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CONTOS & CRÓNICAS – «As Dobras Do Tempo (Ou o Passado Que Não Quer Passar)» – por Carlos Reni da Silva Melo

contos2 (2)A vida tem uma força insuspeitada e, quando parece estar num impasse, encontra caminhos improváveis para se manter. Análises que agitam fantasmas do passado e os coloquem como inevitáveis referenciais para o futuro, são, por vezes, tentativas para evitar a interrupção do futuro, do improvável e sempre surpreendente futuro.

Um dos problemas da humanidade é a preocupação desenfreada com o futuro. As pessoas já não vivem em paz, temendo que algo de ruim lhes aconteçam. Temos dificuldades em dominar nossas mentes e viver o presente e não o passado ou o futuro.

A Física Quântica nos mostra que o mundo não é a coisa rígida e imutável que parece ser. Ao invés disso, é um lugar que esta fluindo continuamente, construído através de nossos pensamentos individuais e coletivos. Nossa dificuldade é não viver um dia por vez, mas viver a sobra de ontem e o empréstimo do amanhã.

O pensamento é que coloca tudo junto e une este campo de energia em constante mudança, criando a “realidade” que estamos vivenciando. Normamente, não são as situações ou as circunstancias presentes que levam as pessoas a cometerem atos de desespero. Não são os problemas de hoje que aniquilam a nossa coragem, mas, frequentemente , é o remorso do passado e o medo do futuro.

Um presente desamado, marcado por sentimento de perda ou por outras tantas invariantes, num processo escritural que privilegia a longa melodia da memória, muitas vezes nostálgica, acarreta uma ferida insanável, atualizando os elementos referencias no presente, como a perpassar por entre as dobras do poema.

Todas as nossas interpretações são baseadas unicamente no “mapa interno” da realidade que temos e não na verdade real, já que ele é resultado de experiências coletivas de nossa vida pessoal.

É dado a nós um dia por semana. Todos podemos enfrentar as batalhas de um dia. Todos podem levar os fardos de um dia. Todos podem resistir à tentação de um dia. Todos os desconfortos que sofremos é quando acrescentamos aos de hoje, os fardos daquelas duas eternidades, ou seja, ontem e o amanha, que entramos em desespero, os dois dias da semana que não precisamos nos preocupar. O primeiro, o ontem, com suas dificuldades, seus erros, suas dores, seus equívocos, passaram e não voltam mais. O segundo dia, o amanha, o outro dia com o qual deveríamos nos preocupar, com seus temores, com os seus encargos, com seus obstáculos, promessas, alegrias e pesares está tão fora do nosso alcance quanto o ontem.

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