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EDITORIAL: Jornalismo – profissão indefinida?

Imagem2Está a decorrer em Lisboa o IV Congresso dos Jornalistas Portugueses, sob a presidência de Maria Flor Pedroso. O III ocorreu há 19 anos e o quadro da profissão apresenta-se hoje, em termos estatísticos, mais positivo. Segundo João Miranda, docente da Universidade de Coimbra, quase 60% dos jornalistas são formados em Comunicação Social ou Jornalismo, embora a especialização obrigatória na área não seja consensual entre os profissionais do sector, mas vá ganhando força entre os mais jovens, quase todos providos de diploma universitário Estas são algumas das conclusões de inquérito levado a cabo  pelo Professor João Miranda. Mas o optimismo esmorece quando se passa da ilusão estatística para a realidade.

 

Basta abrir um jornal ou ligar um televisor para se perceber que ou os cursos são deficientes ou o QI dos candidatos à profissão baixou. É inacreditável que, após ter feito uma entrevista a uma qualquer personalidade portuguesa, mesmo que as respostas tenham sido claras e bem formuladas, repetem, como quem traduz do abexim, às vezes em linguagem confusa o que o entrevistado disse de maneira correcta.

O recurso a modismos, a brasileirismos e a lugares, comuns é aflitivo. Há expressões que quase todos usam – por exemplo, a palavra viral, tornou-se …vira Mas nem só os recém licenciados apresentam deficiências – temos aqui referido por diversas vezes o caso de José Rodrigues dos Santos, professor de Comunicação e Jornalismo na Universidade Nova, que arrogantemente e apesar de  se chamar a atenção para calinadas (como substituir a expressão «tem a ver» por «tem a haver»), continua a preferir a versão contabilística.

Por certo que o código deontológico será invocado, mas como pode um jornalista respeitar regras que colidem frontalmente com os interesses dominantes. Talvez os nomes conhecidos possam gozar da liberdade de dizer o que entendem como correcto. Os jovens recém-licenciados ou não ou fazem o que lhes dizem ou…

É com curiosidade que aguardamos o estudo de João Miranda, apresentado hoje ao Congresso –  “Retratos de uma profissão indefinida. Resultando de um inquérito aos jornalistas. O estudo de João Miranda surge no âmbito de uma tese de doutoramento sobre a autorregulação profissional do jornalismo. Desenvolvido em 2015, foi respondido por 806 profissionais de todo o país. Além da especialização no setor, aborda ainda a precariedade do jornalismo português, os baixos salários e o abandono precoce da profissão. Um docente do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, entende não se dever exigir uma formação superior no jornalismo. “Ficamos todos a ganhar enquanto sociedade se mantivermos este modelo de profissão aberta. Precisamente para que as redações tenham jornalistas provenientes de várias áreas que podem enriquecer a leitura e a percepção dos acontecimentos”, aponta o docente

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