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EDITORIAL – DEPOIS DO BREXIT, JEREMY CORBYN REFORÇA A SUA POSIÇÃO

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Ontem, 24 de Setembro, Jeremy Corbyn foi reeleito como líder do partido trabalhista britânico, com uma maioria reforçada em relação à sua primeira eleição ocorrida há um ano. De notar que entretanto teve de fazer frente a uma forte oposição dos membros do parlamento eleitos pelo partido, que inclusive em Junho de 2016 aprovaram por larga maioria um voto de desconfiança contra ele, por ter demitido Hillary Benn, ministro dos negócios estrangeiros do gabinete sombra, e que estaria a manobrar para o derrubar. O resultado desta eleição demonstra como é grande o fosso entre a representação parlamentar do partido e as suas bases.

O partido trabalhista britânico há muito que se vinha afastando das políticas declaradamente de esquerda, e tendendo para o centro, para não dizer que vinha adoptando posições de que os partidos de direita não desdenhariam. Isso tornou-se evidente com Tony Blair. Não será excessivo repetir mais uma vez que esta deriva não se deu unicamente no Reino Unido, pelo contrário tem ocorrido um pouco por toda a Europa, e não só. Não é difícil detectar fenómenos semelhantes no Brasil,  e noutros países da América do Sul e de outros continentes. E deve-se notar que a partir da irrupção do neoliberalismo, na década de 1970, com Ronald Reagan e Margaret Thatcher, se agravou a deriva para a direita dos partidos ligados à II internacional, ou com percursos próximos, mas também é preciso notar que já se tinha iniciado muito antes.

Sem querer enveredar por análises históricas complexas, permitimo-nos dizer que será de todo o interesse acompanhar a evolução futura do partido trabalhista britânico em si e do Reino Unido em geral. Será preciso ter presente que entre a reeleição de Jeremy Corbyn e o resultado do referendo de 23 de Junho poderá haver alguma relação, mas por vias muito indirectas, se nos é permitida a imagem. Corbyn foi contra o Brexit, o que não obstou a que os parlamentares do seu partido na sua maioria o criticassem fortemente. Mas eles também, maioritariamente, eram contra o Brexit. Como explicar? E, a propósito, quando é que o governo britânico vai invocar o artigo 50 do tratado de Lisboa?

https://www.theguardian.com/commentisfree/2016/sep/25/labour-two-sides-bridge-divide-jeremy-corbyn-left-right-principles

https://www.theguardian.com/commentisfree/2016/sep/25/labour-two-sides-bridge-divide-jeremy-corbyn-left-right-principles

 

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