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agenda cultural de 14 a 20 de Novembro de 2011

 

 

por Rui Oliveira

 

 

   Numa semana pouco fértil em eventos marcantes, escolhamos deliberadamente um polo interessante  (tanto quanto se pode prever…) de actividades diferentes.

 

 

 A Orquestra Apollo’s Fire de Jeannette Sorrell

 

     1. Na Segunda 14 de Novembro, o Ciclo de Música Antiga da Fundação Calouste Gulbenkian traz ao seu Grande Auditório, às 19h, uma das principais orquestras barrocas norte-americanas Apollo’s Fire, criada em 1992 pela premiada cravista e maestrina Jeannette Sorrell. Acompanha-a na sua digressão europeia o contratenor de coloratura francês Philippe Jaroussky, possuidor duma já impressionante discografia desde o Seicento italiano até Johann Christian Bach, passando por Händel e Vivaldi.

   Do programa que vão interpretar constam :

 

Antonio Vivaldi  – Allegro do Concerto Grosso em Ré maior, RV 511 (arr. de J. Sorrell)

Georg Friedrich Händel – Ária: «Agitato da due tempeste» (Oreste)

                                       Recitativo e Ária de Orfeo: «Ho perso il caro bem» (Parnasso in Festa)

Antonio Vivaldi – Concerto para 2 Violoncelos, em Sol menor, RV 531

Georg Friedrich Händel – Ária: «Se potessero i sospir miei» (Imeneo)

                                             Ária: «Con l’ali di costanza» (Ariodante)

                                             Prelúdio em Lá maior, para cravo solo

                                             Chaconne de Terpsichore (Il pastor fido), HWV 8c (1712)

Antonio Vivaldi – Ária: «Se mai senti spirati sul volto» (Catone in Utica)

                               Concerto Grosso La Folia (a partir da Sonata op. 1 nº 12, RV 63 – arr. de J.Sorrell)   

                               Ária: «Vedro con mio diletto» (Giustino)

                               Ária: «Frà le procelle» (Tito Manlio)

 

La Folia de A.Vivaldi pelo Apollo’s Fire em estúdio, 2008 (do programa do concerto)

 

 

Philippe Jaroussky em Frà le procelle da ópera Tito Manlio (do programa do concerto)

 

 

 

    2. Há nesta semana a oportunidade de cotejar dois intérpretes da (já não tão) nova geração de excelentes pianistas portugueses.

 

   Na Terça 15 de Novembro, no Grande Auditório da Fundação Gulbenkian, às 19h, Artur Pizarro, aluno de Sequeira Costa e vencedor do Concurso Vianna da Mota (1987), traz ao público daquela sala a interpretação que recentemente foi objecto de CD (Linn Records, 2010) da peça de Enrique Granados Goyescas (1911), inspirada na pintura de Francisco Goya. Completa à sua actuação, integrada no ciclo Outono Russo, tocando  de Modest Mussorgsky a conhecida peça Quadros de uma Exposição (1874), curiosamente também homenagem à pintura, aqui de Viktor Hartmann. 

 

 

   Já no Sábado 19 de Novembro, no Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém, às 21h, António Rosado, em substituição de Sequeira Costa (impedido), vem celebrar Franz Liszt no bicentenário do seu nascimento. Este pianista, aluno de Aldo Ciccolini e laureado pelas Academias Internacionais Maurice Ravel e Perosi, irá interpretar daquele compositor húngaro :

 

Harmonies du soir (Estudos de Execução Transcendente, S. 139 n.º 11) 

Balada n.º 2, em Si menor, S. 171                 

   I. Allegro moderato

   II. Allegro deciso

   III. Poco a poco animando

   IV. Allegro moderato

Rigoletto: paráfrase de concerto, S. 434       

Les cloches de Genève (Années de pèlerinage: Première Année: Suisse, S. 160 n.º 9)
Valsa da ópera Faust de Gounod, S. 407       

Sonata para piano, em Si menor, S. 178 ( Lento assai – Allegro energico – Grandioso – Recitativo – Andante sostenuto – Quasi adagio –  Allegro energico – Più mosso – Stretta quasi Presto – Presto – Prestissimo – Andante sostenuto – Allegro moderato – Lento assai

 

 

 

   3. De Quinta 17 a Sábado 19 de Novembro, no Teatro do Bairro, à noite, celebra-se o Clean Feed Festival, onde esta importante editora de jazz/música do mundo reune, este ano em Lisboa, alguns dos seus  artistas mais representativos  como Ken Vandermark, RED Trio, Hugo Carvalhais e Sei Miguel na celebração do seu 10º aniversário. Já os espectáculos do Joe Morris Wildlife Quartet na Culturgest se integravam neste festival.

   Teremos assim na Quinta, 17 : às 22h a Sei Miguel Unit Core (Sei Miguel  pocket trumpet, Fala Mariam trombone, Pedro Gomes  guitarra eléctrica, César Burago  percussão) toca com Norberto Lobo guitarra acústica.  

 

 

   Às 23h actua  Ken Vandermark Made to Break (Ken Vandermark  saxofone tenor e clarinete, Tim Daisy bateria, Devin Hoff baixo eléctrico, Christof Kurzmann electrónica).

   Ouçamos um excerto deste artista em 2010 :

 

http://www.kenvandermark.com/admin_tools/audio/FrameQMultiChrome.mp3

 

   Na Sexta 18 actua às 22h a Hugo Carvalhais Nebulosa (Hugo Carvalhais contrabaixo, Gabriel Pinto piano, Mário Costa bateria, Emile Parisien saxofone soprano) e às 23h30 de novo Ken Vandermark Made to Break. 

Nebulosa (excerto) de Hugo Carvalhais

 

 

 

   No Sábado 19, antes de Ken Vandermark Made to Break às 23h30, tocam às 22h o RED Trio, trio português recém-chegado à cena musical (Rodrigo Pinheiro piano, Hernâni Faustino  contrabaixo, Gabriel Ferrandini  bateria) convidando o duo Eitr composto por Pedro Sousa  saxofone tenor e Pedro Lopes  electrónica.

 

 

 

   4. Estreando Quinta 17 de Novembro às 20h30, a companhia Teatro da Cornucópia apresenta no Teatro do Bairro Alto a famosa peça de Jean Genet  A Varanda, um texto traduzido por Armando Silva Carvalho e encenado por Luis Miguel Cintra, com cenário e figurinos de Cristina Reis. Interpretam-na Beatriz Batarda, João Grosso, LuÍs Lima Barreto, Luis Miguel Cintra, Ricardo Aibéo, Rita Durão, entre outros.

 

   Adverte o programa : “ … Ao contrário do que o título poderia levar a crer, tudo nesta peça é fechado em si próprio. Entre imagem e reflexo, e anulado o ser, ou a Verdade. Tudo se passa numa espécie de sistema fechado, como uma grande câmara de espelhos: a Varanda é o nome de um bordel ou casa de ilusões, dirigida por Irma e a sua ajudante Carmen. As prostitutas ajudam a construir fantasias para o prazer dos clientes que imitam ou espelham as relações e as estruturas do Poder: a Igreja, a Justiça, o Exército, a Polícia, mas também a relação patrão/escravo e rico/pobre e as relações amorosas”.

 

   Deixo-vos com uma interpretação recente de La Compagnie du Balcon numa encenação de Apolline Roy et Aurore Stanek… que poderão comparar com a próxima criação de L.M.Cintra.

 

 

 

   5. Numa organização conjunta da Casa da América Latina com o Próximo Futuro, programa de Cultura Contemporânea da Fundação Calouste Gulbenkian, é inaugurada na Quinta 17 de Novembro , às 10h no Palácio Galveias a exposição “Subtil Violência” do fotógrafo peruano Roberto Huarcaya (Lima,1959), com a curadoria de António Pinto Ribeiro.

   A proposta de Huarcaya resulta de um projecto de investigação em torno das representações visuais alusivas à construção da comunidade histórica peruana, partindo de referências locais no sentido de expandir a sua leitura e as suas influências ao nível nacional, regional, continental e, finalmente, global.

   A exposição permanece até 15 de Janeiro.  

           

                              Obras de Roberto Huarcaya como Alessandro Chorrillos, 2009-11 (à direita) 

 

 

    Também numa iniciativa da Casa da América Latina, abriu a 4 de Novembro (e até 29 de Janeiro de 2012) no Museu da Cidade (Pavilhão Preto) a exposição “Frida Kahlo. As suas fotografias” na sua primeira apresentação internacional.

   Preparada pelo Museu Frida Kahlo em 2010, com curadoria de Pablo Ortiz Monasterio, reconhecido fotógrafo e historiador da fotografia no México, a exposição consiste numa selecção de mais de 200 imagens das 6.500 que Frida coleccionou por razões familiares, sentimentais e estéticas, muitas delas utilizadas como instrumento de trabalho e que compõem o acervo da Casa Azul.

   A exposição, além de reflectir a importância da fotografia na vida da pintora, revela de maneira clara os interesses que teve ao longo da vida: a família, o fascínio por Diego Rivera e outros amores, o corpo acidentado e a ciência médica, os amigos e alguns inimigos, a luta política e a arte, os índios e o passado préhispânico, a paixão pelo México e pelos mexicanos.

Divide-se em seis núcleos: Os Pais: Guillermo e Matilde; A Casa Azul; O Corpo Acidentado; Os Amores de Frida; A Fotografia e a Luta Política.

   O valor das imagens como testemunho histórico é inegável, mas também o é pela presença de olhares de outros fotógrafos de renome que a fotografaram e se podem encontrar nesta exposição: Man Ray, Martin Munkácsi, Fritz Henle, Adward Weston, Brassai, Tina Modotti, Pierre Verger, Lola y Manuel Álvarez, entre outros.

 

            

                       

Frida aos 5 anos ; Frida e um dos seus cães (foto Lola Álvares Bravo,1944) ; Diego Rivera no seu atelier ;

Frida Khalo ; Nicholas Muray e Frida na Casa Azul, 1939

 

 

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Cordas sobresselentes

 

 

 

No campo da música erudita

 

 

   A 16 de Novembro, às 16h a Música em S.Roque traz ao Espaço da Santa Casa da Misericórdia os Alunos da Academia de Música de Santa Cecília para tocar Música de Câmara.

 

 

   A 17 de Novembro às 21h e a 18 de Novembro às 19h no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian a Orquestra Gulbenkian dirigida pela maestrina Joana Carneiro irá executar um programa de música contemporânea com a presença  das sopranos finlandesas Anu Komsi e Piia Komsi, constando do programa  designado California Dreaming as seguintes obras :

    Osvaldo Golijov  Sidereus (2010)

    Esa-Pekka Salonen  Wing on Wing (2004)

    John Adams  City Noir (2009)

 

   Ouça-se um excerto desta obra de Adams inspirada na California urbana dos anos 40. Curiosamente foi também neste estado norte-americano que Salonen compôs a sua peça.

 

City Noir de John Adams pela Los Angeles Philarmonia (dir. Gustavo Dudamel)

 

 

   A 18 de Novembro, a Orquestra Metropolitana dará “concertos à hora de almoço” deslocando-se, às 12h, ao Banco Popular para executar de Georg Friederich Händel Música aquática, 1.ª Suite, HWV 348. Às 13h, a Solista da Metropolitana Stéphanie Manzo dará um concerto de harpa no Foyer do Cinema São Jorge.

 

 

   Há, a 19 de Novembro (Sábado), às 18h, nova transmissão da Metropolitan Opera, desta vez uma reposição da excelente produção de Satyagraha de Philip Glass, encenada por Phelim McDermott e dirigida por Dante Anzolini. Com uma pauta minimalista cantada em sânscrito e árias retiradas do Bhagavad Gita, a realização tem uma extravagância deliberadamente teatral com acrobacias e fantoches. Cantam-na Richard Croft (como Gandhi), Rachelle Durkin, Kim Josephson e Alfred Walker, entre outros.    

 

 

   Também a 19 de Novembro, mas às 21h, no Teatro Nacional de São Carlos e no ciclo “Homenagem a Liszt” haverá um Concerto Sinfónico onde a Orquestra Sinfónica Portuguesa (sob a direcção musical de Diego Masson) tocará de António Pinho Vargas Onze Cartas para orquestra sinfónica, 3 narradores (pré-gravados) e electrónica (encomenda do TNSC) e de Gustav Mahler  Sinfonia n.º 5, em Dó sustenido menor.

 

 

   Ainda a 19 de Novembro, às 21h30, na Igreja de São Roque o grupo Ensemble Renascentista Sesquialtera da ESMA (dir. Pedro Sousa Silva) toca, no âmbito da Música em S.Roque, um programa intitulado Pues a Dios humano Vemos música para as matinas de Natal onde constam obras de Estevão Lopes Morago e outras anónimas (Abertura, Falso Bordão, 1º Nocturno e Responsório).

 

Te Deum de Estevão Morago pelo Ensemble Renascentista Seisquialtera

em Setembro 2011 na Igreja de S.Francisco (Porto)

 

 

   A 20 de Novembro, às 17h, a Orquestra Metropolitana e o Coro Lisboa Cantat (direcção musical  João Paulo Santos ) com Carla Simões soprano e João Rodrigues tenor interpretarão na Igreja de S.Vicente de Fora de George Frideric Handel  Música Aquática, 1ª suite, HWV 348 e Ode para o Dia de Santa Cecília, HWV 76.

 

   No Domingo 20 de Novembro, às 17h, o CCB programou um concerto extraordinário, antecipando o previsto para Sexta 25, de Os 3 Pianos, o encontro fecundo dos pianistas Mário Laginha, Pedro Burmester e Bernardo Sassetti cujo programa ainda nesta altura não é conhecido. Admite-se que, face ao sucesso dos três concertos entretanto realizados (após o êxito em 2006 no CCB) na Sala S. Paulo na cidade do mesmo nome, no Brasil, que naquele concerto se incluam peças de autores sul-americanos.

 

Mário Laginha, Pedro Burmester e Bernardo Sassetti tocando Fantasia Kv 385 g (397)

de Wolfgang Amadeus Mozart no CCB (2006)

 

  

No campo da restante música

 

   A 14 de Novembro, às 21h30, o Joe Morris Wildlife Quartet repete a sua actuação de free bop tão específico no Pequeno Auditório da Culturgest.

 

   Também a 14 de Novembro  às 22h30, no Arena Lounge do Casino de Lisboa actua a jóvem cantora Luísa Sobral, vinda da Berklee College of Music (Boston) onde fora nomeada para a Best Jazz Song.

 

   No Cinema São Jorge, a 15 de Novembro, às 21h, Luis Pastor canta o Nobel português José Saramago acompanhado pela Orquestra Metropolitana de Lisboa, sob a direcção do Maestro Leonardo Martínez. 

 

Luis Pastor canta Ergo uma Rosa de José Saramago com a Orquestra da Extremadura

 

 

 

   De 15 a 18 de Novembro, a Temporada Miso Music  de Novembro de teatro electroacústico decorre no Goethe Institut de Portugal (ao Campo dos Mártires da Pátria) com concertos e apresentação de CDs de Nuno Pinto e Miguel Azguime. (ver programa completo em

misomusic@misomusic.com )

 

   De 16 a 20 de Novembro, o ciclo “Rotas e Rituais / A Minha Casa é Tua” traz ao Cinema São Jorge, em dias sucessivos, uma programação que inclui projecções de cinema, concertos e uma instalação. Tendo como mote o “Ano Internacional dos Povos Afrodescendentes” proclamado pela ONU, haverá a projeccção de numerosos documentários e filmes, como «Vozes desde Moçambique», de Susana Guardiola e Françoise Pólo, a curta «Kunta», o documentário «Mionga Ki Ôbo – Mar e Selva», de Ângelo Torres, «Dundo, Memoria Colonial», de Diana Andringa, o filme «Futcêra, A Menina dos Olhos Grandes», de Alexzis Tsafas e Fonseca Soares, e ainda «Xime» de Sana na n´hada, que foi selecção oficial no Festival de Cannes e que é exibido comercialmente pela primeira vez em Portugal.

   Todas as noites, às 21h, vozes africanas convidarão artistas portugueses (Tcheka com Mário Laginha a 17, Nancy Vieira com Camané a 18, Mirri Lobo com Rui Veloso a 19 e Waldemar Bastos com Mingo a 20).

 

    A 18 de Novembro, às 21h30, o Coliseu dos Recreios recebe Áurea e o seu registo pop/soul.

 

   A 19 de Novembro, às 22h, a banda norueguesa Ulver regressa a Portugal para mostrar o experimentalismo do seu último disco War of Roses (2011)

 

   Também a 19 de Novembro, às 23h, na Galeria Zé dos Bois actua o grupo norte-americano Akron/Family tocando o seu último álbum de punk rock, deste ano.

 

   Ainda na GZB, mas a 20 de Novembro, às 22h, um dos mais singulares representantes da canção americana, Phil Elverum, intervem sob o nome de Mount Eerie,  que adoptou em referência à montanha que domina a paisagem da sua morada em Anacortes, no estado de Washington.  

 

Mount Eerie canta Between Two Mysteries do álbum Wind’s Poem (2009)

 

 

 

 

No campo do cinema

 

 

   A 14 de Novembro, às 19h30, no Institut Français du Portugal no âmbito de Mês do Documentário Prix Marcorelles é projectado com legendas em português El Telón de Azúcar (Le Rideau de Sucre), um filme de Camila Guzman (2006).  A película percorre os rastros de uma infância feliz em Cuba e vai ao encontro do presente. Que é feito da geração revolucionária em Cuba que viu logrados os seus ideais? Que é feito dos que ficaram? (entrada livre)  

 

El Telón de Azúcar  de Camilla Guzman (2006), trailer 

 

 

 

   A 16 de Novembro tem início um  Ciclo de Cinema Histórico «Inquietações Europeias» organizado pela linha de investigação Memória & Historiografia do Centro de História da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa com projecção, na Sala 2.13 daquela Faculdade às 18h, de Senso  de Luchino Visconti  – A história da unificação da Itália num drama sentimental e político entre uma mulher italiana e um oficial austríaco.

   Seguem-se La Grande Illusion de Jean Renoir (histórias de prisão, amizade e amor que se cruzam na I Guerra Mundial) no dia 30 de Novembro, às 18h e Nuit et Brouillard de Alain Resnais (símbolos da tragédia do holocausto) no dia 16 de Dezembro, às 16h no Anf.IV.

 

   Até 19 de Novembro está em exibição no Carpe Diem Arte e Pesquisa (ao Bairro Alto) das 13h-19h, Mnemosyne,  filme/instalação de John Akomfrah (Accra,Gana), que este apresenta no âmbito do programa ‘O Barulhamento do Mundo’ e é uma releitura idiossincrática, invulgar e estilizada da história da migração em massa para a Grã-Bretanha no pós guerra. Estruturado como uma fábula alegórica e vagamente inspirado pela ficção científica existencial, o filme, com 45’ de duração, questiona a memória e sugere a possibilidade de infinitas reinterpretações dos acontecimentos históricos através do cruzamento de imagens de arquivo dos EUA e da Grã-Bretanha, com “retratos” contemporâneos de Inglaterra.

Imagem de Mnemosyne de John Akomfrah

 

   A 20 de Novembro às 21h30, no seu Grande Auditório, a Culturgest tem o prazer de se associar ao Cinanima projectando uma selecção de filmes premiados feita pela organização daquele Festival Internacional de Cinema de Animação, este ano na sua 35ª edição em Espinho.

 

   Por último, regista-se a estreia recente de dois filmes que têm recebido boa recepção crítica.

 

   Um é a mais recente realização do norte-americano Gus van Sant, intitulada Irrequietos (ou Restless) de 2011. Diz um crítico (no Ipsilon) “… é um filme cuidadosamente limado de todos os clichés sobre a “morte jovem”, com personagens que, justamente, aceitam esse destino ao mesmo tempo que, muito romanticamente, o vivem como uma espécie de teatro….(e)m “Inquietos” não está em causa outra coisa que não seja a “arte de morrer”… ri-se e chora-se…porque os actores são luminosos e comoventes, e porque o realizador sabe o exacto valor de uma lágrima (ou seja, não a desbarata, nem vende demasiado cara)”.

   Nos principais papéis estão  Henry Hopper (filho de Dennis), Mia Wasikowska – o par central – e Ryo Kase, o fantasma.

 

 

 

   A outra película recém-estreada é Histórias de Shanghai Quem me dera Saber (ou Wish I Knew) (2010) de Jia Zhang Ke que, como relata um crítico, “são mais uma notável peça acrescentada … à sua colecção de retratos da China contemporânea… o olhar de Jia é melancólico, sem ser assertivo nem violento : é um observador desconsolado, razoavelmente perplexo, que sabe que não se trata de uma mera questão de fachadas… o espectador não compreenderá os pormenores todos … porque a riqueza e a complexidade das articulações e ligações que o filme estabelece apelam a um conhecimento profundo da história políitica e cultural da China… mas…não o impedirá de compreender o filme…É rico, é complexo, é belo,…e “pedagógico”, se a palavra ainda fizer algum sentido num contexto de cinema”.

 

            

 

No campo do teatro e da dança

 

   A 16 de Novembro, às 18h30 na Sala 2 da Culturgest, decorre a instalação/performance de Vitor Joaquim a que chamou Filament(o). Diz : ”… O nosso dia a dia está cada vez mais poluído por mensagens rápidas e curtas. O que não é intenso e recortado, não se afirma. A sensação de estar, e sobretudo estar sem tempo, está cada vez mais alheada de nós. Vivemos num mundo povoado de informação e ao mesmo tempo em risco de permanente ignorância. … Filament(o) é um grito silencioso contra este massacre e contra as constantes imposições a que somos submetidos. Temos de devolver o tempo ao tempo…. Filament(o) é a minha resposta face a esta lógica implacável”.

 

   A 17 de Novembro estreia às 21h30, o Teatro da Garagem apresenta no Teatro Taborda O Mundo em que Vivemos, uma criação a partir de peças de Carlos J. Pessoa com Ana Palma, Catarina Mendes, Daniel Cervantes, David Antunes, Fernando Nobre, João Belo, Maria João Vicente, Miguel Cruz, Miguel Mendes, Nuno Nolasco, Nuno Pinheiro, Sérgio Loureiro e Teresa Azevedo Gomes. Explicita o autor : “Os Fazedores de Teatro, e a sua “pobre literatura”, tão rica no contraditório entre o que se escreve, o que se diz e o que se pensa … não falam do que se vê, ou do que não se vê, em cada peça mas do que se vive, do que se está a viver naquele momento que queremos partilhar. O Mundo Em Que Vivemos não é o Mundo que se dá a ver, mas o Mundo que aqui, agora, no momento do Teatro, tornamos nosso”.

 

   Estreou, entretanto a 4 de Novembro no Teatro Meridional (direcção de Miguel Seabra) com sessões às 22h, a peça Flores de Mim , um texto de Abel Neves encenado por Natália Luíza, com interpretação de Elsa Galvão, Rui M Silva, Sara Leitão eTeresa Sobral e música de Rui Rebelo. Diz a sua sinopse que se trata de “… um encontro amoroso que não acontece faz, no entanto, acontecer uma mudança radical nos dias de Catarina. A sala da sua casa é o lugar da lembrança, do encontro que não teve, e aí, entre o que o destino reservou para ela e o que os outros se destinam a querer mudar ainda na sua vida, se joga a sua história, perfumada com o aroma das flores”.

 

 

No campo de debates, conferências e outros confrontos de ideias

 

 

   A 15 de Novembro, a partir das 9h30, no Aud.3 da Fundação Gulbenkian decorre o Observatório de África e da América Latina do programa “Próximo Futuro” onde se poderão ouvir (com entrada livre) as conferências de Luísa Veloso (CIES, IUL) “Das Categorias de Pensamento às Categorias de Conhecimento”, de Magdalena López (CEC, FLUL) “A Melancolia geradora do Fracasso Utópico em Cuba”, de Ana Sécio (FCH/UCP) “África no Imaginário português : Corpo e Identidade na Arte Contemporânea portuguesa”, de António Pinto Ribeiro (PGPF, UCP) “Itinerário Exaltante”, de Fátima Proença (ACEP) “Entre o Entretenimento e a Assistência : ‘Comunicação’ e ‘Ajuda’ como contributos para a fragilização e a dependência” , de Frederico Duarte (FBAUL) “Factor Favela”, de Alexandre Abreu (CEsA, ISEG/UTL) “Migração e Desenvolvimento” e de Sofiane Hadjadj (Éditions Barzakh, Argélia) “Edições Barzakh”.

   Para pormenor do programa ver :

http://www.gulbenkian.pt/index.php?object=160&article_id=3354

 

   A 16 de Novembro, no Aud.2 da mesma Fundação Gulbenkian ouvir-se-ão a partir das 10h em Grandes Lições as vozes de Gustavo H.B. Franco (Brasil) em Índices de felicidade corrente e futura no Brasil : aspectos conceituais e determinantes económicos, de Serge Michailof (França) em Um Planeta descontrolado : de que vale a Ajuda ao Desenvolvimento ?, de Elikia M’Bokolo (Rep.Dem. Congo) em Como será África num futuro próximo ? e de Benjamin Arditi (México) O “becoming-other” da política : o pós-liberalismo e a política viral são o nosso próximo futuro.

 

 

   A 16 de Novembro, no Auditório do ICS das 9h às 18h, o Institut français du Portugal organiza, em parceria com o Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL), o colóquio “Democracia & Redes SociaisOlhares cruzados franco-lusófonos,  um dia de debates sob a forma de mesas-redondas em torno de questões políticas e sociais surgidas do desenvolvimento das redes sociais, no mundo francófono e lusófono.  Nele participarão, entre outros, Dominique Cardon, Sociólogo no Laboratoire des usages de France Télécom R&D, Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales (EHESS) : “La politique par le bas sur Internet”, Patrícia Dias da Silva, Investigadora no Instituto de Ciências Sociais, Universidade de Lisboa: “O papel do vídeo em linha na discussão política na internet”, Thameur Mekki, Blogger tunisino, jornalista independente : “O web social, ferramenta fundadora da cidadania activa : foco sobre a experiência tunisina”, Paula Gil e João Labrincha, Representantes do Movimento 12 de Março (M12M) : “Novos Movimentos Sociais e Democracia”, Pierre Guillou, Fundador da sociedade Ideose et do Journal Elus 2.0 : “Être un élu 2.0 : marketing politique ?”, Francisco Jaime Quesado, Economista: “A sociedade em rede numa democracia aberta”, António Filipe, Deputado PCP: “Observações sobre o impacto dos recursos tecnológicos comunicacionais na actividade política” e Carlos Jalali, Professor de Ciência Política, Universidade de Aveiro: “Everybody Twitter nowadays? As campanhas política na era digital”, cabendo as conclusões do Colóquio a J.Pacheco Pereira, historiador.    

 

   Também a 16 de Novembro, às 18h30, na Biblioteca Nacional há um recital literário promovido pelo Instituto Cervantes intitulado Encontros na Poesia : Poetas Ibéricos hoje, onde participam Margarida Vale de Gato, Filipa Leal, Elena Mendel, Verónica Aranda Casado e Daniel Casado.

  A 16 de Novembro, das 17 às 19h, no Laboratório Chimico do  Museu de História Natural e da Ciência, prossegue o ciclo de palestras Recreações Químicas, onde, celebrando o Ano Internacional da Química, um historiador da ciência, Prof. António Manuel Nunes dos Santos, mostra a história e as estórias dos homens por detrás das descobertas. Nesse dia o tema é  “A Arquitectura do Invisível: Dorothy Hodgkin”.

 

   A 18 de Novembro, às 18h30 na Biblioteca-Museu República e Resistência (espaço Grandella), a primeira conferência do ciclo 90 Anos da Revista “Seara Nova”  intitula-se “O Projecto político e cultural da Seara Nova” pelo Prof. Luis Crespo Andrade (Centro de História da Cultura, FCSH/UNL).

 

 

No campo das exposições de artes plásticas e outras

 

 

   Encerra a 17 de Novembro a exposição Labirintos : Obras da Colecção do CAM (Roads to Whatever) dedicada ao tema Labirintos da Adolescência. Composta por obras da colecção de Centro de Arte Moderna, propõe um espaço alternativo de reflexão, com uma selecção de obras ancorada no imaginário adolescente, com as suas angústias, perturbações e fantasias, mas também ligada às questões da identidade e da sua determinação neurobiológica, cultural e psíquica.

   Inclui obras de artistas como Ana Jotta, João Pedro Vale, Noé Sendas, Nuno Cera, Paula Rego, Sérgio Pombo e Teresa Magalhães, entre outros.

   

                    

                The Vivian Girls as Windmills de Paula Rego (1984)      Sem Título de Teresa Magalhães (1971)

 

   Acaba de ser inaugurada a 12 de Novembro no mesmo CAM da Fundação Calouste Gulbenkian a instalação da artista colombiana Doris Salcedo intitulada Plegaria Muda (que significa Oração Silenciosa) cuja curadoria é de Isabel Carlos.

   Depois de rachar o chão da Tate Modern em Londres, a artista de Bogotá transforma a nave do CAM numa espécie de floresta – cemitério onde cento e sessenta e duas esculturas criam um percurso não linear, ora com clareiras, ora com partes intransponíveis, ora respirando, ora sufocando, mas nunca permitindo a indiferença. Note-se que a exposição de Doris Salcedo, apresentada pela primeira vez em Portugal, é também a mais extensa da artista. “Interessa-me contar a história do vencido, a história do vencedor já está contada…”, disse ao Ípsilon, “Não há palavra que diga o que é para uma mãe abrir uma vala comum e encontrar o seu filho…”,  comenta a propósito das 162 mesas expostas para lembrar jovens mortos por um exército a soldo e enterrados sem identificação.    [encerra a 22 Jan 2012]

 

 

 

   Na mesma data  foi também apresentada no CAM a mostra Paisagem na Colecção do CAM, (curadora: Ana Vasconcelos) uma selecção vasta de obras realizadas na sua quase totalidade por artistas portugueses ao longo do século XX, como Gabriela Albergaria, Jorge Barradas, Carlos Botelho, Fernando Calhau, Alberto Carneiro, João Cristino da Silva, Ricardo da Cruz-Filipe, Fernando Lemos, Luís Noronha da Costa, João Queiroz,  Joaquim Rodrigo, Francis Smith, Ângelo de Sousa, Amadeo de Souza-Cardoso,  entre muitos outros.

   Como diz o programa : “ O olhar do sujeito que cria a paisagem é um olhar necessariamente subjectivo, que selecciona o que vê e como vê. É um olhar dirigido interrogativamente à natureza, simultaneamente englobante e selectivo, um olhar gerador de sentidos numa complexa triangulação que a fórmula de Michael Jakob (Le Paysage, 2008) tão bem sintetizou: P = S + N, isto é, Paisagem= Sujeito + Natureza”. 

 

       

         Un Jardin à ma façon de Gabriela Albergaria (2006)          Sem título de Amadeu de Souza Cardoso (cerca 1912-13) 

 

 

 

Saibam os leitores que dedico este Pentacórdio aos meus amigos de longa data Estela e Alberto nesta semana para eles tão especial (private quote), usufruidores e divulgadores destes temas desde os tempos antigos da secção de música da velha Pró-Associação de Medicina (!…).

A vós, restantes leitores,  desejo a maior e melhor fruição da oferta desta semana embora escassa … enquanto há.

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