Obama discursa na Comemoração do Ramadão
1. Introdução.
Normalmente, tenho escrito textos que referem esta quadra como um Feliz Natal. Normalmente. Mas, será que é uma época para falar de normalidade? Ou, porém, como vamos definir um tempo normal? Quando é que a vida social tem sido normal. Será quando agimos conforme as nossas ideias e os nossos hábito e costumes? Mas, os hábitos, como os costumes, não mudam? Será que normalmente significa o que é conjuntural e heterogéneo? Não é por acaso que tenho usado essas palavras nos meus textos de pesquisa. O acaso é a normalidade.
O acontece que, o a ver vamos, o que terrível dor, o sabes quê? Ou, ainda o dizem que disseram, contaram-me, não digas que fui eu… A normalidade é o comportamento conjuntural que estrategiza e manipula os feitos, ou factos- decida o leitor-, que construem o mundo social e divide o trabalho entre todos nós. Estratégia que pode cair em mãos prudentes para virar os acontecimentos em favor do povo, pelo povo e para o povo, por ser a estratégia uma atividade social do povo. Estratégia que varia conforme os objetivos a serem atingidos. Não foi em vão que os Muçulmanos criaram o mês luar decimo primeiro.
Para descansar, para sentir, para pensar, para festejar cada dia que avançava esse decimo primeiro mês e comemorar a capacidade de não comer todo um dia, não trabalhar, não amar, meditar, estar em casa em silêncio com os seus e sair à rua apenas a lua mostrava a sua face, a sua cara, o seu segredo de ter levado vivo aos céus à voz de Alá, o Profeta Mohamed. É assim que falam no Alcorão, é assim que é ensinado nas escolas corânicas, é assim que o comenta o discípulo muçulmano de Aristóteles, Abû Nasr al-Fârâbî, ou Avenassar por outro nome, para o mesmo filósofo aristotélico desse Século Nono da nossa era. Capaz de dizer, na sua tradução de 1964 em Beirute, que a maior capacidade do ser humano é ser social e viver em grupos largos ou Nações, pequenos ou bairros, domésticos ou famílias.
Todos os quais têm uma mesma capacidade: um corpo que solicita, uma alma que organiza a procura do corpo. Um al-Fârâbî a definir nos seus textos, comentários sagrados para os diversos povos Muçulmanos, que a bondade é o bem absoluto do ser humano por revelar a capacidade de bondade que existe em quem é bondoso. Como o seu Mestre Aristóteles gostava dizer na sua Ética a Nicómaco: todo efeito tem uma causa e essa causa deve ser encontrada. Se o efeito, diz al-Fârâbî, parece ser a capacidade de viver em sociedade ou Nação -ou Gemeinschaft para nós, derivado o conceito do filósofo alemão Tönnies e usado pelo seu discípulo francês Durkheim como solidariedade mecânica ou ditada pela capacidade de se estar junto aos outro em paz e alegria e repressão pelos mesmos membros do grupo, caso a justiça não for atingida.
Paz e alegria que existe ou por causa da natureza humana, ou por causa da educação que o grupo social, sem lei positiva nenhuma a comandar a vida em sociedade, acontece querer fazer por ter inteligência e saber que uns sem os outros somos incapazes de sobreviver. Acrescenta o influente al -Fârâbî que essa capacidade de viver em sociedade existe por haver alma com faculdades no ser humano a permitir o uso do bem e a rejeição do mal. Porém, o mal existe se as pessoas não são corrigidas de forma fraterna e amável, como Mohamed diz que Alá. E Alá diz que o ser humano tem cinco faculdades para ser feliz, amável e conviva dos seus e da sua Nação, a Nação Muçulmana, dividida em grupos ou tribos ou clãs.
Faculdades simples, como a capacidade de razoar até de forma especulativa; a faculdade de razoar por causa da experiência ou o agir pragmático entre seres humanos; a faculdade de procurar o que o corpo individual diz dentro do corpo social ao qual se pertence; a faculdade de imaginar para progredir a par e passo dos outros semelhantes sem os ultrapassar, com a confiança de que esperar é uma virtude para aprender e ensinar; e a faculdade da sensibilidade para entender o que seu grupo social já herdou dos grupos do antigamente e do Profeta que ensinou que havia em nós a capacidade de refletir.
Porém, a capacidade de entender os animais, os corpos celestes, o comportamento, a amabilidade, a solidariedade que não precisa lei, porque o Direito foi dado por Alá e o seu Profeta. Donde, Ramadão permite refletir na base da faculdade apetitiva de querer saber e transferir o sabido por meio da faculdade de entender a experiência ou a razão prática que todo ser humano tem. Ramadão permite o silêncio necessário para essa capacidade de refletir e debater em casa o progresso dos peregrinos de esta terra que será, de certeza, entregue a si próprio e aos outros ao se mostrar a capacidade de se ser sensível. Ramadão é a festa da intimidade de si com si e, na hora do comentário, da troca de ideias entendidas no silêncio e na abstinência do dia, abstinência de adultos e crianças, aprendizagem das duas pontas sociais do grupo. Porque essas capacidades da alma são a semente que o adulto planta na alma dos mais novos e desenvolve porque Alá é grande e sabe orientar aos seus: mal se conhece o bem, se quer fazer, fechado dentro do seu grupo social de clã, bairro ou Nação, o desenvolvimento da racionalidade da criança que leva em si a capacidade de imaginar o que o adulto diz e faz. Porém, Ramadão desde muito cedo e ao longo da vida toda.
Como manda Alcorão, a palavra escrita do Profeta que falou por Alá. Quanto mais jejum de corpo e alma, maior proximidade à bondade da Divindade. E ai! De quem queira mudar estes costumes que, faz mil e quatrocentos anos andam-se a desenvolver em grupos que não precisam um Gesellschaft ou lei ou contrato ou solidariedade orgânica ou de Direito positivo, além das mãos do grupo de convívio, como hoje sabemos por Durkheim, tem existido em todos os povos. Especialmente os europeus que ele estudou a partir dos denominados arcaicos.
(Continua)
