Seleção e tradução de Francisco Tavares
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Hezbollah confirma morte de Nasrallah; Netanyahu condenado pelo bombardeamento massivo de Beirute
Publicado por
em 28 de Setembro de 2024 (original aqui)
A última escalada de Israel na sua guerra com o Líbano é uma grave má notícia. Eu tinha começado a redigir este post quando as principais fontes dos media negavam as alegações de Israel de que tinha matado o líder do Hezbollah Hassam Nasrallah. A BBC está agora a informar que o Hezbollah confirmou que ele está morto. Alastair Crooke afirmou que todos os oficiais superiores do Hezbollah, incluindo Nasrallah, treinaram um sucessor, embora o de Nasrallah não fosse conhecido. No programa do juiz Napolitano, na sexta-feira, creio que foi Ray McGovern (que, então, tinha informado relatórios que sugeriam que Nasrallah tinha sobrevivido) que sustentou que qualquer sucessor seria mais de linha-dura.
Até à sua ação de terrorismo da explosão de pagers e walkie-talkies, seguido por uma intensa onda de bombardeamentos aéreos no sul do Líbano e ataques a Beirute, Israel e o Hezbollah estavam envolvidos numa luta olho por olho, com o Hezbollah e Israel a limitarem os seus golpes a áreas específicas de cada país. O Hezbollah tentou observar uma variante da velha normalidade, estendendo o seu alcance para Israel até Haifa e arredores, ainda atingindo somente alvos militares.
Israel ultrapassou todos os limites concebíveis. Continua a fazer explodir edifícios residenciais, com o pretexto de que pretende assassinar a liderança do Hezbollah. É certo que Israel teve alguns êxitos com estes ataques, como o assassinato de Fuad Shukur, Ismail Haniyeh e Ibraim Aqil. No entanto, Israel reivindicou o seu último bombardeamento em Beirute, que fez explodir um bairro inteiro, destruiu a sede do Hezbollah e matou o líder do Hezbollah Hassim Nasrallah. Resta saber se danificou ou destruiu o centro do Hezbollah. Israel inicialmente alegou ter matado Nasrallah, mas ele está vivo. [Atualização: a morte dele foi confirmada]
Este ataque é importante por duas razões. Primeiro, até agora, as tentativas de assassinato de Israel visavam funcionários que estavam acima do solo. Ao dizer que está agora a tentar matar funcionários do Hezbollah em instalações subterrâneas, está a tentar justificar o uso de enormes bombas destruidoras de bunkers em Beirute. Sabemos como essa estratégia funcionou bem com a rede de túneis do Hamas. Segundo todos os relatos, o sistema de túneis do Hezbollah é muito mais extenso e melhor fortificado.
Assim, Israel iniciou agora uma campanha para transformar o Líbano em Gaza:
Ver aqui
Israel usou pelo menos dez bombas de 5.000 libras para matar o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, num bairro civil densamente povoado. Isso é mais de três vezes Hiroshima.
– Lama Al-Arian 28 de Setembro de 2024
Não encontrei um clipe adequado do discurso de Netanyahu no Twitter. No entanto, as partes que eu vi exalavam tanto uma vaidosa auto-estima, chafurdadando numa vitimização auto-criada, ao ponto de serem tão rançosas que a língua inglesa carece de palavras suficientemente fortes para denegri-las.
Em segundo lugar, ao matar Nasrallah, Israel violou outro entendimento tácito, de que a liderança de topo não seria alvo. Agora, se igualando essa escalada, o Hezbollah conseguisse matar um general ou ministro de Israel, ou mesmo o próprio Netanyahu, Israel usaria isso para exigir que os EUA comprometessem forças para defender Israel.
Diz o Guardian:
A aparente tentativa de Israel de assassinar o líder do Hezbollah, Sayyed Hassan Nasrallah, num bombardeamento massivo a uma sede clandestina nos subúrbios do Sul de Beirute, marca a escalada mais alarmante em quase um ano de guerra entre a organização militante xiita e Israel.
Imediatamente após um discurso altamente belicista do primeiro–ministro israelita, Benjamin Netanyahu, na Assembleia Geral da ONU – onde ele parecia ameaçar diretamente o Irão, bem como prometer continuar a “degradar” o Hezbollah – começaram a surgir os primeiros relatos de um ataque maciço.
Em menos de uma hora, jornalistas israelitas com ligações ao establishment de defesa e segurança do país estavam a sugerir que Nasrallah era o alvo e que ele tinha estado na área do quartel-general no momento do bombardeamento.
Que o bombardeamento foi considerado altamente significativo foi rapidamente confirmado por uma série de declarações de Israel – nomeadamente uma imagem mostrando Netanyahu a ordenar o ataque ao telefone do seu quarto de hotel em Nova York….
Durante grande parte dos primeiros meses do conflito com o Hezbollah, que começou em 8 de outubro– um dia após o ataque do Hamas a partir de Gaza – compreendeu-se que Israel não iria assassinar os membros mais antigos do grupo militante. Mas, nos últimos meses, essas “linhas vermelhas” foram cada vez mais eliminadas.
Ver também o artigo de Jessica Corbett, em Common Dreams, “‘Este louco tem de ser detido’: Netanyahu é condenado pelos bombardeamentos massivos em Beirute”.
A autora: Ives Smith, pseudónimo de Susan Webber, é diretora da Aurora Advisors, Inc., detentora do blog Naked Capitalism, um site muito bem classificado e admirado, focado na economia e finanças. Com mais de 25 anos de experiência em finanças, desenvolveu estratégia de banco de investimentos para a McKinsey & Company, desempenhou um papel em aquisições e aquisições alavancadas na Goldman Sachs, e estabeleceu um departamento de fusões e aquisições com sede em Nova York para o Sumitomo Bank. Mais recentemente, fundou a Aurora Advisors Inc., uma empresa de consultoria de gestão sediada em Nova Iorque. As observações abrangentes de Smith sobre o cenário financeiro foram publicadas no Christian Science Monitor, New York Times e Slate. Ela também é autora do ECONned, publicado em 2010, no qual ela “dá a cara pelo papel que economistas e formuladores de políticas tiveram ao possibilitar a ganância e os erros de Wall Street”, segundo o professor de economia da NYU Nouriel Roubini.



