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Mente! Dez mil vezes mente!
Não tenhas escrúpulos das palavras falsas pois são as palavras falsas que eles gostam de ouvir. Estão ávidos de palavras falsas, e submissas, e lisonjeiras, e mesmo neutras.
As palavras falsas têm um carácter beato, adornam-se de escapulário e tornam-se piedosas e devotas. São envolventes e deslizam entre a virtude e a compaixão.
As palavras submissas são suaves e simpáticas mas também mesquinhas. São marcadas pelo vício da humildade e da gratidão. Usadas com propriedade são óptimas para amaciar a pele dos nossos legítimos superiores.
As palavras lisonjeiras – Oh, as palavras lisonjeiras – como são insinuantes e bem sucedidas. São formosas, delicadas e descaradamente parasitárias. Eles adoram as palavras lisonjeiras, derretem-se por elas.
E as neutras? As palavras neutras têm a particularidade de ser inofensivas. São lisas e cinzentas pelo que jamais comprometem.
Mente! Dez mil vezes mente!
As pessoas veneram as mentiras que alimentam o seu ego único e insuperável.
Lança-te na mentira se queres obter da vida a recompensa das tuas ambições. Não percas um instante, não hesites, não tenhas dó de ti nem dos outros. Eles gostam da impiedade das mentiras piedosas.
Mente! Dez mil vezes mente!
Mente por necessidade, por hipocrisia, por prazer. Mente com alegria e volúpia para que possas sentir dos outros a atenção, o desejo e a preferência em estar junto de ti.
Mente!
Sê bom rapaz e mente.
Se não souberes, aprende. É urgente!
