Da «comédia portuguesa» ao Novo Cinema português
Temos estado a exibir EM VAMOS AO CINEMA filmes portugueses das décadas 30 a 50, desde o advento do cinema sonoro até ao aparecimento dos primeiros filmes do chamado Novo Cinema. Encerramos este ciclo na próxima sessão com um filme mudo – Lisboa, crónica anedótica, realizado em 1930 por Leitão de Barros.
Não sendo possível mostrar tudo o que se fez, pois há filmes de que não existem vídeos disponíveis, pensamos ter proporcionado uma amostragem ampla e ilustrativa deste período. Em dois pequenos posts, faremos uma reflexão sumária sobre esta etapa do cinema português que, toda ela decorreu durante a vigência do Estado Novo. Circunstância histórica que marcou profundamente o trabalho de produtores, realizadores e actores e se reflectiu nos resultados obtidos.
Somos considerados gente bisonha, um povo triste e permanentemente envolvido numa nostálgica neblina de onde esperamos ver surgir um Dom Sebastião que resolva os problemas que não conseguimos solucionar colectivamente. Não sabemos se é verdade ou se não será apenas un cliché. No entanto, desde Gil Vicente, passando por António José da Silva, Rafael Bordalo Pinheiro, André Brun e Gervásio Lobato, sempre a face pícara da nossa realidade nacional tem sido material privilegiado de criação artística, nomeadamente na arte do espectáculo.
O Estado Novo através de intelectuais que o serviam, como António Ferro, apercebeu-se da força que o cinema tinha junto das massas. Faltavam, no entanto, estruturas industriais que permitissem desenvolver uma produção suficiente para alimentar o mercado de cinéfilos que entretanto se criara, nãao cessando de crescer – actores como Rodolfo Valentino, Pola Negri, John Barrymore, Charles Chaplin, eram já ídolos em Portugal – apareciam revistas; os postais publicitários com retratos dos artistas eram conservados, permutados. Criavam-se companhias cinematográficas no Porto e em Lisboa. Os teatros iam sendo adaptados a salas de cinema.
Quando o sonoro surgiu, aconteceu aqui o mesmo que em todo o mundo – uma resistência à mudança («Teodoro, não vás ao sonoro…»). Breve, pois logo foi substituída por uma generalizada admiração pelas deixas de Vasco Santana, pela verve irresistível de António Silva, pela voz e pela graça de Beatriz Costa… E a produção de filmes, pese embora a carência de infra-estruturas, foi incrementada. O último filme mudo, foi “Lisboa- crónica anedótica” – realizado em 1930 por Leitão de Barros, com o grande Chaby Pinheiro no principal papel. É o filme que apresentamos na próxima sessão e o útimo que integra este ciclo.
A seguir – Os primeiros filmes sonoros. A comédia portuguesa.

