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UM TRABALHO SOBRE PROVÉRBIOS – por Magalhães dos Santos

Ando – há meses – enterrado até ao pescoço num trabalho a respeito de provérbios.

 

Comecei por pensar que ia fazer algo como FAUNA E FLORA NOS PROVÉRBIOS PORTUGUESES.

 

À medida que as coisas iam andando (ainda só com provérbios portugueses), ia eu vendo que a cousa ia ficar muito extensa, digamos que impublicável.

 

E resolvi compartimentá-la: Faria dois trabalhos: ANIMAIS NOS PROVÉRBIOS e PLANTAS NOS PROVÉRBIOS.

 

E dei conta de que só com provérbios sobre HOMENS (em algumas línguas de que tenho uns conhecimentozinhos) já dava (dará) para mais de cinquenta páginas. E de que com os relativos a MULHERES a cousa seria ainda mais extensa. (Se não forem 150%, andará lá muito perto… E tanta pancadinha que elas apanham, com mais justiça ou com menos justiça! É um “louvar a Deus”! Com machismo que sobre! Talvez venha a falar disso… se me deixarem, clarinete!)

 

Só lhes digo que encontrei por lá – pelas várias obras consultadas – alguns de a gente se torcer!…

Principalmente se estivermos atentos a “cousas” que por aqui se passam…

Um deles é este:

 

Miguel, Miguel, não tens abelhas e vendes mel?!

Digam-me só: Não tem gracinha?

 

Se gostaram desse, que me dirão destes dois:

Lambiendo culos subió Miguel, y ahora le lamben el culo a él. Lamiendo culos a la cumbre subieron muchos.

Passando por cima daquela coisa dos culos (quem se mete em coisas de linguagem do Pobo – seja ele português seja de outras nacionalidades! – não está livre de esbarrar com este palavreado mal soante…), fechando olhos e ouvidos àquela horrorosa obscenidade (vá lá que não é em Português, sempre a minha punição fica mais aliviadinha…) não é de a gente se rebolar?…

 

Já agora… Costumo ouvir, aos sábados de manhã, julgo que entre as 9h e as 10h, um interessante programa da Antena Um, A VIDA DOS SONS, das jornalistas Ana Aranha e Iolanda Ferreira, entre outras e outros.. É um ano passado em revista, não só de factos  passados em Portugal mas também no Estrangeiro. Julgo que ou já passou de 1972 ou está a chegar lá, não garanto.

 

Passam excertos de reportagens feitas à altura dos acontecimentos. E talvez – quase de certeza! – em todos os

sábados se ouvem vozes bastante conhecidas, daquelas facilmente identificáveis.

 

Por exemplo, a do José Saramago, a dizer: O homem mais sábio que conheci não sabia ler nem escrever.

E também uma outra voz – inesquecível para quem, em 1974 já tivesse os seus trinta aninhos – que, naquele tom sentencioso e dogmático que informou-enformou boa-infeliz parte do Zé, dizia esta frase magnífica (mais magnífica e magnificente ainda por vir da autoridade que ele era):

 

AS COISAS ESTÃO BEM ASSIM E NÃO PODIAM SER DE OUTRA MANEIRA!

 

Quem isto dizia faleceu em 1970 (Há provérbios que a experiência nos ensina a corrigir. Um deles é “Morreu o bicho, acabou-se a peçonha”. Está a ser o caso com esse senhor).

 

Há hoje pessoas na governação deste triste e amargurado povo que usariam calções quando se deu o infausto acontecimento da inumação do luminar. Outras ainda gatinhavam ou ainda nem sequer tinham visto a luz do dia, do que muito se tem ressentido a posterior Nação. Mas os bons exemplos ficam, os grandes escritos continuam a ensinar. Vejam-se os de Maquiavel, (que está a fazer tijolo há quase quinhentos anos). Isto para não recuar mais!

 

Se há outra vida e outro mundo, deve ser um regalo, para quem se despediu de uma e de outro, verificarem, lá de cima ou lá de baixo, que não está esquecido, que a sua palavra, o seu exemplo, a sua obra deitou raízes e dá fruto!

 

Voltando ao assunto inicial:

 

PELO FRUTO SE CONHECE A ÁRVORE.

 

E este provérbio (este, pelo menos este, reveste-se da sageza que em geral se atribui a esses repositórios de sabedoria) tem boa e antiga origem. É atribuído, no Evangelho de S. Mateus, a Jesus:

 “toda árvore boa dá bons frutos, e a árvore má dá maus frutos. Não pode a árvore boa dar maus frutos, nem a árvore má dar bons frutos. Toda árvore que não dá bons frutos será cortada e lançada no fogo. Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis. (Mateus, VII: 15-20).

Não há por aí quem tenha um machado bem afiado?…

       

Magalhães dos Santos           26 de julho de 2012

 

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