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Sobre os cães da minha infância, sobre os cães da minha velhice, um olhar depois do G20 – II Parte – por Júlio Marques Mota

(Conclusão)

 

Enfraquecido pela dívida europeia, o corretor MF Global declara-se em falência  deposita o balanço.

 

MF Global, um dos maiores nomes da corretagem nos Estados Unidos, apresentou o seu  pedido de declaração de falência na  segunda-feira a 31 de Outubro, sendo assim o primeiro grande  grupo de Wall Street a ser vítima da crise da dívida europeia.


REUTERS/BRENDAN MCDERMID

 

MF Global, um dos maiores nomes da corretagem nos Estados Unidos, declarou-se em situação de falência  na segunda-feira 31 de Outubro, sendo assim o primeiro grande  grupo de Wall Street a ser vítima da crise da dívida europeia, sobre qual tinha fortemente apostado. O conselho de administração do grupo colocou-se  sob a protecção da lei das falências a fim de “proteger os seus activos “, indica um comunicado da empresa. De acordo com o processo de pedido de declaração de falência  apresentado num tribunal de Nova Iorque , MF Global possuía a 30 de Setembro 41 mil milhões de dólares de activos e 39,7 mil milhões de passivo, o que com efeito faz da MF Global a  oitava mais importante  falência nos Estados Unidos desde 1980.

 

A apresentação do balanço com o  pedido de declaração de falência do grupo, que emprega cerca de 2.870 pessoas, poderia dar origem a  uma onda de choque nos mercados mas as suas consequências não deverão  ser  tão importantes como  o impacto da falência de Lehman Brothers em 2008. De acordo com o processo de pedido de declaração de falência, os mais importante credores de  MF Global  são JPMorgan Chase  e Deutsche Bank. No entanto, sobre os  1,2 mil milhões de dólares de dívidas atribuídas para com  JPMorgan, o banco americano possui realmente apenas 80 milhões e age quanto ao restante deste valor  em nome dos outros estabelecimentos financeiros, afirmou uma fonte no banco.


MF  Global, um dos primeiros corretores em matérias primas e produtos derivados no mundo, estava numa posição muito difícil devido às perdas mais pesadas que previstas  anunciadas na semana passada. Já em más condições  no mercado desde o verão, este  grupo de Nova Iorque  tinha reconhecido nesta ocasião ter uma exposição de 6,3 mil milhões de dólares em  dívida pública europeia, da qual mais da metade da  Itália e mais um milhar de  milhões em  Espanha, dois países na linha de fogo  dos investidores, [especuladores]. De acordo com o Wall Street Journal, os dirigentes de MF Global lançaram  durante o fim de semana uma última tentativa de salvamento negociando com Interactive Brokers Group  que por momentos encararam a hipótese de comprarem os activos do corretor por  cerca de 1 milhar de  milhões de dólares.

  

POSSÍVEL FRAUDE


Estas discussões não conduziram finalmente a coisa nenhuma e, de acordo com o  New York Times, o seu malogro deve-se à descoberta de um buraco de cerca de 700 milhões de dólares nas contas da sociedade de corretagem. O desaparecimento destas centena de milhões de dólares confiados à MF Global  por clientes poderia sugerir que estes fundos foram utilizados de maneira ilícita pela sociedade, admite o jornal  NYT.


O lugar onde estará este “dinheiro não é claro, e certa soma deveria reaparecer  nos próximos dias, o tempo em que o processo de falência progride “, explica o diário americano, citando “várias pessoas “ próximas  do processo. As autoridades bolsistas investigam  para determinar se a sociedade de corretagem utilizou  os fundos dos seus clientes para os seus próprios fins, efectuando colocações na esperança se rapidamente ganhar. Se os factos forem provados, isto constituiria uma infracção a  uma regra de ouro de Wall Street.

 

 MALOGRO PESSOAL


.REUTERS/LUCAS JACKSON


A apresentação do pedido de declaração de falência  de MF Global marca o malogro da estratégia do seu Presidente, Jon Corzine. Antigo co-presidente de Goldman Sachs e governador democrata do Estado do New Jersey de 2006  a 2010, tinha tomado em Março de 2010 as rédeas da sociedade, antiga sucursal do britânico Man Group. O presidente estava  decidido em transformar o corretor num verdadeiro banco de investimento, pronto a lançar-se  em apostas arriscadas nos mercados.

 

“[MF Global] reforçou as actividades de corretagem em nome próprio, que não andavam bem, como se sabe , devido aos activos ligados à zona euro, mas também às aplicações na  energia ou sobre as taxas de juro. A situação não poderia ser pior, confiou na semana passada à AFP um antigo quadro do grupo sob condição  de anonimato. Isto  dura há pouco mais de um ano. Antes, ocupavam-se  apenas em  gerir as posições dos clientes, havia bem menos risco. “

 

O grupo assim investiu mais de 6 mil milhões de dólares na dívida europeia, da qual mais da metade na dívida soberana da Itália, actualmente na linha de mira dos mercados. Antes de fazer  entrar em pânico os  seus accionistas e fazer com que os seus  clientes  fujam, esta posição tinha preocupado os reguladores financeiros americanos, um dos quais,  Finra, pediu  à casa de corretagem para aumentar os seus fundos próprios no mês de Agosto.

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