DIÁRIO DE BORDO, 17 de Abril de 2012

 

Foi dado a entender por vários membros do governo Passos /Portas que a política de austeridade ia, pelo menos ter um intervalo. Que não se previam mais medidas, a não ser por motivos excepcionais. Na realidade, ela continua aceleradamente. Ora vejamos, meramente a título de exemplo, algumas medidas tomadas nas últimas semanas, ou que parece estarem para sair:

  • Acabaram as reformas antecipadas.  A medida foi anunciada de um dia para o outro, oficialmente para evitar uma corrida aos pedidos de reforma.
  • Fala-se em aumentar a idade mínima de reforma para 57 anos e a máxima para 67.
  • Novas regras para o Rendimento Social de Inserção.
  • Novas regras para a concessão de subsídio de desemprego
  • Contratos a termo para a função pública passam a caducar sem aviso prévio e sem direito a indemnização
  • A “suspensão” dos subsídios de Natal e de férias que era para vigorar em 2012 e 2013 já está para ser prolongado até 2015, e a partir daí ser reposto gradualmente.

Houve mais alterações, todas elas no sentido da redução de despesa ou da diminuição de direitos do trabalhador ou do beneficiário de um regime de protecção social. O problema é este: com a sua fúria pretensamente reformista, a actuar invariavelmente no sentido de beneficiar o lado dos possidentes (vulgo patronato) e de cortar a despesa pelo lado oposto, portanto reduzindo salários, benefícios, reformas, pensões, etc., o governo criou uma espiral redução de custos que leva à redução de receitas, que vai afundar as contas públicas e gerar (na realidade, já gerou) uma recessão incontrolável. Para travar a espiral fazem mais cortes, que provocam mais diminuição de receitas. Procurar compensar taxando o sector financeiro, os lucros da banca, ou similares, nem pensar. Nem fazer mais investimento público, apesar de este ser o processo melhor para contrariar o ciclo recessivo, e acabar com a tal espiral.

 

 

Há fortes dúvidas, para um número cada vez maior de pessoas, de que, com o actual governo, seja possível inverter a presente situação. Nem mesmo travá-la um bocadinho. E o mesmo seria com um governo parecido, um do tipo Sócrates/Seguro, pese aos saudosos de José Sócrates. Na realidade, Portugal tem estado a ser reduzido à miséria pela sua oligarquia dominante, aliada aos burocratas de Bruxelas. Embora conste que alguns destes andam pálidos com o que se passa no nosso país (mais do que na Grécia), porque nunca pensaram que o descaramento que por aqui reina fosse tão grande, esta aliança parece não estar ameaçada nos tempos mais próximos. Tem de se pensar em alternativas. Mas que não demorem.

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