por Rui Oliveira
Deve, a abrir, prestar-se homenagem à qualidade (e quantidade) da programação “gulbenkiânica” para esta semana, porventura a melhor de todo o ano (ver-se-á…), somando à música diária ainda a exposição “pessoana” sobre a sua pluralidade universal. Avé Calouste !
1. A abrir a semana, no ciclo Músicas do Mundo, a Fundação Calouste Gulbenkian convidou o compositor bósnio Goran Bregovic a apresentar no Grande Auditório, às 21h de Segunda, 6 de Fevereiro, o seu concerto-espectáculo “Margot, mémoires d’une reine malheureuse” (Margot, memórias de uma rainha infeliz). Ao som da música composta por Bregovic para o filme de Patrice Chéreau La Reine Margot, uma actriz recita um texto da autoria do compositor, encontrando um paralelismo entre o sofrimento da rainha no meio de guerras religiosas entre protestantes e católicos no século XVI e o cenário repetido 400 anos mais tarde na ex-Jugoslávia, a terra natal de Bregovic – “numa tentativa (diz o músico) de voltar a mostrar uma e outra vez que precisamos de aprender com a guerra para esta não se repetir”.
Aí se conta a história da filha de um importante general que, durante a guerra na Bósnia, encontra o diário escrito pela sua mãe, professora de literatura francesa. Não se atrevendo a escrever o seu próprio diário, ela inventa o diário de uma grande mulher de outro tempo cheio
de infelicidade, de Margeritte de Valois, que , como ela, poderia ter sido feliz se o mundo tivesse sido criado com uma medida mais humana. É uma história moderna que pertence a todos os tempos, porque as guerras religiosas existem desde que existe a religião.
A actriz é Ana Moreira e o fundo sonoro provém da sua habitual Orchestre des Marriages et des Enterrements (Orquestra de Casamentos e Funerais), de vozes búlgaras (Ludmila Radkova-TraIkova e Daniela Radkova-Aleksandrova), de um coro masculino e de um quarteto de cordas.
Goran Bregovic a quando da criação deste espectáculo no Festival de Saint-Denis em 2010
2. Seguem-se dois espectáculos onde a voz é elemento central. Assim :
Na Terça 7 de Fevereiro, no âmbito do Ciclo de Música Antiga e no Grande Auditório da Fundação Gulbenkian, às 21h, é possível ouvir-se a voz do contratenor alemão Andreas Scholl no território da música barroca, em particular do seu expoente J.S. Bach. Este discípulo de Richard Lewitt na Schola Cantorum Basiliensis e depois do próprio René Jacobs − que diz de si mesmo “Não me defino … como contratenor, mas como músico. É porque sou músico que sou cantor e acredito que tenho qualquer coisa nova e pessoal a acrescentar” – irá cantar de Johann Sebastian Bach Sinfonia da Cantata Ich steh mit einem Fuss im Grab, BWV 156, a Cantata Ich habe genug, BWV 82 e a Cantata Got soll allein mein Herze haben, BWV 169.
Inclui-se ainda o Concerto para Cravo nº 5 BWV 1056 também de J.S.Bach tocado pelo conjunto acompanhante da Kammerorchester Basel dirigida pela maestrina Julia Schröder.
Na Quarta 8 de Fevereiro, realiza-se o recital (adiado desde Setembro) da soprano finlandesa Karita Mattila, no Grande Auditório da Fundação Gulbenkian, às 19h.
Aquela que define a sua profissão “como o golf: se não se tiver aprendido o valor da repetição, não se consegue sentir fascinação pelo jogo. O sucesso não o torna mais fácil: a natureza do ‘performer’ é nunca ser suficientemente bom” canta em ópera obras de autores desde Beethoven a Janáček, tem beleza e versatilidade de voz que lhe permite abordar com naturalidade o repertório do lied mas colabora também com regularidade em estreias de obras de compositores contemporâneos.
Aqui, acompanhada ao piano por Ville Matvejeff, cantará de Alban Berg Sieben frühe Lieder, de Johannes Brahms Meine Liebe ist grün, op. 63 nº 5, Wiegenlied, op. 49 nº 4, Von ewiger Liebe, op. 43 nº 1 e Vergebliches Ständchen, op. 84 nº 4, de Claude Debussy Harmonie du soirI, Le jet d’eau e Recueillement e de Richard Strauss Der Stern, op. 69 nº 1, Wiegenlied, op. 41 nº 1, Allerseelen, op. 10 nº 8 e Frühlingsfeier, op. 56 nº 5.
Karita Mattila canta “Beim Schlafengehen” de As Quatro Últimas Canções de Richard Strauss
na London’s Royal Opera House em 2005 (dirige Antonio Pappano)
3. Nos dias seguintes, Quinta , 9 de Fevereiro , às 21h e Sexta, 10 de Fevereiro, às 19h, vem ao Grande Auditório da Fundação Gulbenkian o maestro holandês Ton Koopman dirigir a Orquestra Gulbenkian. Este também cravista, organista e musicólogo, fundador da Orquestra Barroca de Amsterdão, responsável pela gravação da integral das Cantatas de J.S.Bach (22 CDs) e do registo (em curso) da obra completa de Dietrich Buxtehude, vem acompanhado do seu colega de gravação o baixo alemão Klaus Mertens para executar um programa que inclui :
Johann Sebastian Bach Cantata Ich habe genug, BWV 82
Georg Philipp Telemann Musique de table: Overture (Suite) e Conclusion
Wolfgang Amadeus Mozart Sinfonia nº 41, K. 551, Júpiter
Aqui sem orquestra, o baixo Klaus Mertens (com Koopmann como cravista)
canta a mesma canção que Andreas Scholl. Compare-se !
Às 21h30 dessa Sexta 10 de Fevereiro, também no Grande Auditório, os Solistas da Orquestra Gulbenkian Alice Caplow-Sparks, Esther Georgie, Ana Beatriz Manzanilla, Maia Kouznetsova, Raquel Reis e Maja Plüddemann darão um concerto de entrada livre onde interpretarão :
Wolfgang Amadeus Mozart Quarteto com Oboé, K. 370
Sergei Prokofiev Quinteto em Sol menor, op. 39
Sérgio Azevedo Quinteto
4. Finalmente no Domingo 12 de Fevereiro, às 19h no Grande Auditório da Fundação Gulbenkian, regressa o pianista russo Evgeny Kissin, familiar dos palcos desde o seu primeiro recital de Mozart aos onze anos em Moscovo (1982). Diz, modestamente, que “o seu amor pela música nunca encontrou uma correspondênia perfeita na sua capacidade de interpretá-la”, pelo que fará aqui esse “esforço” (ironia!) interpretando :
Ludwig van Beethoven Sonata para Piano nº 14, op. 27 nº 2 Ao luar
Samuel Barber Sonata para Piano, op. 26
Fryderyk Chopin Nocturno, op. 32 n. 2 e Sonata para Piano nº 3, op. 58
5. Termina nesta semana a temporada no Centro Cultural de Belém da mostra das primeiras obras da coreógrafa belga Anne Teresa De Keersmaeker, artista residente na cidade de Lisboa ao longo de todo o ano de 2012. Assim na Terça 7 de Fevereiro, no palco do Grande Auditório, às 21h, veremos Elena’s Aria, uma coreografia de ATDK de 1984 que “reflecte a busca da sua autora e as dúvidas que surgem quando a energia confiante dos primeiros projectos se desvanece por breves momentos. Aqui Anne Teresa De Keersmaeker rompe com o seu fascínio pela repetição e abandona o ritmo e o dinamismo, optando por longos momentos de silêncio e por uma variedade de trechos musicais/vozes que sustentam os movimentos, mas permanecem em segundo plano” (do programa).
Dançá-la-ão Anne Teresa De Keersmaeker, Tale Dolven, Fumiyo Ikeda, Cynthia Loemij e Samantha Van Wissen sob música de Di Capua, G. Bizet , G. Donizetti e W. A. Mozart.
Na Quinta 9 de Fevereiro, no mesmo palco do CCB, às 21h, a coreografia Bartók / Mikrokosmos de 1987 traduz o reencontro, após a obra anterior, da dança com a música essencialmente de Béla Bartók (mas não só, também Chopin, Ligeti e Reich).
O espectáculo com a coreografia de Anne Teresa De Keersmaeker tem três partes :
I. Mikrokosmos, sete peças para dois pianos com interpretação de Elizaveta Penkóva e Jakub Truszkowski e música de Béla Bartók.
II. Monument / Selbstporträt mit Reich und Riley (und Chopin ist auch dabei) / Im zart fliessender Bewegung, música de György Ligeti interpretada ao piano por Jean-Luc Fafchamps e Stefan Ginsburgh.
III. Quarteto n.º 4 dançado por Tale Dolven, Elizaveta Penkóva, Sandra Ortega Bejarano e Sue-Yeon Youn, uma criação de Anne Teresa De Keersmaeker, Roxane Huilmand, Fumiyo Ikeda, Nadine Ganase e Johanne Saunier com música de Béla Bartók.
Cordas sobresselentes
A 6 de Fevereiro no Foyer do Teatro Nacional de São Carlos, às 18h, o Ciclo Viagens Na Minha Terra II inclui o concerto do Prémio Jóvens Músicos da Antena 2 onde se ouvirá Carla Santos no violino e Saul Batista Picado no piano interpretar de Luis Costa Sonatina para violino e piano, op.18, de Leos Janáčék Sonata para violino e piano e de George Enesco Sonata para violino e piano em Lá menor, op.25 “Dans le caractère populaire roumain”. (entrada livre)
A 6 de Fevereiro, às 19h, o ciclo Cinema do Mundo traz ao Auditório do Institut Français de Portugal um filme da realizadora tunisina Raja Amari intitulado Satin Rouge (2002), Prémio do Melhor Filme no Festival Internacional de Turim 2002, com Hiam Abbass, Hend El Fahem, Maher Kamoun, Monia Hichri, Faouzia Badr, Nadra Lamloum. Diz-se no Le Monde que “a cineasta tunisina … consegue uma primeira longa-metragem subversiva e perturbante, longe dos clichés habituais sobre a emancipação das mulheres árabes”.
Sinopse : Tunes. Lilia teme pelas andanças de Salma, a filha adolescente que ela cria, sozinha, desde a morte do marido. Ao tentar perceber o que ela faz, Lilia entra uma noite, por acaso, no cabaré “Satin Rouge”. Aí, Lilia conhece um mundo de dança e de prazer. Torna-se dançarina e amiga dos músicos. Até que um dia a filha lhe apresenta o namorado…
Ainda a 6 de Fevereiro, às 21h30 no bar A BARRACA no Teatro Cinearte tem lugar mais um Encontro Imaginário de personagens que parecem surgir para intervir nas mais recentes polémicas da sociedade portuguesa. Ali estarão : Gomes Freire de Andrade (representado por João d’Ávila), o herói português mandado enforcar em 1817 por Beresford, o ocupante inglês, foi Grão Mestre da Maçonaria e parece enviado para separar as aguas entre uma associação de enorme responsabilidade cívica e histórica e os bandos mafiosos que se têm servido dessa tradição para negócios e manipulações politicas. Afonso Henriques (Fernando Jorge), o nosso 1º Rei, fundador da nacionalidade e cultor de municipalismo e pluralismo cultural bem demonstrado nas dádivas de terras aos mouros e no respeito pela comunidade judaica, não deverá achar graça às intenções governamentais de eliminar os feriados que homenageiam a Independencia e o patriotismo republicano. Vlad III, Drácula (Ruben Garcia), o principe cristão romeno foi um perseguidor bárbaro do islamismo e um percursor do belicismo com que Estados Unidos e Inglaterra se relacionam hoje com essas populações (diz o programa da sessão).
Também a 6 de Fevereiro, na Sala de Espelhos do Palácio Foz, às 18h, com o apoio da Juventude Musical Portuguesa, há um Recital de Música de Câmara pelo grupo recém-constituído Academia dos Renascidos (em homenagem à similar fundada na cidade de Salvador (Bahia), Brasil em 1759) composto por Alexandra van Leeuwen soprano, Alberto Pacheco tenor,Andréa Teixeira piano e flauta transversal, David Cramer cravo e piano, José Grossinho bandolim, Mário Trilha cravo e piano e João Romão guitarra. Tocarão e cantarão músicas dos séculos XVII e XIX, desde Marcos Portugal a Henrique Lopes de Mendonça.
De 7 a 12 de Fevereiro, no Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém, a horas variáveis, o Teatro da Garagem representa L.A.- Lost Angels’ Project to Kill Mankind, uma encenação e concepção plástica de Ana Palma e Carlos J. Pessoa a partir do texto da Ilíada de Homero (traduzida por Frederico Lourenço) com dramaturgia de Maria João Vicente, interpretada por Carolina Sales, Fernando Nobre, Maria João Rêgo, Maria João Vicente, Miguel Mendes, Nuno Nolasco, Nuno Pinheiro, Teresa Machado e adolescentes de Lisboado Clube de Teatro Jovem do Teatro da Garagem.
O conceito inicial da peça deriva dos diários dos dois jovens responsáveis pelo massacre de Columbine (USA) em Abril de 1999 e nela se procura (segundo o programa) “ localizar a possibilidade geradora de uma visão de humanidade e do sublime na transparência cristalina da palavra que é proferida… sobre o ímpeto destrutivo da cólera e da guerra. O que temos são bocados de texto lacerado, como o cheiro da carne na refrega do combate, o rosnar altivo do animal bélico, os restos de heróis que desejaram ser deuses, a palavra vibrante da ordem e a palavra soprada do lamento. “L. A.” diz respeito a lost angels, a anjos perdidos … Anjos perdidos encontram-se em toda a parte e se essa frágil condição desperta instintos piedosos do que se trata, a nosso ver, é de encontrá-los, de passar das boas intenções à prática, ao compromisso. Encontrar anjos perdidos será uma forma de nos encontrarmos enquanto pais, filhos, cidadãos? Mas afinal quem são os anjos perdidos?”.
Também a 7 de Fevereiro, às 22h, a Sala Principal do Teatro Maria Matos verá reconfigurada a nova peça Lenta Cruz de Agosto do trompetista Sei Miguel criada em Agosto passado no Jardim das Estátuas do Museu do Chiado, agora como uma cerimónia barroca e litúrgica Prelúdio e Cruz de Sala. Num palco que Sei Miguel deseja ver “como uma nave de uma igreja, solene e vertical”, o trompetista acompanhar-se-á por Fala Mariam trombone alto, Pedro Gomes guitarra eléctrica e César Burago percussão, o seu unit core mais regular das suas últimas composições.
Para ouvir alguns excertos : http://www.youtube.com/watch?v=EJEhn-gYz_0
Ainda a 7 de Fevereiro, às 19h no Institut Français de Portugal há a mesa redonda “A Figura de Lisboa na Literatura – olhares cruzados de escritores franceses” onde, após uma semana passada em Lisboa no Palácio Belmonte em companhia de escritores do mundo inteiro e de todos os quadrantes para uma reflexão sobre a figura de Lisboa na literatura contemporânea, Jean-Yves Loude, Hervé Le Tellier e Olivier Rolin darão conta dos seus trabalhos e falarão dos seus olhares sobre Lisboa.
Também de 7 a 9 de Fevereiro decorrem no Museu Nacional de Arqueologia, às 18h30 as Jornadas Anuais do GAMNA sob o tema Os Mitos de criação no Mediterrâneo Antigo com palestras sobre Egipto (Prof. Luís Manuel de Araújo, a 7/2), Mesopotâmia (Prof. Francisco Caramelo, a 8/2) e Síria – Palestina (Prof. José Augusto Ramos, a 9/2). A entrada é livre.
Inicia-se a 8 de Fevereiro (até 19/2) a apresentação na Sala Principal do São Luiz Teatro Municipal, às 21h, da produção do Dramax (Centro de Artes Dramáticas de Oeiras) O Cerco a Leninegrado, uma peça de J. Sanchis Sinisterra, numa encenação de Celso Cleto com interpretação de Eunice Muñoz e Maria José Paschoal.
“No momento preciso em que começa a deteriorar-se a utopia europeia, este texto (de 1994) … é um espelho da história, uma viagem entre um passado já distante e as reverberações que a história produz nas nossas vidas quotidianas. Teresa, actriz e viúva de um antigo encenador, vive com Natália, outra actriz, nas ruínas de um velho teatro na cidade em vias de ser demolido. Texto vertiginoso, comédia política, onde o teatro serve de matéria de reflexão à história política dos últimos cinquenta anos” (esclarece o programa).
Também a 8 de Fevereiro, no Grande Auditório da Culturgest, às 18h30, se inicia um ciclo de quatro conferências (sempre às Quartas-feiras) sobre “Petróleo, Gás, a Energia em mudança : da Geopolíticas às Tecnologias e Mercados” proferidas por António Costa Silva, professor do Instituto Superior Técnico e presidente da Comissão Executiva da Partex Oli and Gas.
Este ciclo de conferências abordará o panorama actual do mercado energético, analisará a evolução do preço do petróleo e os factores que explicam as suas variações cíclicas e abordará a interacção que existe entre o consumo de energia, o desenvolvimento económico e o crescimento demográfico.
Serão também discutidas as tendências que estão a emergir na geopolítica da energia e as mudanças correlativas nos mercados financeiros internacionais com a enorme transferência de riqueza dos países consumidores para os países produtores proporcionada pelos preços altos do petróleo. O ciclo abordará ainda os factores de mudança do paradigma energético actual, abordará questões da história da energia e extrairá ilações que são candentes para compreender as mudanças actuais.
A 8 de Fevereiro, às 19h no Institut Français de Portugal, num Concerto Antena 2, Bruno Belthoise (piano) e Yves Charpentier (flauta), em duo, exibem os seus talentos num programa com Claude Debussy (Six Epigraphes Antiques pour flûte et piano), Fernando Lopes Graça (Andante e Allegro para flauta e piano), Bernard de Vienne (Aura, pour flûte et piano), Karl Reinecke (Sonata « Ondine » op.167 para flauta e piano) e Mel Bonis (Grande Sonata Romântica Op.64 em Dó sustenido menor).
Também a 8 de Fevereiro, na Sala de Espelhos do Palácio Foz, às 18h, com o apoio da Juventude Musical Portuguesa, há um Recital de Canto e Piano “Mares y Arenas” onde Patrícia Caicedo, soprano, Lenine Santos, tenor e Ângelo Fernandes, piano interpretarão canções do repertório Ibero-Americano.
Começa a 9 de Fevereiro (prosseguindo até 19) na Sala Estúdio do Teatro Nacional DªMaria II, às 21h15, a peça Frei Luís de Sousa de Almeida Garrett, uma coprodução Among Others Associação / Teatro da Garagem, numa criação de Diogo Bento e Inês Vaz com interpretação de Diogo Bento, Inês Vaz e Elisabete Fragoso.
Explicam-na desta forma : “Mesmo sabendo que a Maria morre e que os outros ficam sozinhos ou vão para o convento, mesmo sabendo que não vai dar certo, mesmo sabendo que a vinda do Romeiro é inevitável, mesmo sabendo que não há salvação para ninguém e que é preciso haver um bode expiatório, nós vamos continuar.
É mais ou menos como um pensamento esquizofrénico que nos guia quando acreditamos que não é possível e que não depende de nós e, mesmo assim, fazemos tudo com a mesma convicção, ou até mais, para que aconteça. Neste caso, para que a Maria não morra sozinha a cuspir sangue. Porque, até lá chegarmos, tudo pode mudar. Porque, na verdade, tudo tem em si a potência para ser tudo e para mudar”.
A 9 de Fevereiro, no Ondajazz às 22h30, volta a actuar o Selma Uamusse Nu-Jazz Ensemble, agora com outra formação : Selma Uamusse voz, Elaisa Inferu voz, Luisa Silva voz, Patrícia Antunes voz, Orlanda Guillande voz, Lucy de Jesus voz, TC voz, Jan Van Nespen piano, Paulo Furtado – The legendary tigerman voz/guitarra, Daniel Lima teclados, Gonçalo Santos bateria, Augusto Macedo contrabaixo.
O clima duma sessão com esta cantora numa homenagem a Nina Simone pode ser apreendido em http://www.youtube.com/watch?v=GLQykKf3xKA&feature=related .
Também a 9 de Fevereiro, às 22h na Galeria Zé dos Bois actua a banda rock de Brooklyn The Men composta por quatro unidades Mark Perro (voz, guitarra), Nick Chiericozzi (voz, guitarra), Chris Hansell (baixo) e Rich Samis (bateria) na divulgação do seu album de estreia “Leave Home”. A completar o espectáculo toca a banda lisboeta Loosers com Rui Dâmaso, Zé Miguel e Tiago Miranda.
À mesma hora de 9 de Fevereiro, no hall do Centro de Reuniões do Centro Cultural de Belém, em mais uma das sessões Dose Dupla Jazz a dois dirigidas por Maria Viana e João Moreira dos Santos, dar-se-á o encontro entre Daniel Bernardes, pianista, natural de Alcobaça, e Federico Pascucci, saxofonista tenor, natural de Roma, pela primeira vez em palco, embora tenham em comum os estudos na Escola Superior de Música de Lisboa e a paixão pelo jazz.
No Institut Français de Portugal, às 19h30 de 9 de Fevereiro, no ciclo Cinema do Mundo é exibido o filme do realizador argelino Rachid Bouchareb de 2006 Indigènes (Dias de Glória) com Samy Nacéri, Roschdy Zem, Bernard Blancan, Sami Bouajila, Jamel Debbouze, Benoît Giros, Mélanie Laurent, Antoine Chappey, Mathieu Simonet, Thomas Langmann.
Prémio colectivo de representação para os cinco actores principais no Festival de Cannes em 2006 e ainda, entre outros, César para Melhor Argumento original, é um grande filme de acção, pungente e empenhado sobre a Segunda Guerra Mundial do lado francês e a secção dos soldados esquecidos, esses atiradores magrebinos e senegaleses finalmente reabilitados, graças a este filme, sessenta anos mais tarde.
Ainda no Institut Français de Portugal, a 9 de Fevereiro das 19 às 20h30 o Bar das Ciências convidou Maria Filomena Guerra, directora de investigação CNRS no Laboratoire du Centre de Recherche et de Restauration des Musées de France para falar sobre “Ciência & Museu. Estudar, conserver e autenticar moedas e jóias de ouro”.
Procurar minas de ouro, preservar as colecções, desvendar segredos de antigos ourives, autentificar jóias e moedas, caçar tesouros de piratas e embusteiros… são algumas das possibilidades que as modernas técnicas físico-químicas de exame e análise (aceleradores de partículas, espectrómetros de massa, microscópios electrónicos, sincrotrões, tubos de raios X) nos abrem, facilitando-nos o acesso, de um modo não-destrutivo, às informações conservadas na forma e na estrutura dos objectos patrimoniais.
No Instituto Cervantes, às 18h30 de 9 de Fevereiro, inicia-se o ciclo Encontros na Poesia que se prolongará ao longo de todo o ano, onde cada poeta recitará uma seleção da sua poesia e ambas manterão uma conversa sobre a criação poética. Neste primeiro encontro estarão Menchu Gutiérrez (Madrid, 1957), que publicou vários poemários, entre os quais se destaca El ojo de Newton (Pre-textos, 2005) e é autora de uma ampla obra em prosa publicada na sua totalidade pela editorial Siruela (de entre os seus títulos encontra-se o último La niebla, tres veces de 2011) e María do Rosário Pedreira (Lisboa, 1959) que iniciou a sua carreira literária em 1996, escrevendo o seu primeiro livro de poesia A Casa e o Cheiro dos Livros, cuja edição se esgotou de imediato e posteriormente publicou um novo livro de poemas O Canto do Vento nos Ciprestes, 2001, cujo merecimento da crítica a veio confirmar entre a plêiade dos novos poetas.
A 10 de Fevereiro abre ao público na Sede da Fundação Gulbenkian a exposição Fernando Pessoa – Plural como o Universo (inaugurada a 8 para assinalar o Ano do Brasil em Portugal), resultante duma colaboração entre a Fundação Roberto Marinho e o Museu da Língua Portuguesa de São Paulo, com o apoio da FCG. Permanece até 30 de Abril das 10 às 18h.
Fernando Pessoa, Plural como o Universo tem várias componentes. Um dos espaços é reservado à apresentação, em compartimentos delimitados, do ortónimo e dos quatro mais importantes heterónimos: Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos e Bernardo Soares. Noutra parte, encontra-se uma recolha de textos, cuja tónica é mostrar como puderam conviver, no espírito de Pessoa, os heterónimos, os escritos autointerpretativos e todos os outros projectos que o poeta ia desenvolvendo, num processo dinâmico e simultaneamente solitário. A exposição inclui ainda documentos inéditos, pinturas e alguns objetos nunca antes expostos em Portugal (como a primeira edição do livro Mensagem, com uma dedicatória escrita pelo poeta).
Também a 10 de Fevereiro, na Sala Garrett do Teatro Nacional D. Maria II, às 21h, é reposta a peça As Aventuras de João Sem Medo de José Gomes Ferreira na versão cénica, dramaturgia e encenação de João Mota, com interpretação de Alexandre Lopes, Hugo Franco, Marco Paiva, Mia Farr, Miguel Sermão e Tânia Alves numa co-produção Comuna – Teatro de Pesquisa, Teatro da Trindade – Fundação Inatel. Permanece até 21 de Abril.
Resumo : João sem Medo, um herói – construído para crianças e para adultos – “fala-barato de imprecações e graçolas populares, desprezador dos tiranetes e dos poderosos e, sobretudo, cheio de alegria de existir, de respirar, de acreditar nos bons sentimentos e de inventar monstros para os destruir e vencer”, é um pequeno burguês gabarola que, para não parecer cobarde, inventa monstros para os vencer.
A 11 de Fevereiro há mais um Sábado de transmissão em directo em HD da Metropolitan Opera de Nova Iorque no Grande Auditório da Fundação Gulbenkian, às 17h. Desta vez é o capítulo final de O Anel dos Nibelungos de Richard Wagner no conjunto de produções/encenações de Robert Lepage, o Götterdämmerung (Crepúsculo dos Deuses), que contará com Deborah Voigt no papel de Brünnhilde, Jay Hunter Morris (ou Gary Lehman) como Siegfried, Wendy Bryn Harmer como Gutrune, Waltraud Meier como Waltraute, Iain Paterson como Gunther, Eric Owens como Alberich e Hans-Peter König como Hagen, tendo como maestro James Levine.
Também a 11 de Fevereiro, às 21h no Teatro Nacional de São Carlos, no âmbito do Ciclo William Walton, a Orquestra Sinfónica Portuguesa (direcção musical de Rui Pinheiro) com a participação de Ana Bela Chaves na viola, cumprirá um programa para cuja segunda peça alertamos dado ser uma das maior reconhecimento na obra do compositor inglês homenageado :
Richard Wagner Die Meistersinger von Nürnberg (Abertura)
William Walton Concerto para viola e orquestra
Antonín Dvorák Sinfonia n.º 7, em Ré menor, op. 70
No Ondajazz, às 22h30 de 11 de Fevereiro o duo brasileiro Couple Coffee que junta a voz de Luanda Cozetti e o contrabaixo de Norton Daiello acompanhado nas percussões por Ruca Rebordão convida o guitarrista Pedro Joia para uma sessão conjunta.
Entretanto na galeria Zé dos Bois, às 23h, actuam duas bandas portuguesas do mais despretensioso rock os Passos em Volta e os Kimo Ameba, as duas bandas-nucleares da editora Fetra, a primeira divulgando o álbum do ano passado “Até morrer”, a segunda lançando aqui o seu disco de estreia.
No CCB, às 21h de 11 de Fevereiro é apresentado no seu Grande Auditório o novo álbum “Luís Represas e João Gil” pelos dois músicos fundadores de Os Trovante que também abordarão canções dos seus 35 anos de carreira.
Ainda a 11 de Fevereiro, no Jardim de Inverno do Teatro Municipal São Luiz, às 18h30, o Concerto Moderno dirigido por César Viana, uma orquestra de cordas formada por jovens instrumentistas da área de Lisboa, prossegue a série de concertos deste ano com um intitulado Estrela da Manhã onde serão tocadas obras de Ivan Moody e Felix Mendelssohn, sendo solista convidado o contrabaixista Duncan Fox.
Na manhã de 12 de Fevereiro, às 11h30, a Orquestra Metropolitana de Lisboa dirigida por Pedro Neves abre mais uma Caixa de Música no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém onde, num Concerto para a Família, se ouvirão a história e a música de O veado florido, texto de António Torrado musicado por Sérgio Azevedo (em estreia absoluta) e ainda o clássico Pedro e o Lobo, op.67 de Sergei Prokofiev.
Também a 12 de Fevereiro, na Sala de Espelhos do Palácio Foz, às 16h, tem lugar um concerto pela Orquestra da Academia de Música de Santa Cecília (com o apoio da Juventude Musical Portuguesa).
Por fim a 12 de Fevereiro, no Grande Auditório da Culturgest, às 21h30, há jazz com seis músicos de jazz suecos e noruegueses que em 2000 formaram dois grupos, o trio The Thing e o quinteto Atomic, em parte como uma forma de reacção à imagem de um jazz nórdico frio e melódico que estava popularizada (ex. a ECM) e porque queriam mostrar um jazz enérgico, explosivo, descendente do free jazz europeu e americano.
A secção rítmica é comum (o contrabaixista Ingebrigt Håker Flaten e o baterista Paal Nilssen-Love) mas, enquanto nos The Thing o free jazz se combina com o rock (com o saxofone de Mats Gustafsson), nos Atomic predomina o jazz livre sem influência rock (com Fredrik Ljungkvist nos saxofones e clarinete, Magnus Broo no trompete e Håvard Wiik no piano).
Uma última palavra sobre cinema para aconselhar, sem um elogio desmedido, o filme (que vimos) de David Fincher que, com o argumentista Steven Zaillian, começou a adaptação da trilogia de Stieg Larsson construindo o seu primeiro filme Millennium 1 – Os Homens que Odeiam as Mulheres que designou “The Girl with the Dragon Tattoo”. Segundo alguns críticos, na adaptação do romance a personagem de Mikael Blomkist (Daniel Craig) resulta mais verídica que a de Lisbeth Lisander (Rooney Mara), mais autista e menos humana, mas tal não impede que a sensação de inquietude latente e de corrupção profunda da obra do escritor sueco seja eficaz e intrigante, talvez em boa parte devido à excelente banda sonora atmosférica e minimalista de Trent Reznor e Atticus Ross. A ver, claramente !

