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A GRANDE POESIA – William Shakespeare – “Comparar-te a um Dia de Verão?”

Um Café na Internet

William Shakespeare

 

Comparar-te a um Dia de Verão?

 

Comparar-te a um dia de verão?
Há mais ternura em ti, ainda assim:
um maio em flor às mãos do furacão,
o foral do verão que chega ao fim.
Por vezes brilha ardendo o olhar do céu;
outras, desfaz-se a compleição doirada,
perde beleza a beleza; e o que perdeu
vai no acaso, na natureza, em nada.
Mas juro-te que o teu humano verão
será eterno; sempre crescerás
indiferente ao tempo na canção;
e, na canção sem morte, viverás:
Porque o mundo, que vê e que respira,
te verá respirar na minha lira.

William Shakespeare, in “Sonetos”
Tradução de Carlos de Oliveira

 

 

 

Shall I compare thee to a summer’s day?
Thou art more lovely and more
temperate:
Rough winds do shake the darling buds of May,
And summer’s lease hath all too short a date:
Sometime too hot the eye of heaven
shines,
And often is his gold complexion dimm’d;
And every fair from fair
sometime declines,
By chance or nature’s changing course untrimm’d;
But
thy eternal summer shall not fade
Nor lose possession of that fair thou
owest;
Nor shall Death brag thou wander’st in his shade,
When in eternal
lines to time thou growest:
  So long as men can breathe or eyes can
see,
  So long lives this and this gives life to thee.

 

 

William Shakespeare (Stratford-upon-Avon, 1564— 1616) poeta e dramaturgo inglês. Considerado o mais genial dramaturgo de todos os tempos.  

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