Site icon A Viagem dos Argonautas

Espuma dos dias… a Faixa de Gaza e agora o Líbano — Quem é Hashem Safieddine, o possível sucessor de Nasrallah no Hezbollah. Por Brasil 247

Seleção e tradução de Francisco Tavares

5 min de leitura

Quem é Hashem Safieddine, o possível sucessor de Nasrallah no Hezbollah

Após o assassinato de Hassan Nasrallah por Israel, Safieddine desponta como o principal nome para liderar o grupo libanês

Por Brasil 247

Publicado por em 29 de Setembro de 2024 (original aqui)

 

Militantes do Hezbollah (Foto: ALAA AL-MARJANI/REUTERS)

 

A morte do líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, num ataque aéreo israelita em Beirute, trouxe à tona o nome de Hashem Safieddine como provável sucessor à frente da organização xiita libanesa. O nome de Safieddine já circulava entre especialistas e meios de comunicação como a escolha mais provável para assumir o comando do Hezbollah caso Nasrallah fosse assassinado. A informação foi divulgada por vários meios de comunicação, incluindo a agência Sputnik.

Safieddine, primo materno de Nasrallah, já desempenha um papel estratégico dentro da organização. Nascido em 1964 na cidade de Deir Qanoun En Nahr, no sul do Líbano, ele preside o Conselho Executivo do Hezbollah, responsável por coordenar os assuntos políticos e atividades civis do grupo, que englobam áreas como comunicação, educação, saúde, economia e sindicatos. Além disso, Safieddine também faz parte do Conselho da Jihad, encarregado das operações militares do Hezbollah.

Assim como Nasrallah, Safieddine estudou teologia no Iraque e no Irão, reforçando os seus laços ideológicos e religiosos com a liderança do grupo. O seu regresso ao Líbano em 1994, para assumir o Conselho Executivo, marcou uma etapa importante na sua carreira dentro do Hezbollah, consolidando a sua posição de destaque. O facto de ser reconhecido como descendente direto do Profeta Maomé, o que lhe confere o título honorífico de “sayyed”, também lhe proporciona maior influência dentro das comunidades xiitas.

A morte de Nasrallah, descrita por académicos como um “golpe devastador” para o Hezbollah e a aliança liderada pelo Irão, deve intensificar a violência no Médio Oriente, segundo análises de estudiosos com base em Beirute. Para Safieddine, a continuidade do movimento é uma questão de honra. Numa declaração feita em julho de 2024, ele reiterou: “Na nossa resistência, quando qualquer líder é martirizado, outro toma a bandeira e segue com nova e firme determinação.”

O compromisso de Safieddine com a causa palestiniana é evidente nos seus discursos públicos, como o que fez em outubro de 2023, em Dahiyeh, subúrbio ao sul de Beirute. Na ocasião, ele afirmou: “A nossa história, as nossas armas e os nossos foguetes estão com vocês. Tudo o que temos está com vocês”. Tal postura reflete a visão do Hezbollah em relação ao conflito com Israel, alinhada com a ideologia de resistência que permeia o grupo desde a sua fundação em 1982.

O nome de Safieddine como próximo líder foi ventilado pela primeira vez em 2008, quando, segundo o jornal iraniano Khoursid, o grupo definiu que ele assumiria o comando caso “os sionistas conseguissem assassinar Hassan Nasrallah”. Agora, com a morte de Nasrallah, essa previsão parece estar a concretizar-se.

Além da sua posição estratégica dentro da organização, Safieddine é casado com uma sobrinha do General Qasem Soleimani, ex-comandante da Força Quds iraniana, que foi morto num ataque americano em 2020. Essa ligação com o Irão reforça a continuidade da aliança entre Hezbollah e Teerão, um aspecto crucial para a política regional do Médio Oriente.

Com o passar dos dias e o agravamento das tensões na região, a ascensão de Safieddine ao comando do Hezbollah parece iminente. A comunidade internacional e os observadores políticos agora voltam suas atenções para o próximo capítulo do grupo libanês, que enfrenta uma de suas maiores crises internas após a perda de seu líder mais emblemático.

 

Exit mobile version