Um café na Internet
Os pés são tímidos
Escondem-se em meias e calçado
Surgem no banho
Notamos que têm bom ou mau aspecto
Os pés aparecem no Verão
Com unhas vermelhas
Logo os esquecemos
Exclamamos
Ai, os meus pés
Quando alguém os pisa
Quando um sapato os magoa
Quando os sentimos gelados
Para saltar ao pé-coxinho
Contamos com vinte e nove ossos
Em cada pé
Trinta vírgula quarenta e oito centímetros
Mede o pé internacional
O meu português feminino
Autorizado pela Troika
Não ultrapassa os vinte e dois
A autonomia começa nos pés
Ultrapassadas as liteiras
Dispensamos cadeiras de rodas
Botas de sete léguas
Preferindo ir pelo nosso pé
Mesmo com andarilho
Seja onde for
Pouco importa a distância
Sem os nossos pés
Não podemos pedalar
Nem ficar de pé atrás
Nem avançar pé ante pé
Nem esperar de pé firme
Sem eles
Não caímos de pé
(pode ser incómodo)
Não saímos com o pé direito
(pode ser fatal)
Fazemos prodígios com os pés
Vamos num pé e vimos no outro
O que é bom para o ambiente
Pomos os pés à parede
Sem no entanto a sujarmos
Entramos com pezinhos de lã
Observamos a planta
Dos nossos pés
(Florirá?)
Os pés encontram outros pés
Debaixo da mesa
Cobiçando um bom pedaço
Pode alguém lançar-se aos vossos
Antes de pedir a mão
O namorado deseja tocar o pé
(Lembrança da Dama Pé-de-cabra)
Com desprezo dizemos
Que tem patas
Mas a delícia suprema
São os pezinhos de coentrada
Estes de porco
Ouvimos dizer
(Sobretudo em francês)
Sujo como os pés
E pensamos
Os dele
Reconhecemos a inteligência
Dos nossos pés
Raramente o calcanhar de Aquiles
Se situa no pé
Muitos têm pé-de-atleta
Não é agradável
Quando levamos com os pés
Mesmo sadios
Não apreciamos
Trazemos um pé na terra
E o outro na lua
Não nos parece cómodo
Não gostamos de perder o pé
Nem de o torcer
De ficar atados de pés e mãos
De quem traz os seus nas mãos
Incomoda-nos ver os outros em bicos de pés
Embora o tenhamos também feito
(Negamos a pés juntos)
Se a ideia não tem pés nem cabeça
Miramos o proponente da cabeça aos pés
E vice-versa
Nós próprios
Calhando
(Calha mais do que queríamos)
Trocamos os pés pelas mãos
Metemos os ditos para dentro
Todavia há muito evitamos
Fazer o pino
Dar pontapés e cabeçadas
Acusamos os pés
Se nos parecem de chumbo
Se começamos a arrastá-los
A culpa não é deles
Torna-se definitivo
Quando os viramos para a cova
Entrando na terra dos pés juntos
Por isso enquanto é tempo
Somos
(Não centopeias)
Plenamente bípedes
Dedos tornozelos calcanhares
Vai uma caminhada
Vai um pé de dança?
