CARTA DE BRAGA – “de armas e micróbios” por António Oliveira
clara castilho
Há duas coisas que, nestes dias ‘covidados’, me chamam a atenção – as faltas e gastos na Saúde, aparentemente não programados e os gastos permanentemente divulgados e assumidos em ‘material’ militar.
Os primeiros, que devem ser do conhecimento público como também será o sacrifício exigido a quem trabalha no Serviço Nacional de Saúde, deram origem a manifestações públicas (palmas a sair das varandas e janelas de casas e apartamentos por esse país fora) com muito mais valor que os baixos ou precários vencimentos que a maioria dos seus trabalhadores aufere.
Aliás isto só vem a confirmar o que a Organização Mundial de Saúde, tem divulgado, mais de 35% das despesas de saúde em todo o mundo, são pagas pelas próprias pessoas que precisam de cuidados e, salienta a OMS, tal gasto leva em média, cerca de 100 milhões de pessoas para condições de extrema pobreza, cada ano que passa.
Os gastos com a saúde aumentam mais rapidamente do que a economia global, muito mais ‘em países de baixo ou médio rendimentos, onde o tipo de gastos cresce em média 6% ao ano. Nos países mais ricos, a média é de 4%’.
Estes números foram divulgados pela ‘ONU News’ já em 2019, mas nada foi feito para os minorar, antes pelo contrário, quando trump deu cabo do chamado ‘Obama Care’, feito para os milhões de americanos que não podem pagar os seguros de saúde, sem os quais não há tratamentos por aqueles lados.
Simultaneamente (encontram-se estes números em muitos sites da net), os gastos com armas aumentaram 2,6 % em 2018, para um bilião e 800 milhões de dólares, qualquer coisa como um bilião e 600 mil milhões num único ano.
E de acordo com o Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI) os EUA lideram o grupo ‘selecto’ de mais quatro países, China, Arábia Saudita, Índia e França. O conjunto destes cinco países perfaz 60% da despesa a nível mundial.
No seu relatório anual, o instituto sueco indica que aquele valor foi o mais alto desde 1988, o ano em começaram a ser publicados os levantamentos, quando a Guerra Fria também já começava a arrefecer.
E não vemos nunca, um dos seus pindéricos lideres, portadores de penteados mais ou menos rapados, oxigenados ou desalinhados, sem abrilhantar desfiles, procissões de milhares duramente treinados para não falhar um passo, atrás e em volta de andores com teleguiados.
Tantos untuosos lideres e apaniguados, tantos milhões de dólares de ‘sucata a breve prazo’ e tantos milhões de pessoas já ‘sucata da humanidade’ derrotados por um minúsculo micróbio, que obriga todos a saudarem-se à cotovelada!
No seu trabalho ‘História e Utopia’ garante Cioran ‘Paradoxo trágico da liberdade: os medíocres, os únicos que tornam possível o seu exercício, são incapazes de a fazer durar. Devemos tudo à sua insignificância e tudo perdemos através dela. Por isso os medíocres ficam sempre abaixo da sua missão’.
Por isso, diz Manuel Castells, ‘É um mundo brutal, mundo da lei do mais forte, onde tecnologia serve para nos vigiar, roubar dados e vendê-los. Um mundo de instituições sem credibilidade, mas sem ter qualquer importância para os governantes’.
António M. Oliveira
Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor