
O ano que finda trouxe muitos acontecimentos relevantes, de modo positivo e negativo, em todos os sectores. Na política, na economia, nas artes, no desporto. Será oportuno hoje falarmos da música, uma arte tão importante para a vida das pessoas, incluindo para os que nada percebem dela (e que são a grande maioria). As artes são todas importantes, mas não será exagerado dizer que a música tem um grande presença no dia a dia, muito acrescida com o progresso das tecnologias.
Em 2016, no campo da música houve boas e más notícias. Neste editorial, nunca poderíamos ser exaustivos, mas ressalta como boa notícia o prémio Nobel de Literatura atribuído a Bob Dylan. Muita gente manifestou o seu apoio e outros, julgamos que menos, não concordaram. Nós julgamos que foi merecido. Mais cantautores mereceriam também ser considerados, como Chico Buarque, José Afonso, e outros. Mas o norte-americano recebeu o apoio de uma grande maioria. E a maior discussão foi à volta de se um cantautor deveria ou não ser candidato ao prémio Nobel da Literatura. Discussão que em nossa opinião não tem razão de ser. A letra de uma música deve sem dúvida ser classificada como literatura.
As más notícias foram as mortes de David Bowie, Prince, Leonard Cohen e George Michael, esta última ocorrida ontem, conforme informámos. Todos eles foram músicos de grande audiência e significado, e cada um deles deixou um rasto nítido atrás de si. Hoje pedimos a vossa atenção em particular para o caso de George Michael, um caso muito particular, que combinou um enorme talento com uma espontaneidade e uma sinceridade sem par. Procurou fazer uma carreira sem estar sujeito ao controlo das grandes marcas, o que lhe custou dificuldades para conseguir fazer chegar a sua música ao público e, sobretudo, lutou não só pelos seus direitos e afirmação individuais, mas também pelos dos que partilham as suas opções e problemáticas e pelas classes trabalhadoras em geral. Cliquem no primeiro link abaixo e poderão ler referências ao que Jeremy Corbyn, líder do partido trabalhista, Sadiq Khan, mayor de Londres, a primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon e outras personalidades disseram, lamentando a morte deste londrino, filho de um imigrante cipriota. Depois poderão ouvir os WHAM apresentarem o WHAM RAP, sobre a vida de um jovem desempregado, apresentado em 1982, sob o governo de Margaret Thatcher, e lerem o que a Wikipedia nos diz sobre este trabalho de George Michael e Andrew Ridgeley e o seu sentido político. Por último, poderão ouvir um dos últimos trabalhos de George Michael, que está acessível no seu “sítio” oficial.
http://www.mirror.co.uk/news/uk-news/george-michael-dead-jeremy-corbyn-9514811
https://en.wikipedia.org/wiki/Wham_Rap!_(Enjoy_What_You_Do)

