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EDITORIAL – O CONVIDADO DE MARCELO

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Mario Draghi, convidado por Marcelo Rebelo de Sousa, actual presidente da república portuguesa, para estar presente na primeira reunião de Conselho de Estado do seu mandato, com o objectivo de “informar sobre a actual situação económica e financeira”, veio e, perante quase todos os elementos que integram o Conselho, o primeiro-ministro e o governador do Banco de Portugal fez declarações sobre as quais podem ler resumos nos links abaixo. São particularmente relevantes as referências que fez sobre não haver justificação (acha ele) para anular reformas anteriores, o Orçamento de Estado (OE) para 2016 não ter revelado um incumprimento particularmente grave do Plano de Estabilidade e Crescimento, e mostrou contentamento por o actual governo prever reformas adicionais ao OE. São relevantes porque  denotam a vontade de continuar a influenciar a governação portuguesa e a vida do país, no mesmo sentido que o tem feito anteriormente.

Ninguém minimamente informado pode ficar surpreendido perante essas declarações. Conhecendo o que sido a prática do presidente do Banco Central Europeu (BCE) e as instituições europeias, não seria de esperar outra coisa. E com certeza que era o que se passava com o nosso presidente da república. Terá ele querido pôr os dirigentes políticos portugueses perante essa persistência de quem manda nas chamadas políticas de austeridade? Talvez os tenha querido influenciar sim. Mas sobretudo terá querido influenciar a opinião pública portuguesa. Vamos mais longe: terá querido mostrar aos portugueses que são “eles” quem manda. Os “eles” antigamente eram o Salazar, o Caetano e o Tomás. Agora são o Draghi, a Merkel, o Juncker, etc. O BCE tem meios para suspender a vida económica de um país num prazo de horas. Terá Marcelo Rebelo de Sousa pretendido mostrar quem realmente é responsável, nesta União (mal unida, realmente) Europeia, supostamente a caminho de integração, pelos nossos problemas? Quando nos manifestamos contra cortes em pensões e salários, ou contra despedimentos, estamos a protestar contra quem? Será isto?

Não nos parece ter sido feliz esta visita da “ilustre” figura. Para os governantes portugueses, pelo menos para os que têm alguma dignidade e patriotismo, fica no mínimo alguma dúvida sobre o que anda a fazer e o espaço de manobra que tem. Para os portugueses em geral, não terá contribuído em nada para terem um pouco de mais certezas e descanso na sua vida. Disso é que precisam, não de visitas de senhores que querem apenas despedimentos, cortes de salários e pensões, e falam vagamente em investimentos que se sabe que nunca virão.

https://www.noticiasaominuto.com/economia/568041/eis-o-que-mario-draghi-disse-na-reuniao-do-conselho-de-estado

https://www.publico.pt/politica/noticia/mario-draghi-afirma-que-nao-se-justifica-anular-reformas-anteriores-1728418

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