Companhia de Caçadores 1678
ANGOLA 1967-1969
MOBILIZAÇÃO
O processo que levava um jovem militar até Angola iniciava-se habitualmente logo após o final da instrução da especialidade, para um atirador, e tanto fazia sê-lo de infantaria, cavalaria ou artilharia, após ser dado como pronto vinha a ordem de mobilização. O caso mais vulgar e típico era o de o militar pertencer a uma companhia e esta a um batalhão. A ordem de mobilização originava a guia de marcha para a unidade mobilizadora, (neste caso Regimento de Infantaria de Abrantes). Aí se juntavam os militares vindos dos vários centros de instrução, os graduados e os comandantes.
A Companhia (CCaç 1678) e o Batalhão (BCaç 1910) já tinham um número de código atribuído e, aos poucos, surgiam os especialistas diversos, os condutores, transmissões, enfermeiros e cozinheiros, de modo a que se preenchesse o quadro orgânico respectivo. Enquanto se formava a unidade, realizavam-se os exercícios de instrução, IAO, (instrução de aperfeiçoamento operacional), com os conselhos sobre o que fazer em Angola, para sobreviver, recebiam-se as vacinas, o camuflado e, por fim, a unidade estava pronta. Chegava a ordem de embarque e então o contingente formava em parada no quartel.
Nos primeiros tempos, o capelão rezava uma missa campal, que depois caiu em desuso; o comandante da unidade mobilizadora, um coronel, proferia umas palavras alusivas à missão e entregava o guião ao comandante do Batalhão mobilizado, um tenente-coronel; as tropas desfilavam ao som da música, era concedida a licença de dez dias antes de embarque e pagas as ajudas de custo. Neste momento, o militar era um mobilizado, ia a casa, despedia-se da família, fazia umas asneiras por conta, arranjava umas correspondentes para lhe escreverem, ou umas madrinhas de guerra, e voltava à unidade mobilizadora para daí iniciar verdadeiramente a viagem.
“VERA CRUZ”
Foi neste navio “Vera Cruz” que a Companhia Caçadores 1678 (BCaç 1910) embarcou no Cais de Alcântara (?) no dia 17 de Maio de 1967 pela manhã com destino a Angola, aonde chegou ao porto de Luanda no dia 27 de Maio, e depois de comboio cerca de 10 km para o Campo Militar do Grafanil. Aí as primeiras “desilusões e tristezas ” para 10 praças, que foram retirados da Companhia e enviados para uma Unidade do recrutamento de Angola, os mesmos foram substituídos por 10 praças nativos da Província, assim como 4 Furriéis Milicianos para completar o quadro da Companhia. No dia 2 Junho/67 pela manhã saída para Balacende aonde se chegou no mesmo dia.
AQUARTELAMENTO DE BALACENDE.
Foi nestas “belas instalações” que a CCaç “viveu” de 02Jun67 a 09Maio67, população civil não havia, água potável também não, enfim nada de mordomias, também não estávamos ali para férias. Luanda ficava a cerca de 95 km, Quicabo (Sede do Batalhão 1910) a 15 km e Nambuangongo a 40 km.

