Bem sabemos que o meu grande amigo Tony Giddens tem falado do caminho do meio ou da Terceira Via: comunista, conservadores e social-democratas ou terceira via na interacção político-social. Terceira via que triunfa na vida social. Uma terceira via que, ao que parece, tem também sucesso na observação do jovem e da criança. Uma terceira via um tanto confusa como resultado da social-democracia. A social-democracia desenvolveu o caminho para a mulher ser chefe do lar e tomar o rol masculino da sedução. Essa que a sua descendência observa. A mãe manda, a mãe trabalha, a mãe define, a mãe fixa as horas e o homem cala. É mandado calar. É atingido pela sua dificuldade de poder acarinhar.
Essa terceira via recém aparecida para a mulher, envia o homem para a segunda via: ver, ouvir e calar. A emotividade doce e belicosa é assunto das mães, essa emotividade que faz cócegas e toma nas suas mãos os afazeres do lar e o cuidado da criança. Especialmente em países marianos, como tenho definido Portugal noutros textos. Países onde não há Redentor, apenas a sua mãe, dentro do mito da Igreja Romana Pontificada por um Polaco primeiro, um Alemão a seguir, esses denominados Papas que definem em palavras proferidas e em palavras escritas, os deveres das mulheres, dos homens e das crianças e a sua interacção, num texto denominado catecismo. Texto ditado pelo Pontífices , o mais recente de 1992, que nos artigos 4 a 5, páginas 471 a 478, diz: o papel dos pais na educação é de tal importância, que é impossível substitui-los, ou antes o Pai das misericórdias quis que a aceitação, por parte da que Ele predestinara para Mãe, precedesse a Encarnação, para que, assim como uma mulher contribui para a morte ainda, também outra mulher contribuísse para a vida . Podemos, pois, concluir que a terceira via da família parece ser a via que a cultura social do grupo anda a espalhar pelos costumes. As mães ficam em primeira fila e os pais, mais atrás.
Porque se o Chefe dos chefes de Governo dos fieis romanos, espalhados pelo mundo Ocidental, manda a mulher ser a salvadora dos homens, estes seres masculinos não têm mais palavra a dizer que não seja o da educação dentro de ideias predefinidas ao longo de séculos e analisados os seus resultados por tantos cientistas, que acaba por existir uma maneira de ser que coloca o masculino na segunda via e o feminino dentro da via moderna ou terceira via. Por outras palavras, e Freud diz, o agir masculino no homem ou na mulher é relegado, enquanto o feminino, também no homem ou na mulher, é salientado ao ponto de fazer desse agir o comportamento de uma rainha que acaba por mandar em todos nós, desde que saiba ser feminina, isto é, amar, acarinhar, mandar, dizer. Saber ouvir e saber dizer. Ideologia cultural difícil para um homem aceitar, contra a qual não protesto apesar de ter passado a ser uma segunda via. Bem pelo contrário, penso que já era tempo de homem e mulher serem iguais, como tenho definido num artigo publicado no jornal em que escrevo. Essa primeira via que, como falei no começo, nunca foi completada, nunca foi acabada .
De homem, tenho o comportamento mas nenhum poder sobre a minha descendência. Posso punir…se a mãe o solicitar; posso dar um sermão, se a mãe o pedir. Sorte a minha de entender, pelo meu trabalho de campo e a observação da juventude do Século XXI, que as palavras da doutrina, embora aceite e até assinada em Concordata por cima da lei positiva do Estado Nação de países aderentes, servem para ouvidos moucos pelo amor existente entre os cônjuges que fizeram a sua descendência no calor da paixão que, docemente, passa a amor e a seguir, a carinho. Que diga Freud, que diga Klein, que diga Ratzinger, porque Wojtila já falou! Eu digo que todos somos homens e mulheres no amor dos nossos descendentes e no deles por nós. Ficam sempre as férias para pensar no assunto. Felizes ideias para pais e filhos de ouvidos moucos, e para os outros também! —
NOTAS
Giddens, Anthony, 2000: The third way and its critics, Polity Press, Cambridge. Sítio de debate:
Comentário relacionado a sociedade das crianças. Esta ideia alternativa da terceira via – nem direita nem esquerda na vida política, passou a centro de debate em todo o mundo. A liderança política na Grã-Bretanha, nos Estados Unidos da América, na Europa, na Ásia e na América Latina afirmam estar a seguir esses princípios. Porém, a noção não só é criticada, como é, por diversas pessoas, considerada oca e sem conteúdo real. Outros, como os críticos da esquerda mais tradicional, afirmam ser uma traição aos ideais anteriores.
Lat. Pontífice s. m., dignitário eclesiástico, ministro do culto de uma religião; por extenso patriarca, bispo, prelado; o papa; fig, chefe de um sistema ou de uma escola; o indivíduo mais respeitável de certas classes.
Catecismo da Igreja Católica. Sítio do livro e debate sobre a sociedade em que vivem os mais novos, com um pensamento estruturado pelos textos e, apesar dos tabus neles definidos, sofrem o mencionado abuso, em:
http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Catecismo+da+Igreja+Cat%C3%B3lica&btnG
=Pesquisar&meta= Iturra, Raúl, 2000: “Mulher a crescer, Machismo a Tremer.
A filiação da criança”, em A Página da Educação, Nº 94, Ano 9, Setembro de 2000, página 25, Profedições, Porto. Texto completo em:
http://www.apagina.pt/arquivo/Artigo.asp?ID=1198
