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A NATO é hoje uma organização terrorista – Augusta Clara

 

 

A vergonha de chacinar uma pessoa em directo, neste caso Muamar Kadafi, o dirigente dum país a quem todos os governantes ocidentais “democratas” ainda há pouco tempo abraçavam e apertavam a mão perante as câmaras da televisão para que o mundo visse como eram amigos,  confirmou a transformação da NATO numa organização terrorista.

 

Por muito que se queira evitar esta terminologia – não é de certeza em vão que tem sido empregue nos últimos dias por bocas insuspeitas – que outra coisa se pode chamar à acção dum bando de selvagens que assassina barbaramente  o dirigente dum país, seja ou não um ditador, perante as câmaras da televisão? Bandos esses, “os revoltosos” que toda a gente sabe terem sido treinados pela NATO.

 

Não querendo os EUA “chegar-se à frente” desta vez, atendendo à fragilidade de que o império vai dando sinais, empurrou os seus aliados  sempre prontos a cumprirem-lhe as ordens. Consumadas que ficaram, Barak Obama apresenta-se para dar a notícia. E é sempre com gáudio que estas notícias são recebidas.

 

  O espectáculo foi o mesmo com  Saddam  Hussein.  E o Iraque, a quem impuseram a “justiça” e a “democracia” à ocidental, é hoje um país devastado, arruinado, com milhares de mortos e estropiados a quem os EUA, os seus aliados e a NATO prestaram um grande favor enforcando-lhe o presidente. Os outros favores foram mais que muitos mas em proveito dos generosos democratas que lhes levaram o inferno para dentro de casa.

 

Não acredito que no 25 de Abril tivesse passado pela cabeça de algum português ver tratar daquela maneira Marcello Caetano, o ditador de então. Até George W. Bush, o mais maléfico dos seres presentes no poder nas últimas décadas, teria que ter direito a um julgamento. Já não se pode ter a certeza é se o seu Estado, o Texas, no caso dum julgamento a sério, o deixaria vivo, mas isso é outra questão.

 

Alguém com um pouco de decência política, de compaixão humana pode assistir em vão às imagens que profissionais da informação filmaram e nos relataram ontem com profunda indiferença, duma forma ligeira e gélida? Quer esses bandos quer estes profissionais que lhes oferecem o espectáculo mais não configuram do que assassinos a soldo…da NATO.

 

 Actualmente, tal como só faltou vermos em directo acontecer com o seu corpo, o corpo da Líbia, à semelhança  do do Iraque, é desmembrado pelas várias companhias multinacionais que integram os accionistas dos grandes grupos financeiros. Embora já dominando maioritariamente o poder mundial, lançaram-se numa guerra sem tréguas para ultrapassarem tudo e todos – povos e órgãos de soberania –  e tomarem as rédeas do que resta. É a estes, aos que já ultrapassaram a face visível – no sentido de ainda lhes podermos divisar os contornos -, que a NATO serve agora. Dantes supostamente protegia o Ocidente contra a ameaça do comunismo. Acabada a ameaça, a indústria do armamento tem que sobreviver e, para isso, é necessário encontrar novos inimigos. Para isso e para roubar o petróleo.

 

Quem viu o magnífico e sério trabalho de John Pilger intitulado “As Guerras Que Você Não Vê”, cujo vídeo aqui apresentámos, nunca mais consegue acreditar no que lhe dizem sobre ditadores e sobre as boas intenções de democratizar os outros. São histórias da carochinha a que só tolos profundos dão crédito hoje em dia.  

A América adquiriu uma grande experiência de democratização dos povos. Começou  pelos índios, infectando-lhes as mantas com o vírus do sarampo. Os meios foram-se sofisticando até chegarem aos golpes de Estado subtilmente arquitectados pelos serviços secretos – no Irão de Mossadegh, no Chile de Allende, etc., etc.. Mas isso foi no tempo em que os políticos ainda comandavam a política. Esse tempo já passou. Agora, bem se esforçam, ou nem tanto, fingem e, enquanto puderem, vão tirando os seus dividendos à custa de tudo e de todos.

 

Que se acautelem os Sarkozy e quejandos porque os tempos vão maus e os aprendizes de feiticeiro, às vezes, não têm muita sorte.

 

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