Sr. Presidente da Ordem dos Engenheiros
Quando há tempos enviei um texto sobre a oposição à energia nuclear no mundo para publicação no Ingenium, foi-me respondido que poderia ser publicado num próximo nº da revista.
Ora, entretanto, já saiu um novo nº e não se verificou a publicação daquele texto, nem me foi dada qualquer explicação para o facto.
Mais uma vez chamo a atenção que as publicações da Ordem têm de ser plurais e não podem ser exclusivas de alguns. Além disso, a Ordem dos Engenheiros não pode ser veículo de interesses particulares, como é o caso dos que defendem, ignorando a realidade dos últimos 50 anos, a solução nuclear.
Reenvio o texto referido.
Saudações,
António Mota Redol
(Sócio nº 30.448)
A CONTESTAÇÃO AO NUCLEAR CIVIL NOS EUA E O COLAPSO DA SUA INDÚSTRIA NUCLEAR
O Eng. Pedro Sampaio Nunes e o Eng. Bruno Soares Gonçalves, apresentaram várias deturpações da história da energia nuclear na revista Ingenium nº 179 de Jan./Fev./Mar. de 2023 da Ordem dos Engenheiros, no artigo intitulado “Nuclear – A melhor opção para o ambiente, segurança e competitividade do país”.
Entre elas, produz-se a seguinte afirmação: «O acidente de Three Mile Island e a atividade dos lobbies ligados a outras formas de energia, com o apoio do bloco soviético, travou o desenvolvimento de novos reactores globalmente». Se é verdade que o acidente de Three Mile Island, em 1979, teve influência na condução da política de construção de reactores nucleares nos países democráticos, em particular nos EUA, é inteiramente falso que o «bloco soviético» tivesse tido influência na travagem dos programas, bem como ignora as origens profundas da oposição à energia nuclear e do seu colapso nos países mais desenvolvidos. Esta oposição teve origem na perigosidade desta forma de energia e na estreita ligação nuclear civil/nuclear militar.
Num texto mais longo fazemos o historial da oposição à energia nuclear nos EUA, França, Alemanha, Espanha e Portugal. Aqui, tratamos, apenas, o caso dos EUA, dando particular atenção aos anos anteriores à decisão governamental do Governo PS/PSD de Mário Soares de adiar sine-die a instalação de grupos nucleares em Portugal (1984/1985).
As primeiras reacções
Assim, quase desde o início do programa nuclear civil verificaram-se reacções adversas.
A opinião pública estadounidense tinha sido alertada para os incidentes em várias instalações nucleares: Chalk River em 1952, EBR1 em 1956, SL-1 e Idaho Falls em 1961 e reactor Fermi em 1966[1]. E o muito grave acidente de Windscale em 1957, no Reino Unido, onde um incêndio provocou a libertação de produtos radioactivos, de que resultou algum tempo depois uma maior incidência de cancros na zona. De tal forma, que a designação da instalação foi alterada para Sellafield.
Em 1961, a Pacific Gas and Electric Company tentou iniciar a construção de uma central em Bodega Head, São Francisco, uma zona turística, mas, devido à oposição da população rural local e do Sierra Club, então a principal organização ecológica estadounidense, o projecto foi abandonado.
Em 1963, a Consolidated Edison pretendia construir uma central em Nova Iorque, em frente do edifício da ONU, a qual não foi por diante.
Em 1964, a mesma Pacific Gas and Electric Company pretendia construir uma central em Malibu Beach, uma zona sísmica.
Em 1967, vieram à luz do dia casos de cancro pulmonar nas minas de urânio.
Em 1968, verificara-se a contestação da população e da Cornell University à central de Bell Station no Estado de Nova Iorque, devido ao previsível aquecimento do Lago Cayuga. Também a uma central no Rio Hudson[2].
Em 1968 e 1971, foram publicados livros de Sheldon Novick e Richard Curtis sobre o perigo das radiações. Outros livros defenderam a opção nuclear.
A polémica a propósito da implantação da central de Monticello levou a autoridade licenciadora e fiscalizadora (a Nuclear Regulatory Comission – NRC) a aprovar regras mais apertadas. Um artigo de Ernest Sternglass na revista Esquire sobre o aumento da mortalidade infantil no Norte do Estado de Nova Iorque a partir de 1953, foi contestado pela Atomic Energy Comission (AEC), mas teve impacte na opinião pública. Idênticas afirmações foram realizadas quanto a mortalidade infantil nas vizinhanças das centrais de Peach Bottom, Humblot Bay, Shipping Port e Big Rock Point[3].
AEC decidiu, então, realizar acções de “esclarecimento” da população, o que deixou esta ainda mais desconfiada. No entanto, em 1957, a AEC tinha publicado um estudo (o Wash-740) em que se afirmava que centenas de pessoas morreriam no caso de um acidente grave e os prejuízos materiais seriam muito elevados, embora a probabilidade de tal acidente fosse pequeníssima. Esta última afirmação seria mais tarde reforçada na sequência do célebre Relatório Rasmussen (1974) – uma “bíblia” para os nuclearistas – o qual fazia uma análise de acidentes em várias sectores de actividade, concluindo pela pequeníssima probabilidade do acidente mais grave, a fusão do núcleo de um reactor nuclear.
Os anos 70
O ano de 1970, foi um ano especialmente importante na contestação ao nuclear. Em 1969, tinha sido fundada por cientistas e estudantes do Massachusetts Institute of Technology (MIT) a organização Union of Concerned Scientists, a qual, com informação técnica, foi desfazendo parte da argumentação da AEC, sendo a NRC obrigada a emitir regulamentação mais severa.
Nos anos 70, também se tornaram notadas as posições anti-nucleares de organizações feministas.
Em 1974, a AEC deu lugar à Energy Research and Development Administration (ERDA), o que foi interpretado na época pelos grupos ambientalistas pela necessidade de substituir a AEC, um tanto “queimada” por falta de isenção. A NRC também não primava pela transparência, escondendo muita informação negativa, incidentes e, particularmente, fugas de radioactividade.
Em anexo a um texto intitulado “A ‘Crise da Energia e a defesa do meio ambiente”, publicado com o pseudónimo de Carlos Floriano pelo autor do presente texto no jornal Notícias da Amadora de 9 de Fevereiro de 1974, inseriu o mesmo autor um texto em que noticiava: «Fazendeiros de Brookfield têm tentado opor-se à construção dum lago de arrefecimento de água que circulará por reactores nucleares duma central a instalar naquela região. O lago ocupará 6.860 acres, pensando a Comissão de Energia Atómica (Atomic Energy Comission) americana que o terreno ocupado poderá vir a ser recuperado para a agricultura quando a central chegar ao fim do seu tempo de vida, mas que o lago modificará o ambiente da região, provocando nevoeiro e gelo. A água de arrefecimento dos reactores com partículas sólidas em suspensão e com produtos químicos dissolvidos terá um efeito nocivo sobre a qualidade da água do Rio Illinois. O advogado dos fazendeiros tem insistido na instalação de torres de arrefecimento em substituição do lago».
Na mesma ocasião, o mesmo autor publicava outra notícia elucidativa, revelando como os Estados pagariam a maior fatia dos prejuízos dos acidentes nucleares e em que se anunciava que tinha sido promulgada nos EUA a lei Price-Anderson Act, prevendo as indemnizações a pagar às populações em caso de acidente nuclear, contribuindo as empresas privadas com 95 milhões de dólares e o Governo com 465 milhões. Além desta lei que protegia a indústria nuclear dos encargos com os possíveis grandes acidentes, a mesma indústria era beneficiada com grandes subsídios, nomeadamente no domínio da investigação. Ou beneficiando dos resultados da investigação realizada pelos laboratórios e centros de investigação oficiais.
O incêndio em Browns Ferry
Em Março de 1975, deflagrou um incêndio no grupo 1 da central de Browns Ferry, de que era proprietária a Tenesse Valley Authority (TVA). Tinha três reactores do tipo BWR (boiling water reactor) construídos pela General Electric, o primeiro dos quais arrancou em 1974. Para detectar uma fuga de ar, um trabalhador utilizou uma vela, a qual incendiou um cabo eléctrico, fogo que se propagou à restante rede de cabos para condução do reactor. Tal acontecimento foi o mais grave ocorrido numa central nuclear até então, obrigou a uma paragem do reactor durante um ano, e deu azo a uma reacção pública dos meios científicos e da comunicação social, que obrigou a NRC a novas exigências na construção e condução de centrais.
Também em 1975, surgiram vários projectos legislativos destinados a bloquear a construção de centrais, mas tais projectos não foram por diante. Governo e indústria nuclear realizaram grandes campanhas pró-nuclear, nos jornais e na televisão, e muitos sindicatos manifestaram-se favoráveis à construção de centrais: o forte argumento da manutenção dos postos de trabalho!
«As empresas de energia nuclear e as empresas produtoras de electricidade estão a aumentar os fundos que despendem para combater a campanha antinuclear na Califórnia e, embora o presente esforço esteja a ser levado a cabo isoladamente, está a organizar-se progressivamente para participar na luta a nível nacional e estatal, especialmente nos Estados em que as campanhas antinucleares estão a ganhar importância. Em Atlanta, foi apresentado um relatório encomendado pela Westinghouse no qual se estimava que uma campanha nacional pró-nuclear custaria entre 5 e 15 milhões de dólares»[4].
Em 1976, foram realizadas consultas populares nos estados de Arizona, Califórnia, Colorado, Montana, Ohio, Oregon e Washington que tiveram como resultado que uma maioria da população aceitava o nuclear, mas com percentagens de rejeição que variavam entre 29 e 42%.
Como resultado das acções de populações, de cientistas e de técnicos, a NRC foi obrigada a exigir às empresas eléctricas que possuíam centrais nucleares a elaboração de planos de evacuação das populações das localidades próximas das centrais, tendo-se mesmo realizado alguns simulacros e sendo distribuídos comprimidos de iodeto de potássio às populações.
O pico de encomendas em 1976 e a descida a pique com Three Mile Island
E foi precisamente em 1976 que foi atingido o pico de encomendas de grupos nucleares em todo o mundo: 44[5]. Nos anos 90 caíram para 2 ou 3 por ano, nunca mais recuperando.
Em 7 de Abril de 1977, o Presidente Carter anunciou que o reprocessamento e a reciclagem do plutónio seriam adiados indefinidamente. A instalação de Barnwell, na Carolina do Sul, não receberia financiamento federal; o programa estadounidense de reactores reprodutores seria reestruturado, o reactor reprodutor (“breeder”) de Clinch River deixaria de ser financiado; seriam financiados programas de combustíveis nucleares alternativos que não permitissem construir bombas atómicas; mas continuaria o investimento em enriquecimento do urânio, todavia embargando a exportação de equipamento que o permitisse realizar. Esta política recebeu a oposição da indústria nuclear interna e de vários países que apostavam no nuclear, em especial a França e o Reino Unido. Carter foi mesmo acusado de destruir o programa nuclear estadounidense e no mundo.
Quando em Março de 1979, se verificou o grave acidente no grupo 2 da central de Three Mile Island, na Pensilvânia, com grande libertação de produtos radioactivos para o exterior, grande parte da população da cidade que ficava perto, Harrisburg, capital do Estado, fugiu em pânico, quando teve notícia de que algo se passava na central, não confiando nas informações da direcção desta e das autoridades reguladoras, já muito descredibilizadas. Só muito mais tarde veio a público que parte do núcleo do reactor fundira, denunciando a falta de transparência que existia e ainda hoje existe na condução e fiscalização das centrais, com a colaboração das autoridades. A limpeza do grupo só ficou concluída em 1993 e custou, em dinheiro de hoje, 2.000 milhões de dólares.
Curiosamente, uns dias antes deste acidente, estreou-se o filme A Síndroma da China, dirigido por James Bridges, com Jane Fonda, Jack Lemon e Michael Douglas, o qual ficcionava um grave problema numa central nuclear, escondido pela direcção da central e por uma cadeia de televisão alertada para o assunto.
O acidente de Three Mile Island foi o início do “dobre de finados” da indústria nuclear dos EUA.
O número de reactores encomendados nos EUA nos anos 70 já vinha diminuindo drasticamente: 1970 – 14, 1971 – 16, 1972 – 30, 1973 – 35, 1974 – 20, 1975 – 4, 1976 – 3.
No momento do acidente, 129 reactores estavam aprovados, mas apenas 53 foram concluídos. Entre 1975 e 1983, foram cancelados 87 grupos.
Ainda em 1979, em 16 de Julho, verificou-se uma fuga de 90 milhões de galões e 11.000 toneladas de resíduos sólidos que se escaparam da barragem onde eram lançados os resíduos da mina de urânio de Church Rock, contaminando o Puerco River. Era uma zona isolada onde viviam populações índias e o assunto foi abafado. Cinco semanas depois a empresa United Nuclear Corporation voltou a trabalhar.
Cancelamentos e falências
Numerosas empresas cancelaram a encomenda de grupos nucleares, várias abriram falência.
Nas várias empresas que fabricavam reactores (Westinghouse, General Electric, Combustion Engineering, Babcock & Wilcox) foram fechando os respectivos departamentos. Com Chernobyl o golpe foi total. Ficou a Westinghouse Electric Cº que foi adquirida pela Toshiba em 2006, mas que acabou por a encerrar em 2018. Recentemente, parece ter ressuscitado.
De 1970 a 1980, o custo de um grupo nuclear arrefecido a água (PWR ou BWR) com cerca de 1.000 MW, subiu de forma exponencial, tendo passado de US$ 100/kW para cerca de US$ 1.030/kW. Em 1983, chegou a mais de US$ 1.600/kW[6]. Era o resultado das crescentes exigências das entidades reguladoras, como a NCR nos EUA.
«Nos EUA, a oposição à energia nuclear fez que o período necessário para a obtenção de uma licença de construção de um reactor passasse de 8 meses em 1967 para 3,5 anos em 1977»[7].
Por outro lado, os prazos de construção passaram, nestes anos, de 5 a 6 anos para 9 e mais. Houve grupos com 9 anos de atraso. Financeiramente era um desastre.
Um estudo do Department of Energy indicava que de 47 grupos nucleares estudados 36 apresentavam um custo final pelo menos duas vezes superior ao inicialmente previsto e, destes 36, 13 apresentavam um custo pelo menos quatro vezes superior. Todavia, num caso o custo foi multiplicado por dez e em outros dois por 15 vezes.
Em 1981, verificaram-se numerosas manifestações da população contra a construção da central de Diablo Canyon, na Califórnia o que conduziu a cerca de 2.000 detenções pela polícia. Foram seis anos de manifestações e referendos. A central estava a ser construída sobre uma falha sísmica. Em 22 de Setembro de 1981, após 13 anos de construção, o grupo 1 da central recebeu autorização para carregar o combustível. Dias depois as equipas que construíam o grupo 2 detectaram um grave erro de projecto nos dois reactores. Posteriormente foram detectados treze erros de desenho e cálculo. A divulgação do acontecimento teve uma repercussão enorme na confiança da população e das autoridades na indústria nuclear[8]. O primeiro grupo só arrancaria em 1985.
A substituição de geradores de vapor por deficiência de fabrico
Acrescente-se as ocorrências que se verificaram nos reactores nucleares da Westinghouse noa anos 80[9], em que os chamados geradores de vapor (steam generators) começaram a apresentar fissuras nas suas tubagens em aços especiais, com passagem de elementos altamente radioactivos do chamado circuito primário, que traz água e vapor de água a alta temperatura do núcleo do reactor, para o chamado circuito secundário, o qual leva o vapor de água à turbina, onde a energia eléctrica é produzida. Isto é, o vapor que chegava à turbina vinha contaminado com produtos altamente radioactivos. Nos geradores de vapor, normalmente 3 por reactor, realiza-se a permutação do calor entre os dois circuitos. A água com produtos radioactivos acabava por se derramar também no solo do edifício do reactor, atingindo quem lá trabalhava.
A Westinghouse teve de substituir os geradores de vapor em duas ou três dezenas de reactores em vários países. O alerta deu-se na central de Ringhals, na Suécia. Almaraz foi um das “contempladas”. Cada um destes conjuntos de equipamentos, essenciais num reactor, custava cerca de 10% do alto custo de um reactor. Foi um prejuízo enorme para a empresa de equipamento e uma grande quebra de credibilidade para a indústria nuclear, principalmente de uma das suas empresas mais importantes. Sabia-se que as radiações reduziam a resistência dos materiais, neste caso os aços, mesmo especiais, mas era claro que a empresa produtora não soubera produzir os aços adequados. É verdade que nas centrais termoeléctricas clássicas surgiam, por vezes, corrosões das tubagens, mas que não atingiam a dimensão física e económica, nem a gravidade da situação descrita[10].
É impossível ver-se em tudo o que aqui foi escrito o dedo do «bloco soviético», verificando-se muitas acções mesmo depois do desmoronamento daquele «bloco». É difícil de imaginar que tantos cientistas, universitários, populações, autarquias, representantes locais, governadores, instituições oficiais, o Presidente Carter, organizações ambientalistas pudessem ser “agentes” do «bloco soviético».
Também não é possível ver «atividade dos lobbies ligados a outras formas de energia», quando nos anos 70 e 80 as energias renováveis eram uma miragem sem interesse para quaisquer lobbies, muitas das acções surgiram espontaneamente por parte das populações e as organizações ambientalistas envolvidas não se podem comparar aos lobbies dos combustíveis líquidos e gasosos, da energia nuclear, ou outros, esses sim ligados a poderosos interesses económicos.
[1] Virginio Bettini, Contro Il Nucleare – Ecologia e Centrali Nucleari, Milano, Giangiacomo Feltrinelli Editore SpA, 1980, 3ª edição, p. 55. Livro cedido por António Eloy.
[2] Idem, p.55.
[3] Idem p. 58.
[4] Nucleonics Week, 8 de Abril de 1976.
[5] The World Nuclear Industry 2022, p. 57.
[6] António Mota Redol, “Comparação económica nuclear versus carvão na produção de energia eléctrica”, Revista Economia nº3, Vol. IX, Lisboa, Universidade Católica, Outubro de 1985, p. 487.
[7] The Economist, 19 de Março de 1977.
[8] António Mota Redol, “O estranho caso da central de Diablo Canyon – ‘A Síndroma da China’ está longe de ser ficção”, Diário de Lisboa, 29 de Dezembro de 1983.
[9] António Mota Redol (com o pseudónimo de Vicente Marinho), “Grandes dificuldades para a energia nuclear nos EUA”, Diário de Lisboa, 05 de Março de 1984.
[10] António Mota Redol, “Estudo preliminar da taxa de disponibilidade das centrais termoeléctricas de Tapada do Outeiro e Carregado”, Lisboa, Orgão Central de Planeamento da EDP, Julho de 1978.

