Cyril Jost
Redimensionamento do UBS e do Credit Suisse, a nova estratégia de “dinheiro limpo” para as instituições que trabalham na gestão de fortunas de estrangeiros. Os bancos suíços tomam nas suas mãos o controle de seu destino e apostam no longo prazo. Mas qual será o preço dessa transformação? O sector financeiro vai ele diminuir de dimensão? Inquérito.
Era necessário ousar. Na segunda-feira, dia 12 de Setembro, a Associação Suíça de Banqueiros (ASB) convocou a imprensa nos salões tranquilos de um pequeno hotel de luxo em Zurique para apresentar os resultados gratificantes de um estudo sobre o sector financeiro. “A praça tem boas perspectivas, em princípio, para o futuro”… “Em todas as áreas, podemos claramente esperar um crescimento em volume”… “As receitas dos bancos podem aumentar 17% em cinco anos”…
Será que você perdeu algum episódio? Crédit Suisse nos Estados Unidos, operações ilegais de um corretor de UBS em Londres, o redimensionamento da divisão de banco de investimento nas duas instituições… Desde o início do ano, as más notícias chovem no sector da finança.
Photo tirée de la série “BANK ON US” de Mark Henley
Redimensionamento do UBS e do Credit Suisse, a nova estratégia de “dinheiro limpo” para as instituições que trabalham na gestão de fortunas de estrangeiros. Os bancos suíços tomam nas suas mãos o controle de seu destino e apostam no longo prazo. Mas qual será o preço dessa transformação? O sector financeiro vai ele diminuir de dimensão?
Inquérito investigação
Era necessário ousar. Na segunda-feira, dia 12 de Setembro, a Associação Suíça de Banqueiros (ASB) convocou a imprensa nos salões tranquilos de um pequeno hotel de luxo em Zurique para apresentar os resultados gratificantes de um estudo sobre o sector financeiro. “A praça tem boas perspectivas, em princípio, para o futuro”… “Em todas as áreas, podemos claramente esperar um crescimento em volume”… “As receitas dos bancos podem aumentar 17% em cinco anos”…
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Será que terá perdido algum episódio ? Credit Suisse nos Estados Unidos, operações ilegais de um corretor de UBS em Londres, o redimensionamento da divisão de banco de investimento nas duas instituições… Desde o início do ano, as más notícias chovem no sector da finança.
Sem mencionar cortes nos níveis de empregos: UBS e Credit Suisse (3500 postos de trabalho cada, com várias centenas na Suíça), UBP (200 a 300 postos em Genebra), Julius Baer (150 postos). Publicado no início de Novembro, o indicador bancário trimestral do centro de investigação sobre a conjuntura KOF mostrou uma tendência negativa pela primeira vez desde há dois anos.
Genève Place Financière, no seu inquérito económico anual, conclui que três quartos dos bancos com mais de 200 funcionários em Genebra prevêem redução de pessoal em 2012.
Crise moral. No longo prazo, paira a maior incerteza sobre o futuro dos bancos na Suíça. Quantos milhares de milhões deixarão o país quando se trata de regularizar os fundos não declarados, em virtude da nova estratégia de “dinheiro limpo”? A louca especulação no domínio da banca de investimento e do bónus desenvergonhados para os traders, será que alguma coisa acabou?
O sector financeiro, que cresceu duas vezes mais rápido que o resto da economia ao longo destes últimos trinta anos, poderá perder em importância? E como é que esta profissão, que se diz hoje em “re-moralização” poderá ela continuar a atrair jovens recém-formados saídos das Universidades, depois de todas as partidas pregadas nestes últimos anos? Na realidade, ninguém sabe o que o amanhã nos trará. O Hebdo conversou com uma vintena de personalidades de uns vinte bancos, de instituições financeiras, do governo federal e de universidades para tentar obter uma visão geral dos desafios que esperam este sector.
Muitos oradores quiseram manter o anonimato, invocando o período particularmente delicado que o sector atravessa. As expectativas parecem ser estar suspensas pela expectativa da aplicação rápida dos acordos “Rubik”, considerado como um mal menor que deverá permitir vir a enterrar o passado bem pesado.
A maioria dos interlocutores também questionam as perversões de um sistema que permitiu que alguns gestores no campo da banca de investimento enriquecessem durante os anos faustos, sem terem que pagar as consequências quando os resultados das suas instituições caíram. A redução actual na divisão do banco de investimento UBS e do Crédit Suisse parece mostrar uma tomada de consciência. Resta saber as consequências a longo prazo sobre a praça financeira suíça.
1 “Rubik”, bom para os bancos?
Os banqueiros não gostam que se lhes lembre, mas em Fevereiro de 2009, um dos seus, antigo Presidente de Genève Place Financière, Ivan Pictet, tinha estimado numa entrevista ao Temps que “sem a distinção [entre fraude fiscal e a evasão], o sector financeiro, em vez de representa cerca de 12% do PIB, não representará talvez mais do 6 a 7%.
Uma declaração-choque que confirmou aquilo que poucas pessoas tinham ousado dizer publicamente no passado: que grande parte das fortunas geridas na Suíça eram fortunas não declaradas. Alguns números tinham já circulado: Deutsche Bank afirmou que 70% dos activos não declarados entre aqueles que estão na posse de estrangeiros e geridos na Suíça; Helvea tinha feito estimativas semelhantes. Mas nenhum dado oficial, obviamente, foi até agora publicado pela ASB.
(continua)

