O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade – 37 – por Raúl Iturra

 

Pelo seu terceiro ano de idade, o pequeno, já na idade de empatia, torna-se capaz de reabituar as representações que havia aprendido das representações do mundo mental da sua mãe, as suas motivações, as suas intenções e as suas crenças: “Ele ainda vai pensar que sou eu quem tem comido o seu chocolate, apesar de ser o seu irmão. Um bebé a crescer dentro de um mundo frio de afectividade, que se desenvolve num mundo frio, está prestes a pôr atenção a toda a afectividade fria que tudo dos outros lhe pode entregar”. Praticamente pensa: “Toda relação afectiva arrefece ao ser humano. No caso inverso, uma criança que se sente amada, pensa-se amável, por causa dele próprio ser amado”. Este impingir na sua memória de afectividades de sobrevivência, pode criar no pequeno uma representação do seu ego confiante e amável, que usa com simpatia ao entrar na interacção social.

 

Esta aprendizagem cria um estilo de vida afectivo durável, que se estende, além do mais, para as relações externas, especialmente nos seus encontros amorosos:” Ao saber o que sou, nem por isso oiço aos que me desprezam, não vale a pena”. O jovem amado na sua infância pode também pensar :” Ao pensar no que eu sou, estou certo que ela vai-me aceitar”. Esta representação do eu com um outro, é “uma construção a dois” da vida social que depende dos encontros e reencontros, mas que pode-se desenvolver, como todo o fenómeno da memória em relação ao apagar ou esquecer, o reforço da mesma ou a metamorfoses das relações .

 

O texto original, em francês, tenho-o guardado tal e qual, para os leitores saberem que traduzir não é apenas uma mudança de palavras, é, antes sim, todo um estilo gramatical a ser alterado.

 

A resiliência passa a ser de uma importância capital para saber e entender o comportamento dos outros. Para, especialmente, entender o Id ou o Isto. Para além de tudo, esse saber das crianças. É a terceira via, para a qual tornamos agora.

 

Essa terceira via é o saber que o contexto social dá à criança, como Giddens tem desenvolvido nos seus textos, especialmente nos por nós citados nas páginas 54 e seguintes.

 

O governo e as várias associações cívicas deviam apostar na educação sexual da nossa população, pois, infelizmente, continuamos a ser recordistas, a nível da União Europeia, de gravidezes adolescentes e da prática de sexo desprotegido. Contudo, o mais confrangedor é saber que, relativamente ao primeiro caso, há gente que pensa que não se engravida na primeira relação sexual, e quanto ao segundo, está a aumentar exponencialmente em todas as faixas etárias o número de seropositivos.

 

Pelo que ficou dito, em nossa opinião, é urgente investir em campanhas de educação sexual a todos os níveis, nomeadamente entre os adolescentes, mais sensíveis aos impulsos da libido e ansiosos por experimentar determinadas fantasias sexuais, mas desconhecendo as suas implicações…Ideias impostas no meu argumento pelo blogue de Maldonado, escrito a 28 de Dezembro de 2008. Durante o dia denominado dos inocentes . Dos Inocentes, pelas mortes causadas por Herodes Antipas, Rei dos Hebreus no Século I da nossa era, ao saber que ia nascer um rei que iria disputar o seu trono. Mandou matar. Quantos? Nem sabemos, mas eram crianças de Belém da Judeia, desde os dois anos de idade para cima. É o que as crianças, as nossas crianças, aprendem enquanto os nossos legisladores tencionam ultrapassar a crise económica que nos habita e não sabem resolver .

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