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OS MEUS MESTRES – 8 – por Dorindo Carvalho

 

 

Poderia ter conhecido o José Saramago em 1968. Estive uma vez em sua casa quando ele era casado com a Ilda Reis, mas ele não estava. A Ilda Reis, excelente gravadora pouco lembrada mas de obra reconhecida, participou comigo em algumas exposições colectivas de Artes Plásticas. Foi na altura de uma dessas exposições que fui a casa da Ilda acompanhado da Mariana Quito, outra excelente gravadora e pintora também pouco recordada. A Ilda estava só com a Violante, a filha do casal.

 

Pessoalmente só conheci o Saramago pela sua passagem fugaz na Diabril Editora, uma cooperativa editorial de curta existência, na qual eu fazia parte da direcção, e onde já no seu final o Saramago se juntou.

 

Até a essa altura o Saramago apenas tinha editado TERRA DO PECADO e três livros de poesia, OS POEMAS POSSÌVEIS, PROVÁLMENTE ALEGRIA e O ANO DE 1993, ligado que estava ao jornalismo, tendo passado por último pelo Diário de Notícias como Director-Adjunto.

 

Pela experiência vivida, Saramago toma a decisão de mudar o curso da sua escrita: substituir de vez a de jornalista por a de ficcionista.

 

Pouco tempo depois edita o MANUAL DE PINTURA E CALIGRAFIA.

 

Depois de encerrada a Diabril tive poucos contactos com o Saramago, mas em contrapartida fui tendo os seus livros.

 

Em 1988, estava eu na Venezuela, a Comissão Fernando Pessoa, que em 1990 deu lugar ao Instituto Português de Cultura (IPC), convidou o Saramago para ir a Caracas para as comemorações do Dia de Portugal e do centenário do nascimento de Fernando Pessoa.

 

Durante a sua estadia em Caracas, nas palestras que deu, como por exemplo no Centro de Estudos Latinoamericanos Rómulo Gallegos (Celarg), em conferências de imprensa e encontros com a Comunidade Portuguesa na Venezuela, como membro da direcção da Comissão Fernando Pessoa, sempre o acompanhei.

 

 

 

 

Na altura foi publicado nos jornais da Venezuela um desenho/caricatura que fiz alusivo às teses iberistas da fusão de Portugal e Espanha num único Estado que Saramago defende na JANGADA DE PEDRA:

 

 

 

 Para mim foi uma excelente oportunidade de estar com ele, de conversar-mos muito, e de sentir mais de perto,  não  só escritor que  entretanto já  tinha conquistado o respeito internacional  com  os seus livros LEVANTADO DO CHÃO;  MEMORIAL DO CONVENTO e  O ANO DA MORTE  DE RICARDO  REIS,  mas  o José Saramago como cidadão interventivo, cívico e político.

 

Depois encontramo-nos uma vez por outra, sempre em encontros casuais e rápidos, mas os seus livros seguiram sempre fazendo-me sentir a sua companhia, O ENVAGELHO SEGUNDO JESUS CRISTO, ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA, A CAVERNA e todos os outros largamente conhecidos.

 

Escritor, argumentista, teatrólogo, ensaísta, jornalista, dramaturgo, contista, romancista e poeta, vencedor do Prémio Camões em 1995 e galardoado com o Nobel de Literatura de 1998, criador de um estilo único na literatura contemporânea, sendo considerado por muitos críticos um mestre no tratamento da língua portuguesa. Um verdadeiro MESTRE.

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