Site icon A Viagem dos Argonautas

Fomos ao teatro ver “Quem tem medo de Virginia Woolf?” de Edward Albee – por João Machado.

 

 

Quinta-feira à noite fomos ao Teatro Nacional D. Maria II (TNDM II). Éramos cerca de quarenta, de Vila Franca de Xira, numa deslocação organizada pela Cooperativa Alves Redol. A maioria viajou numa camioneta cedida pela Câmara Municipal, alguns de automóvel.

 

A peça foi encenada por Ana Luísa Guimarães, que também traduziu, em conjunto com Miguel Granja. Os actores são Maria João Luís (Martha), Virgílio Castelo (George), Sandra Faleiro (Honey) e Romeu Costa (Nick). Dizer que o nível geral do espectáculo é muito bom é pouco. Será melhor usar uma expressão como: puseram tudo em palco. Os quatro actores terminam com certeza o espectáculo exaustos. A peça estreou em 26 de Novembro.

 

Quem tem medo de Virginia Woolf? (1962) é a obra emblemática de Edward Albee (1928 – ). Ele próprio diz (Stretching My Mind , Nova Iorque, 2005, citado no livrinho de apoio da peça, vulgo programa, à venda no TNDM II) que a tem pendurada ao pescoço, como uma espécie de medalha reluzente. Acha muito bom, embora um pouco pesado. Recorda que outros dramaturgos também são conhecidos por uma só peça, normalmente das primeiras, e nem sempre a melhor. Sem contar com as obras da juventude, Albee escreveu Zoo Story (1959), The Death of Bessie Smith (1960), The Sandbox (1960) e The American Drama (1961), que estrearam antes de Quem tem medo de Virginia Woolf? Mais tarde estrearam The Ballad of Sad Café (1963, adaptação da novela de Carson Mc Cullers), Tiny Alice (1964) e numerosas outras como Three Tall Woman (1994), que foi apresentado no TNDM II em 1996. Entretanto Albee encenou peças suas e de outros autores e dá aulas de dramaturgia.

 

Quem tem medo de Virginia Woolf? foi um êxito comercial desde a primeira hora. A crítica dividiu-se e Albee não foi nomeado para o Pulitzer de teatro. A peça aguentou-se em cena na Broadway até 1964. Em Portugal foi representada pela primeira vez em 1971, numa produção de Vasco Morgado.

 

A trama tem influência da vida pessoal do autor. Albee foi adotado com duas semanas de idade por um casal abastado. As tensões entre os dois casais giram à volta da ausência do filho, no caso do casal mais velho, e de uma gravidez histérica, no caso do casal mais novo. Há também o peso destruidor do pai de Martha, que esta contrapõe ao marido. E os personagens mostram-nos as suas vidas através de assaltos mútuos e cruzados, em que cada um se procura superiorizar aos outros, ou talvez, pura e simplesmente sobreviver. Assim o primeiro acto denomina-se Divertimento e Jogos, o segundo A Noite das Bruxas e o terceiro O exorcismo. A dúvida é, após o cansaço do esforço sem tréguas de arrancar as máscaras e destruir as ilusões, o que fica?

 

Vão ver, que não perdem tempo. Trata-se sem dúvida de uma obra-prima, em que mesmo o mais blasé encontra algo que lhe diz respeito. E muito bem tratada, pela encenadora, actores, técnicos. Tem nota alta.

 

 

 

 

Exit mobile version