Tarde de Concerto
1 ª. Sinfonia de Gustav Mahler (integral)
Diz António Victorino d’Almeida no capítulo “A Fonte da Modernidade” do seu livro Músicas da Minha Vida (Dom Quixote):
(…)
Entretanto, há quem defenda — e com alguns argumentos válidos — que a aventura da atonalidade, sem dúvida uma das grandes conquistas estéticas do século XX, terá afinal começado com Wagner, mais precisamente com os acordes iniciais do «Tristão e Isolda».
Em boa verdade, parece-me que esse desígnio libertador de princípios tonais anquilozados e de índole redutora já se pressentia no fascínio pelo cromatismo que se nota na música de um Schubert, por exemplo, ou mesmo até — recuando uns séculos — de um Gesualdo.
Mas isso é trabalho de investigação para verdadeiros musicólogos.
O modernismo que busca uma via concreta de afirmação, servindo-se ou não de sistemas tonais, atonais ou politonais, teve efectivamente um admirável iniciador em Gustav Mahler, razão pela qual os espíritos mais progressistas do seu tempo (…) nunca se cansaram de o defender e tentar promover.
Mas o próprio Mahler sabia e afirmava que o seu tempo ainda não tinha chegado…
Também não será demais lembrar que ainda nos anos 70, em grandes meios musicais europeus, havia pessoas que se consideravam informadas e evoluídas, mas que ignoravam ostensivamente a música de Mahler, considerando que seria em muitos aspectos ordinária e ligeira!
E continuavam, isso sim, a afirmar que se tratara insofismavelmente de uma grande personalidade…!
Por aberrante que isso possa parecer, a verdadeira consagração internacional de Mahler como compositor começou de facto no dia em que Visconti estreou «A Morte em Veneza», utilizando na banda sonora musical o adagietto da 5.a Sinfonia, e estabelecendo uma relação algo absurda, aliás, entre a personagem central, criada por Thomas Mann, e a figura de Mahler.
Depois, surgiram as primeiras integrais em disco das Sinfonias e nunca se deverá esquecer a importância fundamental das interpretações de Leonard Bernstein, à frente da New York Philarmonic, da Concertgeboworkest Amsterdam e da Wiener Philarmoniker, numa edição da Deutsche Gramophon, ref. 435 162-2.
Infelizmente não conseguimos obter a integral da 5ª. Sinfonia dirigida por Leonard Bernstein. Mas deixamos aqui a gravação completa da 1ª. na igualmente magnífica condução do maestro à frente da Filarmónica de Viena.
Nota: o écran pleno e o uso de auscultadores aumentam grandemente a fruição deste espectáculo. Tenham uma boa tarde com a música.
