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Apesar dos esforços, o horizonte permanece sombrio para Portugal. Por Anna Villechenon. Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

A degradação da notação atribuída à França pela Standard & Poor, na sexta-feira, 13 de Janeiro, eclipsou a que foi atribuída a Portugal, contudo fonte bem mais importante de preocupação para o futuro da zona euro A notação do país, de facto, passou de BBB ( qualidade média inferior) para BB (título especulativo, ou no calão económico, “título pobre”).


Uma degradação “sem fundamento”, de acordo com Portugal, que resulta de “uma série de incoerências ” nas conclusões da agência de notação. ” Standard and Poor’s parece  “ter substituído a sua análise individualizada por países por uma análise sistemática baseada na zona euro, e de que decorrem conclusões que não reflectem adequadamente as realidades nacionais”, afirmou  o Ministério português das Finanças, que aposta no seu programa de austeridade para tirar Portugal da situação de crise.


NOVO ACORDO DE AUSTERIDADE


E é este Programa que o governo português tem no entanto sido forçado ainda a cortar mais e não tem sido pouco. O governo renunciou na terça-feira, dia 17 de Janeiro, sob a pressão dos sindicatos, a uma das suas medidas emblemáticas que era o aumento de meia hora na jornada de trabalho no sector privado, a fim de melhorar a competitividade do trabalho.

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em troca, o governo conseguiu a supressão de quatro feriados e três dias de férias pagas e uma flexibilidade nos horários de trabalho. O acordo, de que ainda não são conhecidos detalhes, deve ser assinado na quarta-feira.


Estas reformas condicionam a obtenção da ajuda excepcional de que beneficia Portugal – a mesmo título que a Grécia e a Irlanda- no quadro de um plano de resgate europeu. Em Maio, o país recebeu um empréstimo de um montante de 78 mil milhões de euros, concedido pela União Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).


UMA REESTRUTURAÇÃO DA DÍVIDA “MUITO PROVÁVEL”


Para o Ministro da economia portuguesa, Álvaro Santos Pereira, a adopção destas medidas rigorosas são um sucesso. “Depois de meses de intensas negociações, o país tem um acordo que reforça a competitividade da economia, que estabelece as bases do crescimento e que preserva a paz social”, disse ele.


Esta não é a opinião de Anne-Laure Delatte, economista na Rouen Business School. Segundo ela ” Portugal entra numa lógica de deflação, isto é, uma compressão salarial, para reduzir o custo do trabalho.” Automaticamente, o desemprego vai aumentar e a procura vai diminuir. “Esta situação pode durar por muito tempo “.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Standard and Poor’s prevê uma ” quase estagnação” do PIB até 2013 (+ 0,3%), depois de um ano de recessão “sem precedentes” (-3,1%). A economista pensa quanto a ela numa trajectória de maior pessimismo, acreditando que “o risco de uma reestruturação da dívida portuguesa é a prazo muito provável”.


“A ESPANHA REPRESENTA UM RISCO MAIS IMPORTANTE”


“De acordo com o FMI, continua Delatte a história das crises desse tipo mostra que a austeridade orçamental tem permitido restaurar a situação de crescimento e de competitividade de um país, desde que esta política seja acompanhada por uma desvalorização da sua moeda. “No entanto, isso não é possível para Portugal, a menos que saia da zona euro”.


Uma opinião partilhada por Thomas Costerg, um economista da Standard Chartered Bank.“Se houvesse um país a ter que sair “, esse país seria provavelmente a Grécia ou Portugal, que já não se podem financiar nos mercados financeiros” sublinha...


Hoje, mesmo se o risco representado por Portugal continua “importante” é porém ” a Espanha e, a prazo, a Itália, que representam o risco mais importante para a zona euro, considera ainda, Anne-Laure Delatte. “. ” Os bancos europeus estão expostos à altura de 628 mil milhões de euros em risco sobre a Espanha, enquanto que estes riscos incidem sobre Portugal em 133 mil milhões”, acrescentou.


Sinal da desconfiança dos investidores sobre Portugal, o país deixou de emitir títulos da dívida pública com prazo de vencimento superior a seis meses desde Abril de 2011 e devido às taxas de juro demasiado altas pelo mercado estabelecidas.. Neste contexto, a emissão de títulos do tesouro a onze meses prevista para quarta-feira, aparece como um verdadeiro teste para Lisboa.


Anna Villechenon, Le Monde

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