A Mentira é uma arma, de António Sales

Um Café na Internet

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mente!

Dez mil vezes mente!

 

Não tenhas medo das palavras falsas,

São as palavras falsas que eles gostam de ouvir…

Estão ávidos de palavras falsas

e submissas

e lisonjeiras

e mesmo neutras.

 

As palavras falsas têm um caráter beato,

adornam-se de escapulário.

Piedosas e devotas.

as palavras falsas são envolventes,

deslizando entre a virtude e a compaixão.

 

As palavras submissas são suaves e simpáticas,

mas mesquinhas,

marcadas pelos vícios da humildade

e da gratidão.

São ótimas para amaciar o pelo

dos nossos legítimos superiores.

 

As palavras lisonjeiras,

– Ai, as palavras lisonjeiras! –

são insinuantes e resultantes,

formosas, delicadas e descaradamente parasitárias.

Eles adoram palavras lisonjeiras.

Perdem-se por palavras lisonjeiras.

 

E as neutras?

As dos videirinhos que encontramos na

primeira esquina das opiniões.

As palavras neutras

têm a particularidade de serem inofensivas.

(Mas haverá realmente palavras inofensivas?)

São lisas e cinzentas

pelo que jamais comprometem.

 

Mente!

Dez mil vezes mente!!

 

As pessoas veneram a mentira

que alimenta

o ego único e insuperável.

Lança-te na mentira se queres obter

da vida recompensas.

Não percas um instante

não hesites

não tenhas pena de ti próprio…

nem dos outros,

eles gostam da impiedade das mentiras

piedosas.

 

Mente!

Dez  mil vezes mente!

 

Mente por necessidade

por hipocrisia

por prazer

por ambição.

Mente com alegria e volúpia.

Desperta nos outros a atenção,

O desejo e a preferência

em estarem junto de ti.

 

Se queres triunfar mente.

Sê bom rapaz e mente!

Se não souberes aprende.

É urgente!

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