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DIÁRIO DE BORDO de 13 de Agosto de 2012

 

Não ter conta no Facebook é  visto com maus olhos. Nós, os que sabemos como custa criar e manter uma amizade, como são raros, ao longo de uma vida, os verdadeiros amigos, assistimos com um certo espanto à facilidade com que numa rede social se arranjam 500, mil amigos. É, no mínimo, uma tontice.  Sabemos de pessoas de grande cultura e inteligência que aderiram ao Facebook, ao Twitter Mas as pessoas muito inteligentes e de grande cultura não estão livres de cometer tontices…

Um amigo envia-nos uma referência a um artigo da revista Forbes segundo o qual nos Estados Unidos há empresas que têm reservas na contratação de jovens que não tenham conta no Facebook, considerando tratar-se de um “comportamento suspeito”.  Sempre segundo o mesmo artigo da Forbes, há  empresas com departamentos destinados a verificar se os candidatos a um lugar não têm conta no Facebook,  como dizem ter nas candidaturas. Para as empresas, o facto de um jovem não querer divulgar ou não ter perfil na rede social pode significar que oculta alguma coisa ou que é um anti-social.

 Se, tiver conta e for contratado, será investigado pela empresa que quer saber como se comporta entre amigos e se tem a postura que a empresa pretende. Há psicólogos com a mesma opinião. Em entrevista à revista alemã “Der Taggspiegel”,  Christopher Moeller diz que, desde que uma pessoa não se  vicie no Facebook e que tenha contacto com os amigos virtuais na vida real, as redes sociais “são uma parte natural da vida actual”. O psicólogo acha que não ter conta no Facebook pode ser sintoma de uma forma de estar anormal, disfuncional e  perigosa. A “Der Taggspiegel” refere o caso de Anders Breivik, o assassino norueguês que matou 77 jovens na Noruega, ou o de James Holmes, do Colorado que vitimou 12 pessoas num cinema. Ambos têm problemas de relacionamento social e não tinham conta no Facebook.

Temo-lo dito e repetimo-lo – o mundo que George Orwell em 1948 previu para 1984, está aí. O Grande Irmão, através da fibra óptica  e da vigilância que uns sobre os outros exercemos,  impõe a novilíngua. Ao mínimo deslize, somos acusados de xenófobos, de homofóbicos, de machistas. E depois já somos nós que, duplipensando, crimedetemos o crimideia e nos vamos transformando em bempensantes.

Para quê montar toda aquela encenação de câmaras vigiando os mais simples gestos dos cidadãos? Para quê o fascismo, polícia política, campos de extermínio, torturas e tudo isso? As redes sociais, a cartilha do politicamente correcto, o pensamento único, o medo a sermos considerados anti-sociais e disfuncionais, mantêm-nos controlados e dentro das normas instituídas . Mais barato, mais limpo e, sobretudo, profundamente democrático.

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