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Diário de bordo de 24 de Novembro de 2011

 

 

Segundo as notícias, a greve geral está a ser um êxito com uma adesão que é tanto mais para louvar, quanto sabemos que a manutenção dos postos de trabalho é, neste momento, fulcral para cada trabalhador e para a sua família. Cada homem, cada mulher, que adere à greve, está a dar provas de coragem. Tornava-se. de facto, indispensável dar um primeiro sinal a esta gente que não os queremos. Mas se não queremos este Governo de patetas, submissos perante Bruxelas, pactuando com corrupções e despesismos provocatórios e insultuosos, se não queremos Passos Coelho, o que queremos?  Um António José Seguro que não podia ser mais inseguro, sem ideias e neo-liberal? Que, se fosse eleito, se ajoelharia perante Merkel e fecharia os olhos às indignidades de Alberto João Jardim? Para no dia seguinte ao da sua eleição o começarmos a atacar e a construir os degraus que permitam que outro lacaio qualquer o substitua? Que raio de jogo estamos nós a jogar?

 

Como se costuma dizer, isto não é vida.

 

Estamos num labirinto sem saída. Enquanto os trabalhadores mantiveram as estruturas organizativas contemporâneas da máquina a vapor, os patrões aperfeiçoaram os seus métodos e, suprema vitória, conseguiram que os trabalhadores perfilhassem alguns dos pontos de vista da classe dominante – a de que a luta de classes não faz sentido ou a de que já não existe esquerda e direita. Nós próprios erguemos as intransponíveis paredes do labirinto. A esquerda parlamentar e as centrais sindicais, sem pôr em causa a honestidade dos seus dirigentes, querem ajudar-nos a sair do labirinto. Porém, a solução não é procurar a saída. Não existe. Andamos às voltas e vamos dar ao salão dos espelhos.

 

A solução está em destruir o labirinto.

 

Mário Soares, um dos homens que o ajudou a construir, apelou à adesão à greve. Coisa que a direcção do PS não fez.  No documento que assinou com outras oito individualidades, diz-se “Não podemos saudar democraticamente a ‘chamada’ rua árabe e temer as nossas próprias ruas e praças”. E apela à mobilização política e cívica dos cidadãos “na construção de um novo paradigma”.

 

Não devemos estar a falar do mesmo “novo paradigma”, mas, em abstracto, estamos plenamente de acordo.

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