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“ESTÁ NA MODA FALAR-SE SOBRE HOMOSSEXUALIDADE” – por Raúl Iturra

No mês de Maio de 2007, no Jornal A Página da Educação , escrevia eu um texto sobre a temática. Uma temática que tem preocupado ao mundo desde que eu lembro das minhas leituras, aprendizagem, os meus debates, observação participante em terreno e defesa da livre opção. Penso que de muito que há que dizer sobre a livre opção, várias foram já mencionadas no texto referido. O que foi o que defendi, leia o texto, eu não me lembro. Lembro-me, sim de ter citado uma frase da capa de um DVD , mas esqueci as imensas frases de publicidade, bem mais importantes que a da capa: “Era uma amizade que se tornou um segredo”, “Há lugares que no devemos voltar”;”Há verdades que demos revelar”; “Há verdades que não podemos negar” . Este diálogo, entre outros, acaba por ser mais importante e interessante que o da capa do filme.

 

É o debate entre dois homens que se amam, um deles todo decidido a levar uma vida aberta com o amor da sua vida, o outro todo temido por não estar a cumprir ou obedecer a denominada ética social. Os dois casam e têm filhos, mas casam com mulheres que são uma paixão de dias para se reproduzir e ter descendência, porque a lei o diz e a sociedade o manda, bem como por existir uma certa paixão que duro a criação dos descendentes. U mais decidido, acaba morto novo, o mais reticente, morto em vida durante muitos anos a imaginar que vive com quem amava e não com quem tinha crianças. Os ciúmes das suas mulheres, não têm destino, não sabem o que nem como fazer para retirar dos afectos dos homens que elas amam, um amor para elas desconhecido. Se for uma deslealdade, um engano denominada deslealdade, um amancebamento de poucas horas ou bigamia de curta ou longa duração, ou amante de meia hora, elas sabia, o que fazer e como agir.

 

Mas, mulher a tentar lutar para reaver ao homem que ama que vive praticamente com outro homem, é uma verdade sem palavras. Sem palavras não há conceito, não acção que seja possível entender. Ando a pensar e escrever muito sobre este comportamento, desde que em 1896 Freud define a natureza humana como bissexual. Há um debate entre Sigmund Freud e Donald Woods Winnicott, sobre o amadurecimento do ser humano para criar, ideia da qual não se fala ao referir amor dentro do mesmo género. No meu ver, as instituições de seres humanos que procuram opções sexuais, falam mais do orgasmo, da paixão, do que diz a fé religiosa e da opinião social, ignorando absolutamente a ideia de paternidade – maternidade, de educação dos mais novos que parece ser impossível se o par que cria, são do mesmo género.

 

Assunto que não se debate nem aparece na lei ou os Catecismos de Doutrinas Cristãs ou Muçulmanas. O que interessa aos jornais é quem faz o papel de homem, quem o de mulher, quem lava a loiça, enfim, assimilar ao casal homossexual ao casal heterossexual e não a criação da prole, dever mais importante na nossa cultura. A paixão dura e acaba num pestanejar, excepto em casos de amor entre dois seres humanos que, por se respeitarem um ao outro, precisam do prazer do carinho íntimo. Mas de criar seres humanos novos, apenas lembro um acórdão de um tribunal de Lisboa que entregara a criação dos seus descendentes ao pai e ao seu companheiro, por ser de valor moral e educativo mais alto do valor do acasalamento heterossexual que o pai tinha tido com a mãe dos seus filhos.

 

Fiquei surpreendido com a notícia. Diz que “o País está a percorrer um caminho na direcção certa….” . Mas de maternidade e paternidade, nada diz. Talvez porque ainda a sociedade anda ocupada em entender como é a relação entre seres humanos do mesmo género e mais nada.

 

No meu ver, a sociedade e a cultura que nos orienta, essa da lógica religiosa cristã ou maometana, deveriam pensar mais na reprodução e o amor aos mais novos e não apenas a bisbilhotar em relações das que nada sabem. No consigo esquecer esse filme Philadelphia de Tom Hanks, que debate uma doença, mas nada sobre a reprodução social e a educação de uma prole criada por pessoas do mesmo sexo. Na minha experiência de Etnopsicólogo, tenho sido capaz de apreciar que essa criação é tão normal entre homo e heterossexuais. Depende do feitio, da adrenalina gasta ou usada, do entendimento dentro do casal.

 

Se me disserem que Portugal está a percorrer um caminho certo por permitir o acasalamento heterogéneo, outro galo cantava. Não é o indigitar bisbilhoteiro de como é que é entre casais do mesmo género, o que interessa. O que interessa é a reprodução social que as diversas formas de se acasalar, posa produzir entre os mais novos e os seus amigos.

 

Não falo de pedofilia, é outro assunto que está definido e provado em outros textos meus. Falo apenas da necessidade de reconhecer que há diversas formas de matrimónio, muito embora tenha existido una central elevada a categoria de Sacramento, entre cristão católicos, mas não entre cristãos luteranos, anglicanos, outros. É esse, no meu ver, o caminho na direcção certa e sem preconceitos. Mais uma vez Winnicot vêm a nossa ajuda ao dizer que não é preciso uma mãe, especialmente ao se prender do descendente como única alternativa e actividade da vida. . Por outras palavras, mãe ou pai que não se desmamam do filho ou da sua descendência, é o que faz mal aos mais novos, comportamento bem mais importante que despenalizar o de retirar da lista dos pecados, como fez Wojtila, no seu Catecismo de 1992.

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