Há vezes em que às vezes nos sentimos muito pequeninos, tão inúteis como desnecessários, sem sabermos bem o que diabo andamos por aqui a fazer, para o que servimos e para o que fomos criados.
Muitas dessas vezes coincidem, ou fazem parte da constatação de uma existência de outros seres aparentemente semelhantes aos de nós – que nascem, alimentam-se, respiram, vivem, estão acordados ou dormem e por fim morrem como os outros, como quaisquer de nós – mas no entretanto fazem coisas impossíveis, produzem algo de transcendente.
De tão transcendente que nos obrigam, por momentos que sejam, a ter pensamentos negativos e idiotas como os aqui expostos.
Um antigo amigo meu e completamente beato, explicava que eram indivíduos “tocados por Deus” – teoria que eu refutava de imediato, pois Deus, incrível e absurdamente bom como é, não deixaria ninguém de fora. Era o que faltava!
Não sei do porquê, ou do acaso, ou seja lá o que for. Sei que existem e aqui vai a demonstração de como alguém ultrapassa o possível e interpreta esta complexa e belíssima Toccata e Fuga composta por Bach para órgão, numa inóspita e absurda guitarra de onze cordas – uma camisa de onze varas para qualquer vulgar mortal que conheça e se identifique com as normais seis cordas de uma guitarra.