privado!
23.
Jean-Baptiste B
Eu disse que eram necessários os dois: regular os bancos (e purgar as consequências da falha regulatória prolongada) e activar a criação de moeda via estabilizadores automáticos. Durante a crise de 1930, o que realmente arrancou o sector privado do pessimismo em que se envolveu foi o pleno emprego decretado pelo Estado para a economia de guerra. O nec plus ultra do défice a assegurar a prosperidade é o empregador de última instância. Não há nada como o pleno emprego para alimentar o optimismo que alimenta a actividade económica que alimenta o pleno emprego. .
Note-se que o Japão, com a sua enorme dívida e os seus muito enormes défices desconhece a inflação e o incumprimento.
24. chris06
Ah, mas eu não disse que não se devem fazer défices públicos ou que estes levarão à inflação, conheço bem a MMT, disse sim que tanto quanto se arrasta a situação actual, como no Japão, isto não vai relançar a economia…
25. Bruno L.
Caro Olivier
O Olivier pretende que: “em vez disso, a operação elementar de criação de moeda pelo Banco Central é uma operação onde ele se empobrece , porque ele emite reconhecimento de dívida sobre o seu próprio património !”
Gostaria que me explicasse em que é o Banco Central se torna mais pobre, emitindo bilhetes para comprar (ou financiar) uma operação repo dum banco- venda de títulos com a obrigação de compra depois.
O Banco central simplesmente promete reembolsar notas …contra notas .
Se há demasiada moeda em circulação , pode ser o Estado que se empobrece ( uma vez que a moeda perde valor, vai valer menos) mas certamente não o Banco Central.
O Olivier diz que se corre o risco de perder parte do seu património. Neste caso o que é isto?
O que me leva à seguinte questão: será que um Banco Central pode ficar insolvente (se, pelo menos, se permanece dentro de sua própria zona monetária) e ou em falência?
26. Keltoum
A concessão de um crédito sob a forma de um empréstimo concedido por um banco comercial ao seu cliente leva a um aumento da massa monetária de igual montante.
Em contrapartida do crédito concedido o banco credita a conta do beneficiário que dispõe então de moeda escritural por um simples conjunto de registos contabilísticos. O crédito acordado faz aparecer sobre a sua própria conta uma quantia que anteriormente não existia (diz-se que a moeda é criada “ex nihilo”, – ou seja do nada). O beneficiário do crédito poderá então utilizar esta moeda, seja levantando o dinheiro em notas banco central ou através dos instrumentos da moeda escritural (cheque, cartão de crédito,…).
Inversamente, a operação do reembolso do crédito pelo agente económico não financeiro traduz-se numa destruição de moeda.
As operações que para os bancos consistem em comprar divisas contra euros aos agentes económicos também criam moeda escritural.
Por exemplo, uma empresa francesa que exporta mercadorias para um país não pertencente à zona euro irá receber a contrapartida das suas vendas em divisas: se a exportação é, por exemplo, para os Estados Unidos, a nossa empresa exportadora receberá dólares americanos. Esta empresa trará então trocar estes dólares por euros.
O banco vai comprar as divisas e em troca, creditará a conta da empresa no valor correspondente em euros. Através desta operação, o banco terá criado dinheiro. Por outro lado, uma empresa importadora que compra moeda estrangeira ao banco para pagar as suas importações contribui para a destruição de moeda escritural.
Se generalizarmos ao nível de uma economia, haverá criação líquida de moeda e, portanto, aumento da oferta de moeda quando as operações sobre o estrangeiro são excedentárias. Por outro lado, um défice externo envolverá uma saída líquida de moeda e, portanto, uma redução da massa monetária.
27. Nicolas
Não compreendo porque é que um banco não pode ter conta “em banco”. Esta conta não apareceria no passivo (como as contas dos clientes: depósito à vista no lado do passivo e crédito para com o cliente pelo lado do activo ) mas no activo e faria simplesmente parte da rubrica “tesouraria” . O banco não teria, portanto, nenhuma dívida “para consigo mesmo” mas só moeda escritural no activo.
Assim, aquando de um cliente do banco A colocado no banco B, simplesmente deduzir-se-ia o montante do cheque da rúbrica Tesouraria e da rúbrica depósito à vista para os adicionar nas mesmas posições no banco B.