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EM COMBATE – 57 – por José Brandão

 

Batalhão de Caçadores 2877

 

ANGOLA
1969-1971

 

Na manhã de 12 Julho de 1969 as subunidades do BCaç 2877 deslocaram-se para o Cais da Rocha de Conde de Óbidos onde se efectuou a concentração do Batalhão. Após formatura, juntamente com o BCaç 2878, à qual foi passada revista pelo Exmº Chefe do Estado-Maior do Exército que proferiu uma alocução de exortação às forças em parada, procedeu-se ao embarque no paquete “Vera Cruz” com destino à Região Militar de Angola.

 

 

OS PRIMEIROS MOMENTOS DA VIAGEM

Após o desfile militar e o regresso ao navio, onde já tínhamos estado para saber do local de alojamento e colocar as bagagens, a amurada do “Vera Cruz”, nos seus diversos níveis, ficou repleta.

 

Foram as derradeiras despedidas, com o barco a largar os cabos e a fazer soar a sua potente ronca, sinal que zarpava definitivamente a caminho do desconhecido.

 

Aqui vamos nós a caminho de Luanda.

 

Nestes primeiros momentos da viagem, a novidade e a curiosidade pela viagem por mar, num paquete de grandes dimensões, sobrepunha-se, naturalmente, ao receio da guerra.

 

Uma passagem pelo Funchal para embarcar mais militares que aí se aprontaram para a ida para o teatro de operações da guerra de Angola, dava também, mais alguma folga aos principais temas dos nossos pensamentos – Angola, Guerra, etc.

 

Para alguns de nós, a possibilidade de desembarcar no Funchal, para dar uma olhadela aos principais pontos de interesse da cidade e arredores mais próximos, a compra dos típicos chapéus de palha e, umas garrafas do afamado vinho Madeira, serviram para amenizar a tensão própria da viagem.

 

Meia dúzia de horas, não foram muitas, mas o suficiente para conhecer a baixa da cidade do Funchal e alguns locais de interesse na periferia mais chegada do porto onde se encontrava acostado o “Vera Cruz”.

 

Regresso a bordo e a viagem a prosseguir, agora sem qualquer outra paragem até Luanda.

 

Para os Sargentos e Furriéis, assim como para os Oficiais, havia uns tanques a que pomposamente chamavam piscina, onde se podia passar um pouco do nosso tempo, amenizando um pouco a experiência da viagem.

 

E assim íamos a navegar, muitas horas seguidas, ou quase sempre, com o “Vera Cruz” adornado para bombordo aproveitando a ajuda dos ventos alísios que se faziam sentir no oceano Atlântico Sul. Alguns exercícios de treino para situações de emergência a bordo, também foram efectuados.

 

De resto, o tempo sempre se ia passando.

 

Porque esta viagem se estava a tornar monótona, sempre alguns foram experimentando umas jogadas de cartas: Sueca, King e Lerpa.

 

Estes eram os jogos mais difundidos.

 

Acontece que a tripulação do “Vera Cruz”, habituada que estava ao transporte de “maçaricos” de e para Lisboa, sempre foi aproveitando para fazer as suas negociatas de contrabando.

 

Os relógios e outros apetrechos “made in Japan” eram a mercadoria que frequentemente era comercializada.

 

Recordo os relógios marca Seiko e Orient, muito vendidos durante toda a viagem.

 

E Assim ia decorrendo a viagem, felizmente sem quaisquer contratempos meteorológicos.

 

O tempo foi-se mantendo sempre de feição, sem nuvens, sem “mareta”, tendo ocasionado uma viagem sem balanços e sem os habituais “enjoos” de quem tem “medo” do mar.

 

De quando em vez, os peixes voadores iam acompanhando o “Vera Cruz” na sua viagem.

 

Estes peixes, aproveitando a aerodinâmica das suas barbatanas dorsais, faziam longos voos por cima da água, como se pássaros fossem, ocasionando o espanto da grande maioria de nós.

 

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