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DIÁRIO DE BORDO, 17 de Abril de 2012

 

Foi dado a entender por vários membros do governo Passos /Portas que a política de austeridade ia, pelo menos ter um intervalo. Que não se previam mais medidas, a não ser por motivos excepcionais. Na realidade, ela continua aceleradamente. Ora vejamos, meramente a título de exemplo, algumas medidas tomadas nas últimas semanas, ou que parece estarem para sair:

Houve mais alterações, todas elas no sentido da redução de despesa ou da diminuição de direitos do trabalhador ou do beneficiário de um regime de protecção social. O problema é este: com a sua fúria pretensamente reformista, a actuar invariavelmente no sentido de beneficiar o lado dos possidentes (vulgo patronato) e de cortar a despesa pelo lado oposto, portanto reduzindo salários, benefícios, reformas, pensões, etc., o governo criou uma espiral redução de custos que leva à redução de receitas, que vai afundar as contas públicas e gerar (na realidade, já gerou) uma recessão incontrolável. Para travar a espiral fazem mais cortes, que provocam mais diminuição de receitas. Procurar compensar taxando o sector financeiro, os lucros da banca, ou similares, nem pensar. Nem fazer mais investimento público, apesar de este ser o processo melhor para contrariar o ciclo recessivo, e acabar com a tal espiral.

 

 

Há fortes dúvidas, para um número cada vez maior de pessoas, de que, com o actual governo, seja possível inverter a presente situação. Nem mesmo travá-la um bocadinho. E o mesmo seria com um governo parecido, um do tipo Sócrates/Seguro, pese aos saudosos de José Sócrates. Na realidade, Portugal tem estado a ser reduzido à miséria pela sua oligarquia dominante, aliada aos burocratas de Bruxelas. Embora conste que alguns destes andam pálidos com o que se passa no nosso país (mais do que na Grécia), porque nunca pensaram que o descaramento que por aqui reina fosse tão grande, esta aliança parece não estar ameaçada nos tempos mais próximos. Tem de se pensar em alternativas. Mas que não demorem.

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