DIÁRIO DE BORDO, 7 de Setembro de 2012

 

Lê-se no Público (num estudo de Ana Rute Silva) de ontem que Portugal desceu no índice global de competitividade, da 45ª para a 49ª posição. Este índice, que basicamente é uma avaliação feita pelo Fórum Económico Mundial, é calculado com base em doze pilares, cada um deles assentes em inquéritos a gestores e em dados oficiais, e com ponderações que variam em função do grau de desenvolvimento da economia de cada país. Inclui 144 países. Os pilares abrangem desde as infra-estruturas disponíveis á sofisticação empresarial. O Público informa-nos ainda que os pilares que mais contribuíram para a descida portuguesa foram o acesso ao financiamento (estamos em 109º lugar), solidez dos bancos (122º), mercados financeiros (99º) e dívida pública (138º). Informa também que, quanto a outros pilares, estamos no extremo oposto: no que respeita a estradas estamos em 4º lugar (subindo do 5º), 11º quanto a qualidade de infra-estruturas e 31º quanto a inovação.

Sem dúvida que a visão peculiar do Fórum Económico Mundial, perfeitamente patente nas suas reuniões anuais em Davos, pesa na concepção e nos métodos utilizados na recolha deste índice. A cidade suíça de Davos é a mais alta da Europa, e a Suíça é o nº 1 no tal índice global de competitividade há três anos consecutivos. Será tudo coincidência? Diário de Bordo pede licença para um intervalo num assunto tão sério e bradar: viva o luxo! Para se perceber bem o alcance deste índice seria necessária uma análise aprofundada de como foi elaborado e de como é posto em prática. Mas é claramente significativo o desequilíbrio assinalado no trabalho de Ana Rute Silva, do Público. A análise de como se criou esse desequilíbrio, uma análise aprofundada, seria do maior interesse para a sua compreensão, e daria algum contributo para o avanço do país. Quem poderá levar a cabo, de modo eficaz, essa análise? É duvidoso que o Fórum de Administradores de Empresas (FAE) e Proforum – Associação para o Desenvolvimento da Engenharia, representantes em Portugal do Fórum Económico Mindial o consigam fazer de modo que interesse aos portugueses em geral, e não apenas a alguns dos chamados investidores.

Portugal também não parece estar firme no índice de desenvolvimento humano, elaborado pelo indiano Amartya Sen e pelo paquistanês Mahbub ul Haq, em 1990, e incluído no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Este índice mede comparativamente items relativos à riqueza, educação, natalidade, esperança de vida e outros factores em 185 estados membros das Nações Unidas. Portugal, em 2011, ficou classificado em 41º lugar, tendo descido de 40º. A Noruega ocupa o primeiro lugar. A Suíça fica-se pelo 11º.

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