CARTA DE BRAGA – “de jornalistas e livrarias” por António Oliveira
clara castilho
Li esta manhã no DN, ‘Luís Montenegro prometeu hoje “valorizar a profissão de jornalista” e garantiu “há no mercado livre potencial para todos serem sustentáveis”’.
Exactamente na mesma declaração em que anuncia o fim da publicidade para a RTP e o apoio de 20 milhões ao plano de saída voluntária de 250 trabalhadores, com a modernização de meios humanos e tecnológicos, garantindo a contratação de um jornalista por 1120€, com vínculo sem termo; falta considerar o aluguer do quarto ou do alojamento turístico se o conseguir encontrar, no meio da selva de tróleis com rodas que hoje encharcam as ruas de Lisboa., bem como das cidades onde há delegações da RTP.
‘É preciso não nos desviarmos do ponto: há no mercado livre potencial para todos serem sustentáveis e haver uma comunicação social plural e não demasiado concentrada num ou outro grupo, há mercado publicitário para todos, ou há a necessidade de o Estado actuar no lado da procura, estimulando a sociedade, as pessoas, os jovens, para irem à procura de boa informação, e vamos dar-lhes a capacidade de adquirirem essa capacidade’, disse o senhor que tem o cargo de primeiro ministro.
Por outro lado, e após 82 anos na Baixa do Porto, a Livraria Leitura, chega ao fim! Depois da FNAC, a Rua Santa Catarina perde outro espaço de referência. Pela Leitura passaram Saramago, Aquilino, Cardoso Pires, Virgílio Ferreira, Agustina, Manuel Alegre, Manuel António Pina, Óscar Lopes. Mário Cláudio, Eugénio de Andrade e outros mais, que pela acção do livreiro Ferreira Fernandes, fizeram também daquele canto de Santa Catarina, um ‘sítio’ para quem via os livros como uma arte e fazia da leitura um prazer e o melhor caminho para a cultura.
Livreiros agora desaparecidos ou quase, devidamente substituídos por pessoas que colam os preços na contracapa e os vendem a pedido, mas nunca falam sobre eles, por ser muita areia para a camioneta que conduzem.
Também são inúmeros os jornais que encerraram redacções, por não se verem os tais jovens ‘à procura da boa informação’ como disse o senhor que tem o cargo de primeiro ministro, mas temos os ‘manhas de todas as manhãs’, em papel ou em ecrãs e desistimos de ler e olhar.
Porém não nos incomodemos demasiado – daqui por cem anos estará cá outra gente
António M. Oliveira
Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor