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Soneto a Dinamene, por Luís de Camões

Fui buscar este soneto a Líricas, de Luís de Camões, editora Textos Literários, de 1955. A selecção, o prefácio e as notas são de Rodrigues Lapa, que considera Dinamene um nome poético. Outro soneto, o que começa por “Alma minha gentil, que te partiste…”, um dos mais famosos do poeta, era também dedicado a Dinamene.

Quando de minhas mágoas a comprida

imaginação os olhos me adormece,

em sonhos aquela alma me aparece

que para mim foi sonho nesta vida.

 

Lá nũa soïdade, onde estendida

a vista pelo campo desfalece,

corro para ela; e ela então parece

que mais de mim se alonga, compelida.

 

Brado: ─ Não me fujais, sombra benina!

Ela, os olhos em mim c’um brando pejo,

como quem diz que já não pode ser,

 

Torna a fugir-me. E eu gritando: ─ Dina…,

antes que diga mene, acordo, e vejo

que nem um breve engano posso ter.

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