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3 de Maio Em Portugal, 78 mil milhões a meio de um jogo
Nada melhor que o futebol para se poder dirigir ao maior número de telespectadores. Com mais força de razão ainda, quando se trata de uma meia-final da Liga dos campeões entre Barcelona e o Real Madrid. Com a sua intervenção emitida por televisão posicionada na grelha para ser emitida no intervalo do jogo , José Sócrates assegura-se assim, neste dia de 3 de Maio, uma audiência máxima para apresentar o plano de ajuda de 78 mil milhões de euros que Portugal acaba de rubricar com a UE e o FMI. Porque, para o primeiro ministro socialista, o desafio é duplo: preparar a população para novos sacrifícios, mas também limitar a derrota anunciada aquando das eleições legislativas aí já iminentes.
Durante muito tempo, o país ruidosamente recusava solicitar qualquer ajuda externa. Injusto, necessariamente injusto: aqui, não há maquilhagem industrial das contas públicas como na Grécia, não há frenesim no imobiliário alimentado por banqueiros quase em situação de crime como em Irlanda… E as intervenções passadas do FMI, em 1977 assim como 1983, deixaram um profundo sentimento de amargura. Então o país perseguiu a mais pequena despesa supérflua: um plano de rigor, um segundo, um terceiro… Mesmo as auto-estradas ultramodernas foram tornadas caras na sua utilização. Penas perdidas: o défice público atingiu 9,1% do PIB em 2010, a dívida atingiu 93%, e as taxas dos empréstimos portugueses simplesmente dispararam. A falta de um crescimento desesperadamente frouxo desde há uma década. Mesmo o Brasil, o antigo colonizado, teve piedade da sua figura tutelar: em visita a Lisboa, a presidente Dilma Rousseff disse estar pronta para comprar títulos da dívida portuguesa… Mas o quarto plano de austeridade num ano, como foi pretendido por Sr. Sócrates revelou-se fatal. Rejeitado pelo Parlamento a 23 de Março, empurrou o primeiro ministro para a demissão. E a crise política acelerou o inegável: o pedido de apoio à Europa e ao FMI.
A população de toda a maneira foi pouco a pouco resignando-se, deixando convencer‑se que tinha de facto vivido muito acima dos seus meios apesar de um salário mínimo limitado apenas a 485 euros por mês. O país conheceu certamente as suas primeiras greves gerais desde a sua independência em 1974, mas nada de clima quase insurreccional como na Grécia.
A 5 de Junho, no momento de votar, os Portugueses não têm nenhuma alternativa: o futuro programa económico foi estipulado pela UE e pelo FMI, o seu único poder como povo é decidir quem irá aplicar este plano de austeridade. Escolhem então a alternância, levando ao poder o partido de centro direita PSD e o seu líder Pedro Passos Coelho. Mas 41% dos eleitores não voltaram às urnas. Nunca assim nesta jovem democracia.
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