Site icon A Viagem dos Argonautas

Uma série, Uma viagem ao mundo da alta finança.

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

(continuação)

4. Bancos Suiços – O fim dos anos casino – IV

 

Cyril Jost

 

 

Qualidade suiça, esperança última

 

Que visão do futuro podem ter os bancos suíços  num contexto de tanta  incerteza? Alguns têm a esperança de um novo começo: “Nós já dispomos de um serviço de qualidade superior à média internacional, mas existem novas oportunidades para aproveitar, particularmente na gestão de activos ou no mercado de matérias-primas “,insiste Patrick Odier. A gestão de fortunas continua a ser atraente, embora seja menos rentável, diz-se.


E os bancos suíços têm grandes expectativas no acesso ao mercado da União Europeia, negociado em cada acordo  Rubik. “Este acesso é a condição sine qua non para manter o centro financeiro suíço, disse Nicolas Pictet. Espera-se que as autoridades suíças terão esta realidade em conta, quando negociarem os detalhes do acordo. “

 

“O acesso ao mercado europeu acesso é a condição sine qua non para manter o centro financeiro suíço, disse Nicolas Pictet.”

Nicolas Pictet, presidente da Associação dos Banqueiros Privados Suiços

 

Em Genebra, conta-se igualmente muito sobre o financiamento do comércio de matérias-primas, as commodities, onde se empregam cerca de mil pessoas. Para a ABS, esta é uma área onde existem oportunidades de crescimento para os bancos suíços. “Este é uma actividade promissora, com um subjacente útil e nobre.”, disse Alexandre Zeller. Mas o desenvolvimento de novas actividades deste tipo não será suficiente para compensar o impacto da erosão da margem na gestão de activos? A questão permanece em aberto.

 

Há também um cenário mais pessimista: os acordos Rubik poderiam não se concluir tão facilmente como se esperava. Pior ainda, a troca automática de informação poderá acabar por se impor. Em paralelo, o caso dos bancos acusados de estarem envolvidos em casos de fraude fiscal nos Estados Unidos não foi ainda resolvido. “A criminalização do modelo de negócio é o pior veneno para um banco a trabalhar activamente no exterior, diz Konrad Hummler, sócio-gerente da Wegelin. Tanto quanto há incerteza jurídica sobre o ambiente internacional em que operamos, não podemos crescer. “

 

O espectro criado por Ivan Pictet, em 2009 – uma redução substancial do peso do sector financeiro no PIB – talvez não seja completamente irrealista. Conscientes  destes riscos, os bancos estão já a tomar as suas disposições, estão a apostar nos mercados emergentes. “Será necessário observar de perto onde é que novos empregos são criados, lembra um membro do governo federal. Enquanto a Ásia tem todas as oportunidades de crescimento, isso significa que os novos locais de trabalho serão todos em Hong Kong ou em Singapura? Para as pessoas na indústria, na Suíça, isto muda tudo. “

 

“O financiamento do negócio em matérias-primas é uma actividade promissora com uma base útil e nobre.”

Alexandre Zeller, CEO do HSBC Private Bank (Suíça)

 

Referindo-se às mudanças em curso no sector, Philipp Hildebrand falou recentemente diante de uma plateia de banqueiros em Genebra sobre uma “mudança de paradigma”. O ex-gestor de Hedge fundos que se transformou num banqueiro central parece bastante convincente quando insiste na irreversibilidade das actuais tendências: quadro regulamentar muito restrito, muito apertado, fim dos anos casino no que se refere ao banco de negócios, a necessidade de um novo modelo de práticas bancárias para os ( gestores de fortunas) exclusivamente na base de activos declarados.


Mas o que dizer dos outros 125.000 profissionais na banca que vivem neste país? Eles estão prontos para enfrentarem os anos difíceis que vão ter pela frente? Estarão eles prontos para mudarem os seus esquemas de pensamento? Um alto funcionário próximo dos banqueiros resume a situação à sua maneira: “As mudanças actualmente em curso estão racionalmente adquiridas. Mas ainda não completamente do ponto de vista emocional. “Matar o mito para o reconstruir de novo, este é o derradeiro desafio.________________________________________

 

Contribuição para o Produto Interno bruto


O sector financeiro cresceu a uma taxa duas vezes superior


Em trinta anos, o sector financeiro tem crescido de maneira excepcional, passando de 5,5% do peso total do PIB da Suíça para 10,6%, com um pico em 2007 onde atingiu 12,9%. Isso representa uma média de crescimento anual de 4,2%, enquanto a economia como um todo cresceu à taxa anual de 1,6% ao ano durante o mesmo período. Se excluímos os seguros, o peso dos bancos era de 6,5% do PIB em 2010. Os dois grandes bancos UBS e Crédit Suisse representam, só eles, cerca de metade da contribuição do sector bancário para o PIB.

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