Site icon A Viagem dos Argonautas

DIÁRIO DE BORDO, 3 de Dezembro de 2011


 

 

Há pouco deu uma notícia na televisão de que a Angela Merkel  fez uma intervenção a dizer que a Alemanha não quer dominar a Europa. Se calhar é porque já domina. Não precisa de mais… Mas, sem ironias, é verdade que a Alemanha, sobretudo depois da reunificação, conseguiu um peso político tremendo na Europa. Não só pela sua enorme capacidade económica, como também pela sua posição geográfica. A queda da URSS permitiu-lhe aumentar a sua influência a Leste. E o seu potencial industrial está em progresso, ao contrário das restantes potências ocidentais. 

 

Contudo, os problemas europeus não se cingem à Alemanha. Nicolas Sarkozy, em fim de mandato, não quer dar nenhum passo que permita fazer crer que está a permitir que a soberania da França está a ser coarctada, por pouco que seja. E a Inglaterra (o Reino Unido!) porá sempre reticências a regras fiscais ou orçamentais, e, sobretudo, a verificações feitas pelos serviços da UE. Aliás, quem acredita que os ingleses alguma vez aceitarão substituir a libra pelo euro?

 

O General de Gaulle preconizava que a Europa teria de se estender do Atlântico aos Urais. Isto numa altura em que ninguém previa que a URSS ia acabar tão depressa. Obviamente que De Gaulle pensava em integrar na UE (então CEE) a força militar russa, e o potencial de desenvolvimento dos imensos territórios incluídos na URSS. É verdade que vários países do leste europeu já integram  a UE. Mas falta muito para se chegar ao preconizado por De Gaulle, que pretenderia contrabalançar o bloco anglo-saxónico, numa altura em que a Alemanha ainda se encontrava dividida.

 

No meio disto, quais as opções possíveis para Portugal? Sair da UE? Parece que seria bastante arriscado, dada a enorme dependência da Europa. Sobretudo a ligação com a Espanha não parece fácil de se alterar com facilidade. Os governos de Sócrates e de Passos Coelho, de forma tímida, tentam aumentar os laços com outros continentes. Seria de toda a vantagem que esses laços fossem reforçados de modo mais decidido. Mas o grande problema português está na política interna. A grande concentração da riqueza e da decisão económica em poucas mãos, e a excessiva dependência do exterior, são pontos chave que têm de ser alterados rapidamente.  

Exit mobile version