O isco do aumento da meia hora de trabalho diária – por Octopus

Posted: 20 Jan 2012 03:55 PM PST

 

 

O  Conselho de Ministros tinha aprovado o aumento de meia hora diária do horário de trabalho no sector privado, sem uma data para a entrada em vigor dessa medida.

 

Essa medida foi, claro, legitimamente combatida pelos sindicatos, e até vários sectores do patronato que não viam grande vantagem nela. Por causa, era uma medida descabida, não aumentava a competitividade, reduzia os salários, e nem sequer era preconizada pela troika.

 

Na realidade essa medida era um isco.

 

 Ao chamar a si todas as críticas, o governo permitiu que, uma vez eliminada, o vasto conjunto das outras medidas alternativas parecessem menos más.

Assim o dirigente sindical da UGT acabou por assinar um acordo em que as condições de trabalho pioraram, mas que toda gente considera aceitáveis: menos más.

 

 Caiu a famosa meia hora de trabalho, mas temos:

– A criação de uma “bolsa individual” de 150 horas que será arbitrariamente gerida pelo patronato, o que constitui um autêntico “lay off” ao horário laboral, permitindo que o patronato obrigue os trabalhadores a realizar menos horas num dia, que poderão “compensar”, depois, noutro dia que melhor aprouver ao patronato, sejam elas prestadas num horário fora dos turnos habituais, seja a um sábado, domingo ou dia feriado, não sendo pagas como “horas extraordinárias”.

 

– Roubo de três dias de férias, passando dos 25 dias úteis anuais, para os vinte e dois.

 

– Eliminação de 3 ou 4 dias de férias.

 

– Possibilidade de despedimento por extensão de posto de trabalho.

 

– Despedir por inadaptação passa a ser possível sem introdução de novas tecnologias ou mudanças no posto, basta haver quebra continuada de produtividade ou qualidade

 – avarias repetidas ou riscos para a segurança e saúde, por culpa do trabalhador.

– O valor de horas extra cairá para metade

 

Todas estas medidas são mais gravosas do que a supostamente meia hora que o governo tentava impor. O método continua a ser o mesmo ludibriar o povo com uma medida inaceitável, que à partida serve de isco, para depois aprovar um conjunto de medidas lesivas que passam como aceitáveis.

 

 

 

 

 

 

1 Comment

  1. Carvalho da Silva denunciou, no próprio dia em que a CGTP abandonou as… o… cuméquechamãoáquilo?… A… , pois!, A! “Concertação Social” (estava-me mesmo mas mesmo mesmo… debaixo da língua…) o que Octopus tão claramente explicitou.Quanto ao papel da UGT, ah! a UGGGGGttttt… incensada periodicamente nos média por se manter SEMPRE nas negociações – ali, firme e hirta! – e conseguir sempre – mazé que sempre, óviram?! – um “acordo” menos gravoso para os trabalhadores que as propostas soezes e mal intencionadas de governos e organizações patronais! Proeza esta que comete, in-can-sa-vel-mente, todos os anos, acompanhando a degradação da legislação do trabalho – se necessário até ao estauto da escravidão – desde a sua criação (pelo PS e PSD e CDS, partidos dos quais, evidentemente, não depende de modo nenhum credo! nem pensar! córror! nunca jamais! agora! alguma vez! se até foi engendrada pelos tais partidos precisamente para ser totalmente independentemente mesmo frementemente intransigentemente e, sobretudo, …mente!, defensora dos trabalhadores QUE – sem ELA! – serviriam apenas os interesses políticos do PCP, quesse sim é manipuladeiro – sempre foi e há-de ser – de uma estrutura, por acaso (meeero!) unitária, surgida ANTES do 25 de Abril, com dirigentes presos – e a mulher de um que se suicidou e José Afonso imortalizou em canção – e que, ainda por cima, apesar da criação de uma UGT tão boa, mantém filiados de vários quadrantes políticos e até refugiados ex-filiados em sindicatos da UGT ou nos, ainda mais independentes, paridos directamente (e independentemente, claro!) pelo PSD, CDS, mais umas ajudas a todos do MRPP, trânsfugas da UDP e etc. que já se não me revolvem as tripas porque lá me fui habituando à desvergonha… quanto à UGT, dizia, faz-me lembrar uma história do género de (éssóuminxemplo…) os nuestros hermanitos cstelhanos quererem apoderar-se de Portugal, defendido epicamente pela UGT: no primeiro ano exigiam o Minho e Trás-os-Montes e a UGT, corajosamente – mas responsavelmente! -cedia-lhes só o Minho. No ano seguinte, exigiam terras até à Beira Alta e veríamos a UGT, esfuziante, clamar a sua grande vitória: só lhes cedera Trás-os-Montes! E assim, sucessivamente, até que, no penúltimo ano reivindicariam o pouco território que faltava, incluindo as Berlengas, de que, graças à valentia (ah! e sentido de responsabilidade!) da UGT viriam a desistir à última hora – mas só do ilhéu mais minúsculo…, do cucuruto do qual o heróico Proença explicaria aos habitantes de todo o Portugal Continental, Madeira e Açores a magnitude da sua acção responsável e dialogante, ao contrário dos malandros da CGTP, que permaneciam entrincheirados – contra toda a razoabilidade – por todas as províncias, desferindo malévolos golpes de guerrilha no pacífico e benemérito invasor, organizando acções de rua com exigências descabidas de independência, de retoma do ensino do português às criancinhas (que eram livres de o praticar em visitas ao ilhéu) e outras bizantinices impróprias de um povo civilizado e trabalhador (ah! é verdade – desculpem, mas esqueci-me de ler o jornal de hoje – e RESPONSÁVEL!)… Do Último Ano não rezaria a estória… …SSSSSE

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